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Google Glass é testado em aeroportos e pode ganhar concorrente da Microsoft

Quem mora nos Estados Unidos já pode comprar o Google Glass. Versão inicial custa US$ 1,5 mil.

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postado em 29/07/2014 10:36 / atualizado em 29/07/2014 10:33

Silas Scalioni /Estado de Minas

Patentscope/divulgação

A gigante norte-americana Microsoft fez, há poucos dias, pedido de patente de um dispositivo que chamou de Wearable Behavior-Based Vision System (em português, Sistema Vestível de Visão Baseado em Comportamento), que, certamente, está sendo concebido para concorrer com o Google Glass, os óculos inteligentes da Google. Da mesma forma que o gadget já existente, o Microsoft Glass (se é que já se pode chamá-lo assim) também vai ser capaz de reconhecer objetos e situações, analisar movimentos e amenizar os riscos de colisão e outros perigos. De acordo com documentos apresentados pela empresa, justamente o reconhecimento de um carro pelo equipamento é que foi citado como exemplo: os óculos verificam e analisam o percurso do veículo e exibem um alerta por meio de suas lentes sobre os perigos que se apresentam ao usuário.

A nova criação da Microsoft, ainda segundo os documentos, vai poder ser usada também nos games. Enquanto o usuário joga, os óculos serão capazes de identificar e alertar sobre objetos no meio do caminho, como cadeiras e mesas, indicando, ainda, formas de se desviar. Seria uma ótima opção para as pessoas que gostam desses jogos de movimento e que, muitas vezes, se entusiasmam (como quando estão, por exemplo, jogando uma partida de tênis pelo console) e acabam se chocando com algum objeto. A presença nos mesmos documentos de um Xbox e de uma câmera parecida com o Kinect indica claramente que é intenção da Microsoft desenvolver uma integração entre o gadget e o seu console.


Concorrente de peso

Apesar de a Microsoft ter feito pedido de registro de patente do gadget, ainda não dá para afirmar que a empresa vai mesmo lançar seus óculos inteligentes. Afinal, muitas pesquisas e testes envolvem o desenvolvimento de um produto tão tecnológico assim. A própria Google, que saiu na frente já há algum tempo, ainda não está totalmente satisfeita com o Google Glass e continua sua busca por aperfeiçoá-lo. Seja como for, se a Microsoft de fato se empenhar na concepção do seu dispositivo, como já era especulado há algum tempo, ele poderá mesmo se tornar um concorrente de peso ao aparelho da Google.

O Google Glass, pode se dizer com certeza, é uma obra-prima da tecnologia ao concentrar várias funções em tão pouco espaço. Ele é um telefone, uma câmera, se conecta à internet, tem GPS... Enfim, é um verdadeiro canivete suíço digital. Trata-se de um acessório em forma de óculos, que possibilita a interação dos usuários com diversos conteúdos, usando a tecnologia de realidade aumentada. Ele não conta com uma minitela e sim, com um miniprojetor, que projeta um prisma semitransparente (de forma inteligente) direto na retina. Chamado também de Project Glass (uma vez que ainda não é um produto final, embora já esteja à venda nos Estados Unidos), o aparelho tira fotos a partir de comandos de voz, consegue enviar mensagens instantâneas e até mesmo realizar videoconferências.

Já à venda

Quem mora nos Estados Unidos já pode comprar o Google Glass. Depois de realizar uma série de pequenas ações promocionais – inclusive convidando usuários a experimentar os óculos inteligentes, com agendamento no Google Glass Basecamp, em San Francisco, Los Angeles ou Nova York –, a gigante das buscas finalmente liberou as vendas do gadget em seu site oficial. Entretanto, ainda se trata de uma versão em fase de teses. O anúncio das vendas foi postado recentemente na página do Google Glass no Google Plus e a nota faz questão de destacar que o produto continua integrando o chamado Explorer Program (uma espécie de fase de testes).

No comunicado, a empresa salienta que aprendeu muito quando abriu seu site e que decidiu caminhar para um projeto beta mais aberto. “Ainda estamos no Explorer Program, enquanto continuamos melhorando nossos hardware e softwares. Mas, a partir de agora, qualquer um nos Estados Unidos pode comprar o Glass Explorer Edition”, disse a empresa no comunicado. O que incomoda no Google Glass é o seu alto preço, até mesmo nos Estados Unidos. Essa versão inicial custa US$ 1,5 mil (cerca R$ 3,4 mil). A dúvida, a partir de agora, passa a ser se essa fase beta ainda demora e se o valor do produto final se manterá nesses patamares.

 

Ernst Tobisch/divulgação

Muito além do lazer

O Google Glass pôde ser testado, e aprovado, por passageiros e equipes de serviço no aeroporto de Copenhague. Indicado pelo SITA Lab – laboratório que trabalha com pesquisa de tecnologia estratégica para a indústria de transporte aéreo, buscando investigar as melhorias que tais tecnologias podem trazer para viagens de passageiros e tripulação –, o aeroporto da capital da Dinamarca foi o primeiro do mundo a experimentar o Google Glass. São várias as ações em um aeroporto, que, segundo Jim Peters, diretor de tecnologia do SITA, podem ser facilitadas com a presença do gadget, incluindo o uso em check-in, em autosserviço de entrega de bagagem e em portas de embarque de autoatendimento. “O SITA tem incentivado as companhias aéreas e os aeroportos a experimentar mais a tecnologia wearable”, diz. Produtos wearable ou, em tradução livre, produtos vestíveis nada mais são do que criações que propõem uma integração cada vez maior da tecnologia ao ser humano, como no caso do Google Glas.

Para Jim Peters, uma grande vantagem dessa tecnologia é manter as mãos livres, permitindo assim uma nova forma de trabalhar. “No Aeroporto de Copenhague, temos visto benefícios reais para os passageiros e equipe de serviço. Do ponto de vista operacional, a facilidade de adoção e de uso de dispositivos de vidro é grande e só leva um dia para os funcionários se familiarizarem com o novo equipamento”, afirma.

Positivo

Já Marie-Louise Lotz, diretora de atendimento ao cliente do aeroporto, informa que o feedback dos passageiros e da equipe de serviços tem sido muito positivo. “Achamos o Google Glass muito fácil de ser usado e mais amigável do que outros dispositivos, como o tablet. Com ele, conseguimos reduzir a quantidade de papel que nossos gestores precisam utilizar, como escalas de serviço, folhas de atribuição de secretária, prognóstico de pico, número de passageiros e chegadas de cruzeiros. À medida que os dispositivos deixam as mãos livres e os funcionários não estão se concentrando em uma tela, eles podem atender melhor aos passageiros”, garante.

Complementando, a diretora do aeroporto revelou que sua equipe de funcionários também observou que ter acesso pelo aparelho a serviços como o Google Tradutor e a informações sobre portões, bagagem e dados de voos ajudou bastante a melhorar o diálogo com os passageiros, ressaltando, ainda, que compartilhar informações com outros colegas por meio da câmera do dispositivo, para fins de documentação e publicação de fotos em um fórum fechado de trabalho, promove, ainda, grande interação entre os funcionários.

 

 

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