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Novo APL deve mais que dobrar as inovações do Vale da Eletrônica

Laboratório do Arranjo Produtivo Local, a ser inaugurado na próxima semana em Santa Rita do Sapucaí, vai agilizar o lançamento de inovações e reduzir os gastos de produção

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postado em 04/12/2014 09:40 / atualizado em 04/12/2014 09:41

Paula Takahashi /

Sindivel/Divulgação

Berço de 45 inovações tecnológicas a cada 30 dias, o Vale da Eletrônica em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, pode elevar esse número para pelo menos 100 novidades mensais, a partir de 2015. O salto é justificado pela inauguração, na próxima semana, do laboratório de prototipagem do Arranjo Produtivo Local (APL), atualmente formado por 153 empresas. “Esse é um gargalo de três décadas, que levou oito anos para sair do papel, a um custo de R$ 4,5 milhões”, afirma Roberto de Souza Pinto, presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel).

O laboratório preparado para atender a demanda eletroeletrônica (placas de circuito) e mecânica não apenas agilizará o lançamento das inovações como reduzirá expressivamente os gastos de produção. “Um protótipo que a minha empresa encomenda na China leva 70 dias para ser desenvolvido e custa R$ 9,5 mil. Faremos a mesma coisa em seis horas, a R$ 600”, afirma Roberto. Os ganhos não param por aí. “Com essa facilidade, as empresas poderão fazer mais protótipos e amostragens do produto. Dessa forma, terão mais segurança e confiança de que estão colocando no mercado algo de qualidade. O consumidor também sai ganhando com isso”, reconhece Roberto.

O protótipo precede a produção e é fundamental para garantir que o que foi pensado e projetado realmente está pronto para ser usado. “Ele é exposto em laboratórios para homologação e sai com padrões de produção. Ninguém coloca uma inovação no mercado sem protótipo”, garante Roberto. “O que acontecia antes é que a demanda mais simplificada era atendida por empresas em São Paulo, mas a maior parte vinha da China”, detalha.

Roberto de Souza Pinto, presidente do Sindvel
A logística lenta e dispendiosa muitas vezes impedia o desenvolvimento de novos protótipos e exigia adaptações e mudanças na linha de produção. “Se precisasse fazer uma nova placa para testar, a empresa não conseguia. Demora muito e a novidade tem prazo para entrar no mercado”, detalha o presidente do Sindvel. Realidade que vai mudar a partir de janeiro. Além de atender toda a demanda do APL, o laboratório está preparado para receber solicitações de outras cidades de Minas Gerais. Não há confirmação de que o serviço será estendido para todo o país.

Fortalecimento

A novidade amplia os benefícios proporcionados pelo APL de Santa Rita do Sapucaí aos empresários da região e promete ser mais um chamariz para os interessados em investir no setor. “Se é uma pessoa que tem recursos financeiros e um bom projeto na cabeça, pode vir para o Vale da Eletrônica que, em seis meses, esse produto estará no mercado”, garante Roberto. Além do laboratório de prototipagem prestes a iniciar a produção, o APL conta com especialistas em diversas áreas, para dar o suporte que o empresário precisa durante todo o processo de criação e desenvolvimento do produto.

“Temos pessoas especializadas em software embarcado, em software de alto nível para ficar hospedado na nuvem, em radiofrequência, em pesquisa, desenvolvimento e até desenho de placas. Todas as empresas contam com essa estrutura e ambiência”, detalha. Inclusive, com a tão desejada e difícil mão de obra especializada, que vem do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) e da parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para a formação de profissionais capacitados.

Diante desse cenário, mesmo em um ano de incertezas e dificuldades, o Vale da Eletrônica vai crescer 12,5% em relação a 2013, ultrapassando os R$ 3 bilhões em faturamento. “Somente na exportação, conseguimos crescer 22,7% este ano. Resultados que podem ser justificados pelo forte investimento dos empresários e também provenientes de parcerias com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Sebrae e o governo. Foram mais de R$ 140 milhões em novos galpões, ampliações de fábrica e automatização do processo produtivo”, detalha Roberto.

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