VENENO DO AMOR

Veneno de aranha melhora o vigor sexual masculino

Pesquisadores da UFMG apresentam amanhã estudos de medicamento à base do fluido da aranha armadeira, para melhorar desempenho sexual masculino

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postado em 29/11/2012 04:02 / atualizado em 29/11/2012 07:54

Leonardo Augusto

O Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) entrou em um compasso de espera que vale US$ 500 milhões, ou R$ 1,04 bilhão. O montante de recursos é o total estimado para colocar no mercado mundial o chamado “Viagra brasileiro”, medicamento contra a disfunção erétil desenvolvido pela escola a partir do veneno da aranha armadeira. O cálculo do dinheiro necessário para o início da produção do remédio é da professora Maria Elena de Lima, doutora em neurociência pela Universidade do Mediterrâneo, em Marselha, na França, e responsável pela pesquisa que levou à descoberta da substância.
A pesquisa sobre o veneno da aranha armadeira teve início depois de relatos de médicos que atenderam pacientes picados pelo animal e que chegaram aos postos de saúde e hospitais com ereção. O medicamento depende agora de testes em grupos de humanos, uma das etapas mais caras do processo de colocação de uma droga no mercado.
O “Viagra brasileiro” será um dos projetos desenvolvidos pelo ICB/UFMG a serem apresentados no VI Encontro de Pesquisa em Bioquímica e Imunologia (Enapebi), que ocorre hoje e amanhã, no Centro de Atividades Didáticas (Cad) da universidade mineira. Será mostrado ainda o trabalho de pesquisa, também desenvolvido no instituto, e que levou à criação de um novo medicamento para hipertensão. A droga foi sintetizada a partir da toxina de um escorpião e, assim como a substância voltada para o melhor desempenho sexual masculino, depende de investimentos privados para ser colocado no mercado. “É um valor muito elevado, que instituições públicas não têm como fornecer”, diz a professora Maria Elena, que é também uma das organizadoras do VI Enapebi.
Marcos Michelin/EM/D.A Press
O novo remédio contra hipertensão já foi patenteado na Europa e nos Estados Unidos. “O medicamento pode atingir pessoas quem não respondem às drogas que existem no mercado”, diz um dos alunos da universidade integrantes do grupo de pesquisa do ICB, Lucas Secchim Ribeiro, que faz doutorado em imunologia na UFMG e também participa da comissão organizadora do VI Enapebi.
O ICB desenvolve ainda pesquisa sobre a relação entre a microbiota comensal, a chamada flora bacteriana, e processos inflamatórios. Nos experimentos feitos pelo instituto ficou comprovado que pacientes com a microbiota menor podem ter menos dor e inchaço em ferimentos na pele. A microbiota exerce funções importantes no organismo dos seres humanos, entres as quais a absorção da vitamina B12. A pós-graduação em bioquímica e imunologia do ICB é um dos cursos mais conceituados do país. A coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (Capes), do Ministério da Educação, deu nota máxima à sua estrutura em todas as avaliações feitas até hoje. O curso foi fundado em 1968.

ESTRELA O tema do VI Enapebi será “Ciência sem Fronteiras”. A expectativa é de que 150 acadêmicos de todo o Brasil apresentem pesquisas no encontro. “Vamos mostrar que o que estava fazendo vai longe, com gente recebendo prêmios lá fora”, diz a professora Maria Elena. Como exemplo, a doutora lembra um trabalho na área de biologia desenvolvido por um aluno da UFMG que recebeu o Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia.Um dos painéis do VI Enapebi terá a participação do neurocientista Miguel Ângelo Nicolelis, que lidera um grupo de pesquisadores da Universidade de Duke, em Durham, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. É uma das escolas mais ricas do mundo. A maior parte da receita da universidade vem de doações de ex-alunos. A palestra de Nicolelis terá como tema “Muito além do nosso eu, o cérebro movendo o mundo”, no primeiro dia do encontro.

 
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