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Homem pré-histórico 'tratava' os dentes para aliviar desconforto

Pesquisa foi feita em um indivíduo Neandertal que viveu 130 mil anos atrás; cientistas descobriram que ele usou objetos para desgastar o pré-molar

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postado em 05/07/2017 00:12 / atualizado em 07/07/2017 12:09

Estado de Minas

Wikimedia Commons

Os neandertais — espécie humana que conviveu com o homem moderno na Europa — não param de surpreender. A descoberta de múltiplos sulcos e de outros sinais de manipulação nos dentes de um indivíduo de 130 mil anos pode ser a evidência de um tipo de “odontologia pré-histórica”, segundo um novo estudo conduzido pela Universidade do Kansas. “Aparentemente, esse neandertal estava tendo um problema com seus dentes e tentou se tratar, fazendo esses sulcos, quebrando alguns pedaços e desgastando o pré-molar”, diz David Frayer, professor de antropologia da Universidade da Pensilvânia e coautor do estudo, publicado no Boletim da Associação Internacional de Paleoodontologia.

No trabalho, os pesquisadores analisaram quatro dentes isolados, mas associados, do lado esquerdo da mandíbula de um neandertal. As peças foram encontradas em Krapina, na Croácia, onde já foram feitas muitas descobertas sobre a vida dessa espécie extinta, inclusive ornamentos estéticos, algo que se imaginava que esses homens pré-históricos desconhecessem. Os dentes e os outros fósseis croatas foram escavados há mais de 100 anos, entre 1899 e 1905. Contudo, por muito tempo o material ficou parado. Até que Frayer e outros colegas resolveram reexaminá-lo.

Fora de posição 

Agora, eles avaliaram os dentes com um microscópio de luz para detectar desgaste, oclusão, formação de sulcos, arranhões da dentina antes da morte e fraturas no esmalte. Embora os dentes estivessem isolados, cientistas anteriores conseguiram reconstruir a ordem e a localização deles na boca do neandertal (não se sabe se era do sexo feminino ou masculino).

Frayer diz que os arranhões e os desgastes indicam que o indivíduo sentia irritação e desconforto. Os pesquisadores descobriram que o pré-molar e o molar M3 estavam fora das posições normais. Associado a isso, eles descobriram seis arranhões entre os dois dentes e os dois molares. “Esses arranhões indicam que o indivíduo estava colocando alguma coisa na boca para chegar até o pré-molar”, explica. As caraterísticas do pré-molar e do terceiro molar indicam diversos tipos de manipulação dental, disse o pesquisador.

Embora não tenha conseguido identificar qual objeto o neandertal usou para manipular os dentes, possivelmente era um osso ou um caule. A evidência, de acordo com Frayer, também é interessante à luz da descoberta, feita em Krapina, de que os neandertais gostavam de ornamentos e fabricavam joias, porque, há até pouco tempo, acreditava-se que essa espécie tinha habilidades “sub-humanas”. “Isso se encaixa no padrão de um neandertal capaz de modificar o ambiente, usando ferramentas. O que vimos nos dentes mostra que esse neandertal colocou alguma coisa dentro da boca para tratar a irritação dental”, diz.

 

 

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