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Muito além da vaquinha Sistema de financiamento coletivo já começa a chegar às redes sociais via aplicativos

Shirley Pacelli

Publicação: 26/04/2012 11:42 Atualização:

Fundador do Let%u2019s, André Pereira Gabriel explica que o site busca financiar exclusivamente projetos ligados às áreas sociais, ambientais, educacionais, esportivas e culturais (Túlio Santos/EM/D.A Press)
Fundador do Let%u2019s, André Pereira Gabriel explica que o site busca financiar exclusivamente projetos ligados às áreas sociais, ambientais, educacionais, esportivas e culturais
Nada dessa história de “muuuu” no ambiente virtual. A tradicional vaquinha ganha o nome estrangeiro de crowdfunding e amplia seu conceito. O funding (financiamento, em inglês) é uma entre as várias modalidades da ideia crowd, a revolução da multidão. Nesse sistema, as pessoas se mobilizam e, coletivamente, viabilizam projetos criativos que terão, de alguma forma, um impacto positivo para a sociedade. Reduz-se a lacuna entre intenção e ação.

No Brasil, o primeiro site de financiamento colaborativo foi o Catarse, criado em 2011. Desde então, surgiram diversas outras iniciativas semelhantes, e na última semana foi lançado o aplicativo Mobilize, para o Facebook. A novidade permite, de forma gratuita, transformar qualquer página da rede social em uma campanha de crowdfunding.

O mineiro André Pereira Gabriel, de 30 anos, é o idealizador da nova empreitada e fundador do Let’s site também de financiamento coletivo. Pela lógica, André Gabriel estaria lançando um concorrente para uma plataforma própria já consolidada no mercado. Mas ele explica que o site é voltado para projetos sociais, ambientais, educacionais, esportivos e culturais. Por seu lado, o Mobilize atende qualquer tipo de sonho: da festa de casamento de uma noiva ao lançamento do CD de uma banda.

“Ele é uma solução pioneira e inovadora. Com o aplicativo, fica mais fácil fazer a divulgação e incentivar o compartilhamento do projeto”, explica o idealizador. A recomendação, segundo ele, é fator- chave para o sucesso da campanha de um projeto de crowdfunding, e é essa uma das vantagens que aponta no uso do Mobilize no site de Zuckberg. “As pessoas estão curtindo e compartilhando posts dos amigos o tempo todo. Confia-se mais em links de conhecidos do que em propagandas. Além disso, o Brasil já é o terceiro em números de usuários do Facebook, com uma média de 231 amigos por pessoa.”

Entre as listas de diferenciais, inclusive do próprio site que tem, André Gabriel cita a agilidade do processo do Mobilize. “Nos outros serviços há morosidade. Fica aquela conversa com seus responsáveis até a campanha ser publicada. Com o Mobilize, assim que você o instala e faz a personalização, já pode divulgar o projeto em uma página própria”, ressalta. Para conferir os projetos em campanha, é só ir à página do aplicativo (www.mobilizefb.com), onde estarão reunidas as propostas mais populares. Novos usuários já relataram alguns problemas, como repasse automático do dinheiro doado e prorrogação do prazo limite (leia sobre o funcionamento do sistema crowdfunding na página 4).

Economia do afeto
É mais paixão do que calculadora. Não é recompensa material, mas a vontade de ver boas ideias se realizando que move os apoiadores das campanhas de crowdfunding. Tomás de Lara, 28 anos, percebeu isso há algum tempo e resolveu desenvolver plataformas on-line que reunissem pessoas ao redor do mundo em torno de coisas em comum. Dessa decisão surgiu a Engage, incubadora de projetos de tecnologia para engajamento nas áreas de produção colaborativa, cidadania e novas economias. A empresa, da qual Lara atualmente é sócio-fundador, criou o Catarse, primeiro site brasileiro para o financiamento coletivo de projetos criativos (http://catarse.me/pt). “A inovação na recompensa é que faz com que a proposta passe pela curadoria. A criatividade não é só na atividade fim. Vou gravar um CD e dar um adesivo para quem doou? Não. Além disso, posso citar o nome da pessoa em uma das músicas, fazer um show especial para quem der a cota máxima ou criar uma outra forma de divulgação do doador”, explica Lara.

Tomás de Lara, sócio-diretor da incubadora de projetos Engage, criou o primeiro site brasileiro crowdfunding, o Catarse (Daniel Larusso/Divulgação)
Tomás de Lara, sócio-diretor da incubadora de projetos Engage, criou o primeiro site brasileiro crowdfunding, o Catarse
A cada semana entram de seis a sete campanhas na plataforma e 60% delas são bem-sucedidas. “A recompensa é algo secundário. Trata-se da economia do afeto”, completa o fundador. Segundo ele, há um levantamento que mostra que cerca de 80% das pessoas que apóiam um projeto são os chamados 3Fs – família, friends (amigos) e fãs. Esses últimos movimentam o novo modelo econômico, no qual as pessoas se juntam para realizar um projeto só pelo afeto e consideração à proposta.

Uma boa forma de verificar se sua ideia é realmente boa ou se haveria compradores para o seu produto é por meio do crowdfunding. “Ela é uma plataforma de retorno imediato. Além disso, o usuário cria uma comunidade de interesse do seu lançamento”, explica Lara, acrescentando que a internet remove o intermediário; o produtor passa a vender diretamente ao consumidor. “Trata-se de uma revolução da comunicação direta.”

O código fonte do Catarse é aberto e muitas pessoas partiram dele para criar suas próprias ferramentas de crowd. Há 17 plataformas de financiamento colaborativo no Brasil. Em 2011, também surgiu o site Queremos (queremos.com.br/), que, por meio do apoio de fãs, consegue contratar show de bandas, que o público carioca quer assistir. Os responsáveis pela Engage também criaram o primeiro espaço de discussão e difusão do financiamento coletivo no país, o crowdfundingbr.com.br.

Conceitos 2.0  
Cocriação e inteligência coletiva são outros dois conceitos que são integrados ao sistema crowd, além do recente “consumo cooperativo”, termo criado por Rachel Botsman, defensora da ideia de que “o acesso é melhor do que a propriedade”. Para tornar mais próximo o conceito, ela cita, em uma apresentação do TEDx Sydney (http://migre.me/8N5sA), o exemplo das furadeiras, que são usadas, em média, 12 minutos em toda a sua vida útil (cerca de 15 anos). Produtos de alta capacidade ociosa podem ser alugados ou trocados e, dessa forma, promover um consumo mais sustentável.

Conexões sociais e internet
Inteligência coletiva é um conceito criado pelo filósofo Pierry Lévy. Segundo ele, novos pensamentos são formados por meio das conexões sociais estabelecidas por redes da internet. “Ninguém sabe tudo, todos sabem alguma coisa, todo o saber está na humanidade”, definiu em sua obra. Plataformas wikis, como a maior enciclopédia virtual colaborativa, funcionam dentro desse conceito.
Tags: celular

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Autor: Maria Tereza Artiaga
Quem me conhece sabe que eu falo a verdade. Dentre tantas outras que se tornaram realidade e fizeram a fama de muitos políticos chupa cabras, criei a idéia do PAI (Programa de Apoio a Industria) para pequenas e médias empresas, há muitos anos atrás. É uma idéia onde o dinheiro da população poderia in | Denuncie |

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