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Estado de Minas

Navios brasileiros vão apoiar pesquisadores na Antártica

A pesquisa científica na Antártica é fundamental para o entendimento do funcionamento dos sistemas naturais da Terra e para esclarecer as complexas interações entre os processos antárticos e globais


postado em 18/10/2015 15:34 / atualizado em 18/10/2015 15:40

Navio Ary Rongel, na Antártica, tem todos os instrumentos necessários para garantir a segurança e o acesso da tripulação a informações(foto: Divulgação/Marinha do Brasil)
Navio Ary Rongel, na Antártica, tem todos os instrumentos necessários para garantir a segurança e o acesso da tripulação a informações (foto: Divulgação/Marinha do Brasil)

Dois grandes navios de pesquisa brasileiros estão a caminho da Antártica para apoiar os projetos científicas do país no continente branco, detentor de 90% das reservas de gelo e de quase 70% da água doce do planeta. A previsão é que o navio de apoio oceanográfico Ary Rongel e o navio polar Almirante Maximiano cheguem ao destino neste domingo (18), para operar na Baía do Almirantado, após duas semanas de viagem.

A reportagem entrevistou, por e-mail, o comandante do Ary Rongel, capitão-de-mar-e-guerra Nilo Gonçalves de Souza, que está a bordo do navio. Ele contou que a missão já começou durante a viagem, com medições da profundidade e temperatura das águas. Segundo o comandante, a importância de estudar a região está no fato de o continente antártico ser considerado “o principal regulador térmico do planeta, controlando as circulações atmosféricas e oceânicas e influenciando o clima e as condições de vida na Terra”.

“A pesquisa científica na Antártica é fundamental para o entendimento do funcionamento dos sistemas naturais do planeta e para esclarecer as complexas interações entre os processos antárticos e globais”, disse Souza, que esteve na região em fevereiro deste ano para se familiarizar antes de assumir o comando do navio.

Segundo ele, a viagem não é perigosa, pois o navio tem todos os instrumentos necessários para garantir a segurança e o acesso da tripulação a informações. “O navio utiliza todas as publicações de auxílio à navegação de países como Chile, Argentina e Reino Unido, desde a fase de planejamento, até a execução. Acompanham-se também as condições meteorológicas locais e o estado do mar para a travessia e realização das tarefas na área de operações”, explica.

O Brasil faz parte de um grupo de 30 países que têm bases na Antártica. Desde 1982, o país marca presença constante no continente, por meio de navios e estação fixa. Desde a destruição da Estação Antártica Comandante Ferraz, em outubro de 2012, devido a um incêndio, os 15 militares que vivem na região estão ocupando os Módulos Antárticos Emergenciais, até que a nova estação fique pronta.

Até o final de março de 2016, os dois navios vão ficar na Baía do Almirantado, na Ilha Rei George, para apoiar os pesquisadores e a tripulação da estação provisória. Eles vão poder usar os navios como plataforma ou como apoio para montarem acampamentos e refúgios. Os navios têm laboratórios e estação de acompanhamento de informações meteorológicas que viabilizam pesquisas em áreas como oceanografia e hidrografia, biologia, geologia e meteorologia.

De acordo com o comandante Souza, além dos militares que fazem parte da tripulação, mergulhadores e pilotos, 24 pesquisadores, entre mestrandos e doutorandos, estão a bordo do Ary Rongel, para realizar atividades como coletas de amostras de água e do solo marinho, estudo da fauna, pesquisas geológicas, além de observações meteorológicas e do comportamento das massas de água.

 

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