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Telas de quantum dots, usadas em tablets e em computadores, chegam às TVs

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postado em 29/01/2015 09:30 / atualizado em 29/01/2015 08:30

Roberta Machado /

David Becker

Brasília – O mercado de televisores começa a ser invadido por um nome que mais parece ter a ver com exploração espacial do que com o entretenimento doméstico: telas de pontos quânticos. Também chamada de quantum dots, ou simplesmente de qdots, a novidade promete turbinar as tevês com o dobro de brilho da tela de LCD, além de emitir imagens com uma gama de cores até 50% maior. O mercado já conta com alguns modelos fabricados com a tecnologia quântica, que deve ganhar força em 2015 e pode roubar a cena como uma alternativa mais acessível que as de OLED.

O ponto quântico é um pequeno cristal feito a partir de um material semicondutor com apenas alguns nanômetros de diâmetro. São necessários 10 mil desses componentes para preencher a espessura de um fio de cabelo, e bilhões deles são necessários para a fabricação de um televisor de 50 polegadas. Eles formam um filtro que é colocado em aparelhos muito semelhantes ao televisor de LCD, produzindo uma imagem de qualidade bem superior.

A tecnologia dos televisores de cristal líquido atuais usa lâmpadas de LED azuis cobertas de fósforo amarelo para emitir a cor branca, que depois é filtrada para dar origem aos pixels coloridos exibidos na tela. O problema é que essa luz não é pura e esconde vários tons secundários, que acabam “contaminando” a imagem. Os qdots resolvem esse problema adicionando pontos vermelhos e verdes fluorescentes ao fundo azul, dando origem a uma luz branca mais pura e brilhante.

Modelos

A tecnologia já está presente em alguns displays menores, como o tablet Kindle Fire HDX, da Amazon, e o computador Zenbook NX500, da Asus. Mas somente no último ano os fabricantes resolveram arriscar a criação de grandes telas munidas com os pontos minúsculos. A Sony colocou seus primeiros modelos no mercado no ano passado sob o codinome da tecnologia Triluminos, e a LG revelou na feira de tecnologia CES International deste ano uma qdot TV que promete até 30% a mais de cores que as telas tradicionais.

Os televisores SUHD da Samsung vão ainda mais longe e anunciam um brilho duas vezes superior ao das televisões de hoje. “Pode parecer extremo, mas isso na verdade cria uma experiência incrível para o espectador, em que luzes de destaque e explosões realmente se sobressaem”, descreve Jeff Yurek, gerente de Marketing de Produto da Nanosys, que fornece a tecnologia para a empresa coreana. “Isso pode parecer supersaturado se a imagem não é calibrada corretamente, mas as tevês que demonstramos na CES com quantum dots usavam um software de regulação de cores para evitar isso”, ressalta Yurek.

A mudança foi demonstrada pela Samsung na sua apresentação na CES, onde a televisão acendeu com intensidade muito superior à de outros modelos da própria marca. O efeito dos pontos quânticos parece aumentar o nível de luminosidade da tela ao máximo, gerando um brilho único. “Não há dúvida, é uma melhoria da tevê de LCD”, acredita a professora Mylène de Farias, do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB), que faz uma ressalva: a qualidade da tela qdot também depende da resolução do aparelho. “Ela melhora o brilho, as cores e a taxa de contraste, mas não vai resolver a resolução. Isso é outra questão, a de pixels por polegada”, alerta.

Para especialistas, as telas de qdot são as melhores candidatas a substituir as tevês de LCD, que dominam hoje o mercado. “A tecnologia quantum dot oferece uma imagem melhor que a das telas planas de LCD com luz de fundo branca, mas não tão boa quanto a das tevês de OLED. No entanto, a tecnologia OLED de hoje não está madura e tem problemas de durabilidade e custo”, compara Stuart Lipoff, membro do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE). A Samsung, que chegou a lançar uma tela curva com a tecnologia orgânica há pouco mais de um ano, não anunciou nenhuma novidade na área em 2015.

Soluções

Nos últimos anos, os aparelhos de LED orgânico foram a grande esperança do mercado de displays, por produzirem contrastes mais claros e um preto mais profundo que qualquer outro modelo. Essa façanha deve-se a uma camada de um filme orgânico que se ilumina por conta própria, sem depender de uma luz de fundo. No entanto, problemas de fabricação em larga escala tornaram o preço da sua produção quase proibitivo, colocando as OLEDs em um mercado de nicho que arrisca desaparecer das prateleiras por completo em breve.

Por isso, os fabricantes buscam encontrar rapidamente uma forma barata de produzir nanopontos eficientes o bastante para os grandiosos aparelhos 4K que estão chegando ao mercado. Atualmente, a indústria tem trabalhado duro para desenvolver qdots mais eficientes e baratos – embora ainda seja mais barato que o filme OLED, o material necessário para equipar um televisor de 55 polegadas pode representar um aumento de mais de R$ 500 no preço final do aparelho.

A empresa que fornece os pontos quânticos usados pela Sony, por exemplo, aposta na tecnologia de iluminação lateral, que troca o filme de cristais por um canal montado na lateral do televisor. Essa solução é controversa, mas a companhia garante que o modelo é mais barato e tão eficiente quanto os filmes de iluminação direta. “Conforme o interesse e a demanda pelos displays baseados em quantum dots aumente, espera-se que o custo caia significativamente”, acredita John Volkmann, representante de Marketing da QD Vision, que também fornece os qdots usados pela TLC, pela Philips e pela AOC.

A empresa estima que já tenha fabricado sistemas para mais de 1 milhão de televisores e espera duplicar esse volume neste ano. Yurek, da Nanosys, arrisca que a tecnologia dominará o mercado, desbancando os modelos LCD/LED, em apenas cinco anos. “Vemos 2015 como um ano de inflexão para os quantum dots”, afirma. O otimismo indica que o mercado deve superar a expectativa de US$ 310 milhões traçada para a produção de pontos quânticos para displays, feita pela BCC Research no ano retrasado, e cumprir a marca de US$ 10 bilhões estimada pela Touch Display Research para 2025.

 

Descoberta
Os pontos quânticos foram descobertos, em 1981, por Louis E. Brus e ganharam esse nome somente no fim daquela década. Foram necessários mais de 20 anos para que a tecnologia passasse a ser vendida para pesquisadores como marcadores fluorescentes de moléculas orgânicas, e mais alguns anos para que os cientistas notassem o potencial dessa tecnologia para a fabricação de outros dispositivos, como células solares e displays.

 

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