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Prótese 'sensível' é esperança para amputados

Professor austríaco apresenta experimento de implante que permitiu paciente sem parte da perna direita correr, pedalar e sentir a diferença entre materiais como areia e grama

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postado em 09/06/2015 13:00 / atualizado em 09/06/2015 13:23

Estado de Minas

Samuel Kubani/AFP

Viena – Um austríaco que não tem uma perna se tornou o primeiro amputado a utilizar uma prótese que recria a sensibilidade do membro perdido e dá esperanças contra as dores fantasmas. “Tenho a impressão de ter um pé novamente”, afirmou à agência France Presse Wolfgang Rangger, um professor de 54 anos, amputado na altura do joelho em 2007 depois de complicações de um acidente vascular cerebral.


“Já não escorrego no gelo, sinto a diferença quando caminho sobre cascalho, concreto, grama ou areia. Sinto inclusive as pedrinhas”, afirma o primeiro paciente operado pelo professor Hubert Egger, da Universidade de Linz, no Norte da Áustria. Seis meses depois do implante, Rangger corre, anda de bicicleta e inclusive faz escalada. Quando caminha, seu coxear é quase imperceptível. Esse resultado é fruto de uma técnica que associa o deslocamento dos feixes de nervos com a aplicação de sensores conectados a uma prótese de um novo tipo.


No caso do paciente de Linz, os médicos pegaram, no centro do coto, as terminações nervosas que conduziam inicialmente ao pé amputado. Depois as desviaram à superfície da coxa, onde as conectaram com a parte alta da prótese. Por sua vez, a perna artificial inclui sensores sob a planta do pé unidos a outras células, chamadas simuladores, que estão em contato com o coto. A informação transferida entre os sensores e os simuladores permite imitar, e finalmente reproduzir, a sensação do membro perdido.

Com cada passo, cada vez que exerce pressão sobre o solo o pé artificial de Wolfgang Rangger envia um sinal preciso ao cérebro. “Em um pé com boa saúde, são os receptores da pele que cumprem essa função. Um amputado não tem esses receptores, mas os transmissores de informação, que são os nervos, seguem existindo. É preciso apenas estimulá-los”, resume o professor Egger.

O médico austríaco já havia inovado em 2010 ao apresentar uma prótese de braço controlada pela mente, graças a uma conexão entre os nervos motores e a prótese. Desta vez, o princípio é o mesmo, mas o percurso é realizado ao contrário: a informação parte da prótese para chegar ao cérebro.

DOR FANTASMA

Além disso, a prótese testada em Linz oferece ao seu portador uma segunda vantagem que, ao menos para ele, é igualmente importante: o novo sistema colocou fim, em apenas alguns dias, às dores fantasmas que precisou suportar durante anos depois de perder sua perna. “Com minha prótese convencional”, lembra Wolfgang, “podia apenas caminhar. Não conseguia dormir mais que duas horas por noite e precisava de morfina para aguentar durante o dia.”


Esta sensação de sofrimento no membro que já não existe, muito comum, ocorre devido a uma hipersensibilidade que se desenvolve progressivamente no cérebro, que, de certa forma, busca o membro amputado, explica o professor Egger. A dor fantasma, prossegue, é agravada pela lembrança traumática do acidente ou da doença que levou à amputação. A prótese “sensível” o remedia, ao enviar novamente informações ao cérebro, interrompendo sua busca vã e infinita. O custo do protótipo está calculado entre 10 mil e 30 mil euros (entre R$ 32 mil e R$ 90 mil). Sua industrialização já poderia começar, mas a equipe de Linz quer estudar um pouco mais os resultados obtidos com o primeiro paciente.

 

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