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Ursos-polares são ameaçados por poluentes químicos

Produtos usados pela indústria e agricultura na impermeabilização de papéis, tecidos, móveis e para evitar as manchas de água ou de graxa são alguns dos vilões que têm vitimado os animais

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postado em 07/01/2017 06:00 / atualizado em 07/01/2017 10:08

Estado de Minas

Mario Hoppmann/AFP/European Geosciences Union
Paris – As mudanças climáticas são grande ameaça para a população de ursos-polares do mundo. Mas, além de impactados diretamente pelo aquecimento global e derretimento das geleiras, os grandes carnívoros do Ártico são vítimas dos poluentes químicos utilizados na agricultura e na indústria. É o que afirma um estudo publicado na revista Environmental Toxicology and Chemistry. Esses poluentes representam um risco para a saúde 100 vezes superior ao considerado aceitável para ursos adultos, e 1 mil vezes para os ursos menores. “É o primeiro estudo que quantifica o risco que representa para o ecossistema ártico os Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs)”, enfatiza a principal autora do estudo, Sara Villa, toxicóloga da Universidade de Bicocca, em Milão.

Os pesquisadores compilaram 40 anos de trabalhos sobre a exposição dos ursos, e também das focas e do bacalhau, principalmente na região que abrange do arquipélago ártico de Svalbard até o Alasca. “As concentrações de POPs são surpreendentemente mais elevadas entre os ursos-polares, 100 vezes mais que no caso das focas", enfatiza o estudo.

CONTAMINAÇÃO Utilizados na agricultura e na indústria, os POPs, poluentes que perturbam o sistema endócrino, persistem durante décadas na natureza e se concentram percorrendo a cadeia alimentar: passam, por exemplo, do plâncton aos peixes, dos peixes às focas e, por fim, das focas aos ursos, acumulando-se até alcançar doses muito tóxicas.

Os ursos menores estão muito mais expostos, principalmente por meio do leite materno contaminado de suas mães. Apesar de alguns POPs terem sido proibidos nos anos 1970, depois foram substituídos por outros agentes poluentes, segundo os pesquisadores.

Essas substâncias são utilizadas principalmente para impermeabilizar papel, tecidos, móveis e evitar as manchas de água ou de graxa. Esta ameaça se soma às que já pesam sobre o urso-polar. Um terço de sua população sofre o risco de desaparecer até meados do século. Atualmente, existem apenas cerca de 26 mil exemplares no planeta.

O problema mais importante enfrentado por esses animais é o derretimento dos bancos de gelo. É neles que os ursos polares procuram sua principal fonte de alimentação, as focas.

No Ártico, onde a temperatura aumenta duas vezes mais rápido que no resto do planeta, o aquecimento climático poderá gerar verões sem gelo dentro de 20 anos, avaliam os cientistas.

Iceberg gigante prestes a se soltar

Um iceberg com superfície de 5.000 quilômetros quadrados, quase tão grande quanto a ilha indonésia de Bali, pode se soltar em breve da banquisa (gelo flutuante) do Oeste da Antártida, previram, ontem, cientistas da Universidade de Swansea, no Reino Unido. “Um iceberg, que poderia ser um dos 10 maiores já inventariados, está prestes a se soltar na Antártida”, indicaram os cientistas em um comunicado. Sua superfície representa 85 vezes o tamanho da ilha de Manhattan. Situado a oeste do continente antártico, o iceberg foi batizado de “Larsen C” e tem 350 metros de espessura. Depois de anos, os cientistas supervisionam uma rachadura formada nesta região e que teria mais de 150 quilômetros de comprimento. Em dezembro, a fenda aumentou brutalmente cerca de 18 quilômetros e restam apenas uns 20 quilômetros antes que atravesse a banquisa de um lado a outro. “Ficarei surpreso se não se desprender no próximo mês”, afirmou o pesquisador Adrian Luckman, prevendo “um evento geográfico maior que vai mudar a paisagem” da região.

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