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Estado de Minas

Presença do anestesiologista é fundamental na hora de cirurgias


postado em 22/02/2012 07:23 / atualizado em 22/02/2012 09:56

(foto: STOCKPHOTOS)
(foto: STOCKPHOTOS)
Quando alguém está se preparando para uma cirurgia, é comum que tenha mais receio da anestesia do que da operação em si. É difícil encontrar quem não trema nas bases quando o assunto é ficar desacordado, desconectado do mundo ou com parte dos reflexos bloqueados pela indução de medicamentos. No entanto, o procedimento é cada vez mais seguro com a modernização dos monitores usados durante a anestesia. Juntamente com a monitorização adequada, a consulta pré-anestésica e a presença do médico especialista no assunto aumentam a segurança dos procedimentos de anestesia e sedação

Por essas razões, a Sociedade de Anestesiologia de Minas Gerais (Samg) tem insistido na importância da presença dos anestesiologistas durante procedimentos de sedação, mesmo os não cirúrgicos. É o caso de exames que precisam da imobilidade do paciente, como a ressonância nuclear magnética, ou que geram desconforto, como a colonoscopia e a endoscopia. Em alguns procedimentos odontológicos, que envolvam a sedação, também é indicada a presença do especialista.

Além desse profissional, em muitos casos há a exigência de equipamentos que garantam a ressuscitação do paciente, se houver uma complicação. Quem regulamenta o assunto é o Conselho Federal de Medicina (CFM), que, com base na Resolução 1886/2008, determina, entre outras coisas, que um estabelecimento de saúde que realize procedimentos clínicos cirúrgicos de pequeno e médio porte – como uma clínica de cirurgia plástica –, deve ter uma série de equipamentos, como aspirador de secreções, conjunto de emergência equipado com medicação específica e material de reanimação cardiorespiratória, fonte de oxigênio, entre outros.

Mas antes de chegar ao procedimento cirúrgico, é importantíssimo que o paciente passe pela consulta pré-anestésica. Embora poucas pessoas saibam, essa conversa minimiza a probabilidade de complicações durante a cirurgia. “É a oportunidade de pesquisar possíveis alergias para evitar, por exemplo, que o paciente entre em contato com o agente causador da uma reação alérgica na operação”, afirma a vice-presidente da Samg, Michelle Nacur Lorentz.

Nesse bate-papo, o especialista pode descobrir uma alergia às luvas usadas por médicos, o que não é incomum: a reação adversa ao látex ou à borracha é a segunda causa mais comum de reações durante cirurgias. O anestesiologista também pode investigar se o paciente faz uso de alguma substância que possa reagir com o medicamento da anestesia, drogas lícitas e ilícitas, bem como remédios fitoterápicos. Segundo Michelle, as incompatibilidades a diferentes substâncias podem ocorrer em uma a cada mil cirurgias, podendo ser fatais entre 3% e 10% dos casos. Na consulta pré-anestésica também é possível identificar a apneia obstrutiva do sono, outra situação bastante comum nas pessoas e que aumenta muito a chance de mortalidade durante os procedimentos anestésico-cirúrgicos.

Embora o paciente possa desconhecer que sofre de apneia, o problema aumenta os riscos de complicações cardiovasculares, pode atingir um em cada quatro homens adultos e uma em cada 10 mulheres. Também acomete as crianças, principalmente obesas. A consulta pré-anestésica ainda permite ao médico anestesiologista avaliar as vias aéreas do paciente, um diferencial de vida ou morte caso seja necessário a pessoa ser entubada para receber ventilação mecânica no decorrer da operação. “A avaliação da anatomia da cavidade oral é fundamental, pois o anestesiologista pode identificar alterações anatômicas que possam dificultar outros procedimentos necessários durante uma intervenção, como a entubação do paciente”, afirma a vice-presidente da Samg.

AVIÃO

Comparados aos instrumentos de uma cabine de aeronaves, os equipamentos de monitorização anestésica permitem que o anestesiologista detecte problemas cardiovasculares e respiratórios ao longo da cirurgia. “Embora nenhum procedimento seja isento de risco, podemos minimizá-los se nos cercarmos dos cuidados necessários”, afirma Michelle.
Para o presidente da Samg, Jaci Custódio Jorge, o procedimento anestésico assemelha-se à pilotagem de uma aeronave. Para que o voo dê certo, são necessários monitores modernos, bem como profissionais que saibam lê-los e operá-los com precisão. Para que um médico se especialize em anestesiologia são necessários três anos de residência na área e muitos treinamentos em simuladores. Como em cirurgias eles lidam com situações imprevistas, em que qualquer erro pode ser fatal, precisam estar com o treinamento afiado para eventualidades.

Por essa razão, as sociedades de anestesiologia defendem a importância de o médico anestesiologista participar de exames diagnósticos e outros procedimentos em que haja sedação, não se restringindo apenas às cirurgias. “Sedaçãozinha leve não existe. É um procedimento complexo, no qual o paciente pode aprofundar e, inclusive, parar de respirar”, afirma a primeira secretária da Saemg, Viviane Albergaria. Segundo ela, em muitos casos a sedação pode exigir os mesmos cuidados de uma anestesia geral, como a assistência ventilatória. A questão é polêmica, pois para outras especialidades médicas que fazem exames que exigem a sedação bastaria a participação de dois médicos da especialidade.
A presença do profissional é indicada pelas sociedades de anestesiologia em exames de ressonância nuclear magnética em crianças, endoscopias digestivas, colonoscopias e ecocardiograma transesofágico entre outros. No entanto, alguns planos de saúde não pagam a anestesia nesses procedimentos.

VEJA A DIFERENÇA ENTRE…


SEDAÇÃO
Procedimento que leva o paciente a dormir, mas sem que todos os reflexos fiquem bloqueados, inclusive os estímulos da dor. A sedação pode ser dividida em três tipos: consciente, inconsciente, profunda (além de estar inconsciente, o paciente pode não apresentar respiração espontânea, sendo necessária a assistência ventilatória).

ANESTESIA GERAL

Caracteriza-se pela hipnose (inconsciência), analgesia (ausência de dor ) e, geralmente, pela imobilidade. Pode ser intravenosa e complementada como anestésico inalatório. Requer a assistência ventilatória, embora nem sempre demande a entubação.

ANESTESIA LOCO-REGIONAL
Pode ser local (onde será feita a incisão cirúrgica) ou regional (quando se bloqueia o nervo responsável pela enervação de uma região). Não afeta a consciência do paciente, que permanece acordado. Pode ser do tipo raquidiana e peridural. Esse tipo de anestesia é feito para procedimentos abdominais ou de membros inferiores.

IMPORTÂNCIA DA CONSULTA PRÉ- ANESTÉSICA
É uma consulta que o paciente faz com o anestesiologista, em um consultório médico,
antes de se submeter a uma cirurgia programada. Entre os objetivos dessa conversa estão:
Avaliar a condição clínica e os exames pré-operatórios do paciente, estabelecendo assim o chamado risco anestésico-cirúrgico;

permitir ao anestesiologista se inteirar de possível medicação de que o paciente faça uso e suas consequências para o ato cirúrgico-anestésico;

se julgar necessário, o anestesiologista poderá pedir a interconsulta com outros especialistas (cardiologista, endocrinologista, pneumologista etc) para complementar a avaliação e/ou ajustar a medicação que será usada;

estabelecer uma relação médico x paciente entre o anestesiologista e a pessoa que será operada, diminuindo a ansiedade de quem passará pela intervenção e aumentando sua confiança no profissional;

o anestesiologista poderá explicar ao paciente a técnica que será usada, bem como suas possíveis complicações. O paciente terá a oportunidade de tirar todas as dúvidas em relação à anestesia;

diminuir ao máximo as chances de a cirurgia ser adiada ou mesmo suspensa devido a um preparo inadequado do paciente.


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