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Centro de pesquisas leva informação sobre genética a usuários do metrô em SP

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postado em 18/08/2014 09:32 / atualizado em 18/08/2014 13:24

Agência Fapesp

Com o objetivo de despertar o interesse da população sobre temas relacionados a genética, o Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CPGH-Cel), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP, espalhou cartazes em todas as estações do metrô de São Paulo com curiosidades sobre as semelhanças genéticas entre os humanos e outros seres.

A ação integra o projeto Semear Ciência e apresenta, de forma simplificada, informações relacionadas à evolução das espécies.

De acordo com Eliana Dessen, pesquisadora do CPGH-Cel, a ideia é fortalecer uma das missões dos CEPIDs no campo da educação e difusão do conhecimento científico. “Além do desenvolvimento de pesquisa e da transferência de tecnologia, os CEPIDs têm a responsabilidade de difundir a ciência, que é também uma necessidade do universo acadêmico com a população. Com o projeto, pretendemos motivar as pessoas a se interessarem por aspectos da ciência que promovam valores importantes, como o respeito pela biodiversidade”, disse.

As mensagens apresentam a porcentagem da semelhança genética entre seres humanos e um chimpanzé (96%), entre seres humanos e uma mosca (60%) e entre seres humanos e um grão de arroz (11%).

Na primeira etapa da ação foram impressos 34.500 exemplares dos três cartazes da campanha, distribuídos entre as estações de metrô da capital paulista e em alguns ônibus e pontos que servem a região do ABC e da capital. Também foi iniciada campanha com as escolas da rede pública de ensino médio do estado, que receberam cartazes e terão treinamento para a utilização das informações com os alunos.

Um hot site foi criado para explicar aos mais curiosos como os estudos dessas comparações foram feitos e os impactos desse conhecimento no tratamento de doenças. O biólogo Rodrigo Mendes, que participou da idealização do projeto, conta que a ideia é fazer com que a curiosidade leve a um aprofundamento das informações.

“No metrô, é pouco provável que se consiga dar a devida atenção à complexidade do assunto. Para levar a uma leitura mais aprofundada, pensamos em painéis com perguntas simples que remetessem a um site. O QR Code permite acessar o site no smartphone e ler mais durante a viagem”, explicou.

O código pode ser lido por aplicativos de celulares e tablets, que acessam instantaneamente o hot site com informações mais detalhadas das pesquisas que levaram às mensagens dos cartazes. Para desenvolver o conteúdo, o CEPID realizou pesquisas na literatura científica e entrevistas com pesquisadores do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP).

Segundo Dessen, observou-se um acréscimo nos acessos ao site após a veiculação dos cartazes em determinados pontos. “No dia seguinte ao início da campanha em ônibus que atendem a região de São Bernardo do Campo e Santo André, percebemos um aumento nas visitações registradas na região do ABC paulista e assim foi com outras regiões.”

Escolas
Para expandir o trabalho, o CEPID entrou em contato com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, que auxiliou na distribuição dos cartazes às 3.775 escolas de ensino médio da rede pública.

No dia 8 de agosto, foi realizada uma videoconferência com 92 professores coordenadores de núcleos pedagógicos do estado. Eles receberam orientações, conheceram os cartazes e o hot site da campanha e esclareceram dúvidas, sendo capacitados para orientar os professores nas próximas etapas da ação nas escolas, após o período eleitoral.

Em seguida, foi realizada reunião com quatro coordenadores para avaliações sobre abordagens pedagógicas do material em escolas nas regiões de Osasco, Itapecerica da Serra, Guarulhos e zona leste da capital.

Multiplicação
Antes de despertar a curiosidade da população, a campanha do Semear Ciência chamou a atenção da comunidade científica em reunião dos coordenadores de Educação e Difusão dos CEPIDs realizada em abril, em Ribeirão Preto (SP).

“Muitos pesquisadores pretendem promover ações dessa natureza e se interessaram pelas soluções que encontramos no projeto. Estamos em contato com outros CEPIDs nesse sentido”, afirmou Dessen.

O CPGH-Cel trabalha em novos projetos de difusão. “A ideia é realizar duas campanhas como essa por ano. A próxima já está sendo desenvolvida”, contou. Com o título provisório "É genético?", a ação deve apresentar à população algumas características do comportamento humano e explicar suas origens genéticas.

Até o fim do ano, será criada uma nova série de cartazes abordando características relacionadas à sexualidade, à inteligência e ao alcoolismo. “São assuntos polêmicos que são tratados em diferentes âmbitos da sociedade. Nossa intenção é fazer com que, por meio da curiosidade, a população se aproprie dessas discussões com informações científicas confiáveis”, explicou.

Além do Semear Ciência, o CPGH-Cel desenvolve outros projetos de educação e difusão. O “Aulas práticas nas escolas” instala microscópios e kits para o desenvolvimento de aulas práticas em escolas parceiras, capacitando professores para o uso do equipamento com os alunos. O projeto beneficia atualmente 52 escolas e cerca de 28 mil estudantes com aulas de laboratório. Em 2015 o número deve subir para 60.

Os próximos passos do Semear Ciência devem incluir distribuição de cartazes também nas linhas do trem, ampliando o acesso às informações, e o uso dos painéis multimídia do metrô.

Mais informações em http://genoma.ib.usp.br.

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