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Fóssil de titanossauro achado em SP será montado e estudado pela UNB

Animal pode ser de espécie desconhecida

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postado em 10/04/2015 13:00 / atualizado em 10/04/2015 13:22

Rafael Campos /Estado de Minas

Daniel Ferreira/CB/D.A PRESS

A Universidade de Brasília (UnB) começa neste mês o trabalho de preparação do fóssil de um titanossauro, considerado um dos maiores e mais completos já encontrados no Brasil. A ossada do réptil herbívoro – que viveu há cerca de 70 milhões de anos e pode ter pesado 10 toneladas – foi descoberta em Marília (SP), e os blocos petrificados foram transportados até o câmpus de Planaltina da UnB.

“A etapa de preparação leva, em média, cinco anos. A partir de agora, toda a rocha em volta dos ossos vai ser retirada para que vejamos o estado deles e como eles estão articulados”, explica o professor Rodrigo Santucci, responsável pela pesquisa. De acordo com ele, é nessa etapa que as maiores descobertas sobre o animal podem ser feitas – há a possibilidade, inclusive, de a equipe estar diante de uma nova espécie. “Até agora, só sabemos que ele é do grupo dos titanossauros. Ainda não há como confirmar se ele é conhecido ou novo”, afirma.

O fóssil foi descoberto em 2009 pelo paleontólogo William Nava, que entrou em contato com Santucci. Após conseguir o financiamento necessário, a escavação ocorreu entre 2011 e 2012. A ideia inicial dos especialistas era realizar a fase seguinte do trabalho no município paulista mesmo, devido às dificuldades logísticas – o transporte de uma ossada tão grande nunca havia sido feito no Brasil. “O bloco maior tem 10 toneladas. “Porém, a equipe em Marília era pequena, e seria mais caro enviar nossos pesquisadores periodicamente até lá”, conta Santucci.

A operação, que envolveu caminhões e guindastes, foi um sucesso e todo o material chegou ao Distrito Federal sem avarias no mês passado. Foram encontradas partes do crânio; de vértebras do pescoço, do tronco e da cauda; ossos das costelas; fêmur; e bacia, além das patas do animal. Segundo Santucci, o grupo que dará continuidade à pesquisa terá entre oito e 10 alunos, tanto da graduação quando da pós-graduação.

“Apesar dos poucos recursos, tivemos como fazer todo o processo sem causar danos ao fóssil. Conseguimos o financiamento por meio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), mas a Prefeitura de Marília também ajudou muito. Queremos mostrar a importância de estudos como esse, até para ajudar no desenvolvimento dos locais em que essas peças são encontradas”, assegura o professor.

Retorno

A cidade paulista é conhecida pela quantidade de fósseis descobertos na sua área. O titanossauro que está na UnB é um empréstimo: após o trabalho de retirada das rochas e montagem do esqueleto, ele voltará para Marília, e uma réplica será exposta em um museu. “Esse é um diferencial importante do trabalho do Rodrigo e a maneira mais adequada de proceder. Marília já tem a estrutura para receber esse fóssil e é bom que ele volte para a cidade”, afirma Max Cardoso Langer, presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia.

Para Langer, a descoberta tem ainda mais relevância pelo tamanho do material coletado. “O mais comum é que ela seja parcial. Aqui, eles encararam o desafio e retiraram todo o fóssil, permitindo que alunos da graduação e da pós-graduação se envolvam no processo, ganhando mais qualificação. E essa é uma oportunidade que poucos estudantes têm”, assegura. Para o presidente, tudo o que envolve esse dinossauro é superlativo. “Nunca havia tido uma peça tão grande, nunca algo com esse tamanho havia sido transportado. Mesmo assim, a decisão de levá-lo para o Distrito Federal foi correta porque vai permitir que o fóssil seja mais bem estudado.”

Na UnB, será feita a descrição dos ossos, bem como a comparação deles com outras espécies de titanossauro – existem cerca de 50 já conhecidas. Além da instituição brasiliense, participam da pesquisa representantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), do Museu de Paleontologia de Marília e da Fundação Educacional de Fernandópolis, em São Paulo.

 

O maior de todos
Os titanossauros eram dinossauros gigantescos que se alimentavam apenas de plantas. Imensos, esses animais tinham pescoços e rabos bastante compridos, ultrapassando facilmente os 15m de comprimento. Em setembro passado, um grupo de pesquisadores anunciou a descoberta, na Argentina, da espécie Dreadnoughtus schrani, que tinha 26m e pesava 65 toneladas (mais que um Boeing 737). Com esses atributos, o dinossauro, apresentado na revista Scientific report, passou a ser considerado o maior animal terrestre de que se tem notícia.

 

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