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Alunos de computação da UFMG vencem a 1ª maratona brasileira de programação do setor financeiro

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postado em 25/11/2014 08:44 / atualizado em 25/11/2014 11:03

Silas Scalioni /Estado de Minas

Hackaton/divulgação

Minas Gerais vem consolidando a vocação nascida nos últimos tempos para apresentar jovens talentos ao mercado de tecnologia. Agora, é a vez de um grupo formado por quatro estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) se destacar ao vencer a primeira maratona de programação realizada por uma instituição financeira no Brasil – a Hackathon Itaú Unibanco 2014. Vinícius Flores Zambaldi, João Paulo Pesce, Raphael Ottoni e Geraldo Franciscani, alunos do curso de mestrado de ciências da computação, foram os autores do projeto Conta Inteligente, desenvolvido durante a maratona, encerrada há poucos dias em São Paulo.


Ao todo, foram inscritos 89 projetos elaborados por equipes de estudantes de algumas das mais conceituadas universidades do Brasil. Os seis melhores foram selecionados para participar da maratona, quando tiveram de trabalhar 36 horas ininterruptas desenvolvendo uma proposta previamente apresentada à organização. “Competimos com equipes de instituições consagradas, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Universidade Estadual Paulista (Unep). Ficamos dois dias e meio diretos desenvolvendo um trabalho ligado ao tema Banco Digital, quando dormimos só três horas. Foi bem cansativo, mas recompensador”, diz o representante do grupo, Vinícius Flores Zambaldi, revelando que, ao final da maratona, as propostas foram apresentadas para uma banca avaliadora composta por executivos da instituição financeira e especialistas em tecnologia, design e empreendedorismo.

Vencedor mineiro

O Conta Inteligente, projeto campeão da maratona, é um sistema inovador de gestão financeira, onde um consultor virtual provê auxílio na compreensão de gastos e ajuda na tomada de decisões. “Trata-se de um sistema multiplataforma (dispositivos mobile e internet) que atua em duas frentes: facilidade de  acesso às informações sobre a conta e produção de soluções com base nesses dados”, explica Zambaldi, destacando o papel de cada um da equipe no projeto: “Fiquei responsável pela inteligência computacional, o Geraldo Franciscani Jr. pelos trabalhos de visualização de dados, o João Paulo Pesce ficou por conta do design e da experiência do usuário, enquanto o Raphael Ottoni cuidou dos sistemas e bancos de dados”.

“Nossa ideia era fazer um trabalho que ajudasse a entender melhor as finanças a partir do extrato e da fatura das pessoas comuns. Idealizamos, então, uma ferramenta de visualização que facilita esse entendimento, além de ter a função de ser um consultor virtual, que ajuda a ver como o usuário está gastando seu dinheiro. Ela oferece também sugestões de investimentos, tudo baseado em estatísticas”, informa João Paulo Pesce.

Técnicas e ferramentas

Para viabilizar todos esses serviços, de acordo com a equipe da UFMG, foram empregadas técnicas de visualização de dados consideradas simples e intuitivas (para facilitar o entendimento dos gastos e receitas), além de inteligência computacional (modelos de aprendizagem de máquina), para fazer predições e auxiliar os clientes (e a instituição financeira) a interpretar os dados. “Para o desenvolvimento do projeto no geral usamos algumas tecnologias específicas, como a Ruby on rails (ferramenta para desenvolvimento de aplicativos), a Python (especial para análise de dados) e a D3.js (utilizada para visualizações de dados). Já para os modelos de predição foi utilizada a linguagem R, que é ao mesmo tempo uma linguagem de programação e um pacote estatístico”, explica Geraldo Franciscani Jr.

Raphael Ottoni, também integrante de a equipe campeã, conta que muitas pessoas do banco foram conversar com o grupo, além de designers e técnicos, para entender melhor o alcance do projeto e onde ele poderia ser melhorado. “Tínhamos uma ideia e fomos aprimorando-a. Acabamos, no fim, fazendo uma ferramenta bem diferente do que imaginávamos inicialmente, e é aí que está a força da criatividade. Foi muito interessante ver isso acontecer”, diz Ottoni, ressaltando que uma característica marcante no evento foi a disponibilização de funcionários técnicos do banco, que atuaram como colaboradores em cada equipe com a capacidade de solucionar possíveis dúvidas e sugerir melhorias.

O projeto vencedor foi contemplado com R$ 10 mil, com direito da equipe encontrar-se com líderes da área de tecnologia e uma visita monitorada ao Centro Tecnológico do Itaú Unibanco, em Mogi-Mirim (SP), o maior data center da América Latina em área construída.

 

Transformar relações
O Hackathon Itaú é um desafio aos universitários com conhecimentos em programação e design e ligados ao desenvolvimento de ideias digitais. Para a maratona tecnológica exige-se a montagem de times com até quatro participantes, que devem surpreender os jurados com uma ideia que pode mudar tudo. “Criamos o Hackathon justamente para estimular os futuros profissionais da tecnologia e design a pensar soluções que podem integrar e facilitar a vida em sociedade”, afirma Pedro Donati, diretor do Itaú Unibanco.

 

Passo a passo até a vitória
» Isolados em um quarto, Geraldo e Raphael começaram a desenvolver a estrutura inicial do projeto, enquanto Zambaldi e João Paulo discutiam a gestão financeira com Ari Magagnin, funcionário do Itaú/Unibanco disponibilizado para a equipe afim de solucionar possíveis dúvidas e sugerir melhorias.

» Finalizada a estrutura inicial, os estudantes fizeram um esboço de telas que seriam apresentadas no sistema. Ouviram a opinião de funcionários da instituição, entre eles designers, desenvolvedores e alguns executivos que os visitavam para entender a ideia.

» João iniciou a criação do design, tendo como referência a identidade visual do banco, e Geraldo reproduziu técnicas de visualização de dados. Raphael modelou a estrutura de dados e criou funcionalidades da solução proposta, enquanto Vinícius tratava a base de dados oferecida.

» Conversão automatizada de CNPJs para categorizar lançamentos por segmentos econômicos usando os códigos CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) como base.

» Módulo Orçamentos concluído, banco de dados já alimentado com os dados reais. Design do site pronto e parada para um almoço a jato.

»Hora de trabalhar no Extrato Visual – visualização unificada de todos os lançamentos (conta-corrente e cartão de crédito). O extrato criado apresentou gráficos simples e intuitivos, com possibilidade de interação do usuário, para que ele entendesse e controlasse suas despesas e receitas.

» Vinte e uma horas depois, o grupo fez a primeira pausa para jantar (uma simples pizza!). Em seguida, reunião de meia hora para alinhar as ideias e replanejar o Road map para, finalmente, dar a forma final ao projeto. Depois, mais algumas horas até a apresentação oficial. 

 

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