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Farinha de banana reduz índice glicêmico

Estudo desenvolvido na Universidade Federal de Lavras tem indícios positivos do uso da casca com a polpa da fruta no organismo de cobaias. Próximo passo é fazer testes em grupos de voluntários

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postado em 12/07/2014 00:12 / atualizado em 13/07/2014 23:09

Márcia Maria Cruz

 Um dieta equilibrada e rica em nutrientes é uma importante aliada no combate às enfermidades crônicas não transmissíveis, como câncer, diabetes e doenças cardiovasculares. E não é preciso gastar muito para compor refeições nutritivas. Há muitos alimentos com propriedades funcionais que podem ser adquiridos a baixo custo. Esse é o foco de uma das linhas de pesquisa do curso de nutrição do Departamento de Ciência dos Alimentos da Universidade Federal de Lavras (Ufla). Os estudos têm como objetivo encontrar alimentos mais em conta, economicamente, que possam ser introduzidos na dieta da população carente. E os resultados são bastante animadores.

Coordenada pelo professor Michel Cardoso De Angelis Pereira, uma pesquisa com a farinha da banana e o kefir, muito usado para fazer iogurte caseiro, já apresenta resultados. De acordo com o Ministério da Saúde, os alimentos funcionais caracterizam-se por oferecer vários benefícios à saúde, além do valor nutritivo inerente à sua composição química, podendo desempenhar um papel potencialmente benéfico na redução do risco de doenças crônicas degenerativas.

O primeiro experimento conduzido por Michel foi feito com a farinha produzida com banana prata semiverde. Foram feitos testes de três formas: com a polpa da fruta, com a casca, e com a mistura de polpa e casca. As farinhas foram introduzidas na dieta-padrão de ratos wistar. Foi avaliada a glicemia de 15 em 15 minutos em um período de duas horas para calcular o índice glicêmico da dieta.

A farinha feita com casca de banana não apresentou alteração do índice glicêmico. Por ser rica em fibras insolúveis, a farinha apenas contribuiu para o funcionamento intestinal dos animais. O emprego da farinha da polpa isolada ou misturada com a casca resultou em redução de 15% no índice glicêmico. “Clinicamente, é uma redução expressiva”, afirma o pesquisador. Apenas 10% da refeição composta pela farinha já é suficiente para alcançar a melhora no índice glicêmico. O bom disso tudo é que para fazer a farinha de banana basta partir a fruta em pequenos pedaços e levá-los ao forno, em temperatura branda. Depois que a banana estiver seca, deve ser triturada no liquidificador. “É fácil de fazer e é uma receita economicamente viável”, defende Michel. Para consumi-la, a pessoa pode adicioná-la ao feijão, à vitamina e a sucos.

 

Mistura com kefir interfere no colesterol 

 

O segundo experimento foi feito com a introdução do kefir na dieta dos ratos wistar, juntamente com a farinha. Nesse experimento, os pesquisadores mediram o colesterol (as lipoproteínas LDL, HDL e VLDL) e os triglicérides. Um tipo de gordura, o colesterol circula normalmente no sangue, sendo usado pelas células do corpo para construir as membranas celulares, para fabricação de hormônios e da vitamina D. Já os triglicérides são a principal forma de estocagem de energia dos animais, que os acumulam no tecido adiposo na forma de gordura.

 O grão de kefir é um agrupamento gelatinoso polissacarídeo que tem vários micro-organismos em simbiose. “Ele é usado há milênios. Você não encontra para comprar. As donas de casa passam umas para as outras”, diz o pesquisador. No experimento, o kefir foi introduzido em uma mistura de açúcar mascavo com água. Com o auxílio de seringa, a mistura foi dada via oral para os ratos wistar e trouxe resultados bastante positivos: redução de 10% a 15% no colesterol total, redução de 15% a 20% no LDL, popularmente conhecido como colesterol ruim, e uma leve elevação de 4% a 5% do HDL , conhecido como bom colesterol.

Nessa pesquisa, o kefir foi misturado a água e açúcar mascavo, porque nessa combinação há um resultado probiótico mais expressivo. As pessoas podem também fazer com o leite para o preparo de iogurte natural. “A mistura com água e açúcar mascavo não é tão saborosa, mas é um alimento de baixo custo e com bons resultados para a saúde”, pondera.

PESQUISA CIENTÍFICA COM VIÉS SOCIAL

O curso de nutrição desenvolve projetos de extensão com instituições de Lavras e região que atende crianças e idosos pobres. O objetivo é desenvolver atividades de caráter formativo sobre alimentos funcionais e educação nutricional. As crianças vão até a universidade aprender a composição de dietas ricas em nutrientes, como aproveitar alimentos e buscar alternativas mais baratas. “Fazemos teatros e jogos para que as pessoas possam aprender como se alimentar corretamente.” Os alimentos funcionais levam benefício ao organismo, auxiliando na prevenção de doenças crônicas.

O Departamento de Ciência dos Alimentos, em parceria com o Departamento de Ciência do Solo, desenvolve pesquisas sobre biofortificação (incorporação de nutrientes do solo para o alimento). O propósito dos estudos, coordenados pelo professor Luiz Roberto Guimarães Guilherme, é, por meio da fortificação, aumentar a composição de nutrientes no solo e consequentemente em alguns alimentos. Está em andamento pesquisa sobre fortificação da aveia com selênio e zinco. “São nutrientes que têm ação antioxidante no organismo.” 

 

daqui para o futuro

Dieta humana 

Em uma segunda etapa da pesquisa, a farinha de banana será introduzida na dieta humana. O experimento será feito com três grupos de 15 pessoas cada. A dieta do primeiro grupo não conterá a farinha. Na alimentação de um segundo grupo será introduzida a farinha de mandioca, e no terceiro grupo a farinha de banana. Eles vão receber um café da manhã padronizado e será avaliado o índice glicêmico de 15 em 15 minutos até completar duas horas. É o tempo necessário para que os pesquisadores consigam avaliar a resposta da insulina após o consumo da refeição.

 

 

Farinha de banana

» Redução de 15% no índice glicêmico

Farinha de banana + kefir

» Redução de 10% a 15% no colesterol total, redução de 15% a 20% no LDL, popularmente conhecido como colesterol ruim, e uma leve elevação de 4% a 5% do HDL , conhecido como bom colesterol.

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