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Papo de ciência no bar

BH sedia o 'Pint of Science'; evento que quer colocar a ciência na mesa do bar

Nascido na Inglaterra, objetivo é disseminar conteúdo científico para as pessoas de maneira descomplicada e descontraída

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postado em 22/05/2016 09:00 / atualizado em 22/05/2016 09:14

Cristiana Andrade /Estado de Minas

EM / D.A Press
Que tal sentar no bar, pedir um petisco, beber algo e, de quebra, assistir a um debate sobre ciência, tecnologia e inovação, com pesquisadores de ponta? Se a ideia o apetece, então programe-se, pois de segunda a quarta-feira (25/05), Belo Horizonte e 11 cidades, brasileiras e de outros países, estarão, simultaneamente, conectadas pela Pint of Science, iniciativa idealizada em 2013, na Inglaterra. Na capital mineira, o evento ocorre pela primeira vez em três bares: na Cantina do Lucas, no Itatiaia Rádio Bar e na Cafeteria do Museu MM Gerdau, das 19h30 às 21h. Durante as três noites, os cientistas vão deixar as universidades e laboratórios para apresentar seus projetos ao público e mostrar o impacto do que investigam no dia a dia das pessoas. Serão dois pesquisadores por noite por bar interagindo com as pessoas.


Muitas vezes dedicados a assuntos que para a maioria dos leigos soa como algo de outro planeta e distante léguas da realidade do cidadão comum, os pesquisadores vão mostrar que, pelo contrário: grande parte dos temas aos quais se dedicam impactam diretamente nas nossas vidas. E o objetivo do Pint of Science é justamente mostrar que as pesquisas estão mais próximas das pessoas do que parece, contando sobre a rotina e o trabalho dos pesquisadores em ambientes de integração e descontração. “O evento cria uma oportunidade de estabelecermos uma comunicação mais informal, descontraída e humana, a fim de que possamos, todos juntos, oferecer um brinde à ciência”, comenta Natalia Pasternak, coordenadora da iniciativa no Brasil.

Para a coordenadora do Programa de Popularização da Ciência e da Tecnologia da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Sectes), Marina Pinto de Andrade Alves, essa é uma excelente estratégia para falar de ciência, aproximá-la da população, desmistificar o papel do cientista e incentivar as vocações científicas que são objetivos dos programas de popularização da C&T.

“A organização do Pint of Science em Belo Horizonte é compartilhada pelo Programa de Popularização da C&T da Sectes e celebra os 30 anos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). A escolha dos bares levou em conta a localização na cidade e o público que eles recebem. Quanto aos painéis, foram considerados a atratividade dos assuntos e as diversas áreas da ciência. Para a escolha dos pesquisadores, o tema do trabalho, a habilidade de comunicação para o grande público e a instituição de ensino e pesquisa a que eles estão ligados. Tentamos diversificar ao máximo”, conta Marina.

Segundo ela, eventos de divulgação científica nesse formato de bate-papo e em locais comuns e descontraídos são comuns em outros lugares do mundo. “Porém, o que faz o evento ser tão atrativo é o fato de ser um festival internacional que ocorre simultaneamente em vários países e une ciência e bar”, acrescenta. No Brasil, sediam o Pint of Science o Rio de Janeiro (RJ), Dourados (MS), Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos e São Paulo (SP).

>>  DE DENGUE E ROBÔS À NANOTECNOLOGIA

E os assuntos são os mais variados possíveis. Em BH, vai ter debate sobre dengue, zika e chicungunya; o futuro dos robôs; nanotecnologia; spin offs e startup; cultura maker; novos modelos de ensino, entre outros. O biólogo Heverton Leandro Carneiro Dutra, doutorando no Centro de Pesquisas René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz (CpqRR/Fiocruz), por exemplo, vai falar de um tema que interessa à maioria dos brasileiros: “Dengue, zika, chikungunya: o que é fato e o que é boato?”. Na opinião dele, não há tema fácil ou difícil nessa área. “A ciência, em todas as suas formas, pode ser sim apresentada de forma agradável e cativante para o público, vide os mais diversos temas que serão abordados ao longo do Pint of Science. O diferencial, a meu ver, não está no tema a ser tratado, mas sim na forma como ele é apresentado. Cabe ao pesquisador o processo de dar a relevância e contextualização do seu estudo para a sociedade como um todo” avalia.

Questionado se na sua opinião o país promove bem a ciência aqui produzida, Heverton diz que o Brasil como um todo carece de eventos como o Pint of Science, e de divulgação científica. “É preciso dar à sociedade o retorno sobre as pesquisas que são desenvolvidas no país, pois afinal de contas é ela quem banca o financiamento. Além disso, tirar a ciência do meio acadêmico e traduzir de forma simples para o público leigo, como é a ideia do Pint of Science, tem dois pontos de extrema relevância: desmistifica a ideia de que uma pesquisa é mais importante que a outra, pelo simples fato de ela ser mais rapidamente aplicável, e estimula o interesse das pessoas pelas pesquisas. A meu ver, a melhor forma de buscar novos talentos na pesquisa é dando a diversas pessoas a oportunidade de elas terem o primeiro contato com o mundo científico. É criando a fagulha que se produz o fogo”, acrescenta o biólogo.

Já o físico Ado Jório, do Departamento de Física do Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais (ICEx/UFMG), vai discorrer sobre nanociência e nanotecnologia, temas para muitos tidos como bicho de sete cabeças. “Entender que a ciência é simples e tem sentido é muito importante para o nosso bem-estar. Principalmente porque os frutos da ciência e da tecnologia são cada vez mais parte do nosso cotidiano. Mas, o Brasil, ainda tem muito para evoluir em difusão do conhecimento. Acho o Pint of Science uma ideia fantástica!”, resume.

Divulgação ampliada
Em Minas, de acordo com Marina de Andrade Alves, difundir C&T é missão de toda a estrutura da Sectes, que oferece, além do programa específico que ela coordena, páginas das mídias sociais e o Portal Simi – Sistema Mineiro de Inovação, uma plataforma cujo objetivo é reunir todos os agentes da ciência, tecnologia e inovação em um ambiente virtual rico em discussão e colaboração.

Em âmbito nacional, o país se une, anualmente, em torno da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). “Trata-se da maior iniciativa de popularização da C&T do país e uma das maiores do mundo. Atualmente, o evento não pode ser mais chamado de semana, pois ocupa praticamente todo o segundo semestre, em todos os estados, e envolve muitas instituições. Pela primeira vez, conseguimos ultrapassar 1 mil municípios brasileiros se beneficiando com atividades da SNCT. Só em Minas Gerais, registramos 40.436 atividades no site da SNCT e atingimos 141 municípios. Os números reais são muito maiores, mas o registro é bem trabalhoso. São milhares de pessoas tendo contato com conteúdos científico-tecnológicos. Ainda temos muito que avançar, mas é uma iniciativa muito consolidada”, acrescenta Marina.

SAIBA MAIS

Papo reto e direto com o pesquisador


O Pint of Science é um festival internacional de divulgação científica que começou com uma iniciativa de pesquisadores ingleses. Após promover um encontro onde pessoas acometidas por Alzheimer, Parkinson, doenças neuromusculares e esclerose múltipla conheceram laboratórios dos pesquisadores e ver de perto o tipo de pesquisa que realizavam, decidiram propor um evento em que os pesquisadores poderiam sair de seus laboratórios para conversar diretamente com as pessoas. Nasceu, assim, o Pint of Science. Atualmente, o evento está em 12 países e mais de 100 cidades. O evento é gratuito e os participantes pagam somente o que consumirem nos estabelecimentos. É bom chegar com antecedência, pois a ocupação estará limitada à capacidade de cada local. Para saber mais sobre os temas e consultar os endereços dos bares, acesse pintofscience.com.br.

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Roldão
Roldão - 22 de Maio às 10:47
Ciência na mesa do bar??? Só mesmo no Brasil... com muita birita, droga e samba. O lugar de discutir ciência é no laboratório experimental, no ambiente acadêmico. Essa informalidade para tratar as coisas sérias, como a ciência, é um dos fatores de exclusão do Brasil do rol das nações desenvolvidas. De fato, o Brasil não é um país sério. Vai continuar sendo o eterno "país de merda" conforme a definido pelo Jihad John de plantão do Estado Islâmico. Pobre Brasil!!!