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Esquerda interrompida

Especialistas apontam o fracasso do projeto de governos socialistas hegemônicos no continente

Principais países da região, Brasil e Argentina sofrem com crise econômica

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postado em 13/08/2017 08:11 / atualizado em 13/08/2017 08:22

Paulo de Tarso Lyra

Juan Barreto/AFP

Brasília -
Idealizado há 27 anos pelo Foro de São Paulo, o projeto de governos de esquerda para a América Latina deu errado. O PT, afundado na maior crise ética de sua história, deixou como herança uma recessão profunda da qual o Brasil ainda luta para se livrar. Na Argentina, o segundo principal país do continente, foi eleito um presidente alinhado ao setor produtivo - como uma maneira de se contrapor aos anos de kirchnerismo. E a Venezuela caminha para uma guerra civil e o recrudescimento de um regime ditatorial sob o comando do presidente Nicolás Maduro.

O Foro de São Paulo reunia partidos de esquerda e representantes de movimentos sociais, capitaneados pelo PT e pelo seu principal líder, Luiz Inácio Lula da Silva, que planejavam criar um discurso unificado contra o neoliberalismo e exportar, para o continente, um modelo de oposição ao status quo político reinante. Com a chegada de Lula ao Planalto, em 2003 - nesse ano, Hugo Chávez já havia sofrido tentativa de golpe na Venezuela -, houve uma onda de governos eleitos com viés socialista no continente, sendo os mais expressivos o casal Kirchner, na Argentina; Evo Morales, na Bolívia; Rafael Correa, no Equador; Tabaré Vasquez e Pepe Mujica, no Uruguai; Fernando Lugo, no Paraguai; e Michelle Bachelet, no Chile.

“Apesar de ter havido melhora social significativa nos países governados por líderes que se identificam com a esquerda, em termos econômicos houve subestimação do fim do ciclo das commodities e dificuldade em manter os gastos sociais diante de um cenário mais desfavorável”, pontua a pesquisadora do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Unesp, Carolina Silva Pedroso. “De certa forma, governar para gerar resultados bons a curto prazo faz parte do jogo democrático, e, mesmo que alguns deles tenham conseguido acumular reservas internacionais no boom dos preços dos produtos primários, esse ‘colchão’ não parece ter sido suficiente para evitar a debacle econômica que, em maior ou menor grau, atingiu todos os países”, completa.

O segundo mais relevante país do continente é um exemplo. Desde o início da década de 1990, a Argentina vive assolada em crises econômicas. Ao longo dos governos do casal Kirchner - sobretudo na gestão de Cristina -, as métricas econômicas eram manipuladas, o que levou o Fundo Monetário Internacional a impor sanções ao país. “Essas medidas ultraprotecionistas, aliadas a uma base econômica reduzida, quebraram o país”, afirma a estrategista macroeconômica da XP Investimentos com base em Nova York, Daphne Wlasek.

CONFIANÇA

Nem mesmo o Chile, apontado como modelo, por causa da reforma da educação e da Previdência, escapa das dificuldades. A presidente Michelle Bachelet, eleita em 2013 após passar quatro anos na oposição, enfrenta os menores índices de popularidade da gestão. “As reformas implantadas e as políticas do governo atual minaram a confiança do empresariado. Houve outros fatores que levaram a economia chilena a crescer a mais ou menos 1,5% este ano, enquanto no período antes da crise e até mesmo antes de Bachelet assumir, a economia crescia a mais ou menos 4%”, diz o estrategista de macroeconomia da XP Alvaro Mollica.

“Hoje, vivemos um momento inverso, caracterizado pelas mudanças de governo no Brasil e na Argentina - os dois maiores países da região - e a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, o que mostra uma diminuição da influência do pensamento de esquerda na região”, avalia o professor de ciência política do Ibmec/MG Oswaldo Dehon. Ele, contudo, acrescenta que, mesmo antes dessa experiência socialista, não dá para dizer que a região vivia uma fase completamente liberal. “Especialmente por causa do discurso intervencionista proferido por Ronald Reagan, muitos dos governos sul-americanos, bem como os empresários que aqui atuavam, tinham uma ligação próxima ao Estado”, prossegue Dehon.

Para o professor de ciência política do Ibmec, é um equívoco dar um protagonismo exagerado ao Foro de São Paulo neste processo, lembrando que outras associações políticas e a própria realidade regional ajudaram na chegada dos governos de esquerda ao poder praticamente no mesmo período. “Foi fruto do fracasso das políticas neoliberais promovidas pelos governos de Fernando Henrique Cardoso (Brasil); Alberto Fujimori (Peru), Carlos Menem (Argentina), Gonzalo Sanchez de Lozada (Bolívia) e Carlos Andrés Perez (Venezuela)”, aposta a secretária de Relações Internacionais do PT, Monica Valente.

Venezuela é o maior sintoma

Brasília - A crise na Venezuela talvez seja o sintoma mais agudo da derrocada do discurso socialista na região. Na sexta-feira, o presidente Nicolas Maduro encaminhou à Assembleia Nacional Constituinte, composta somente por representantes alinhados ao governo, uma proposta de prisão por até 25 anos para quem for às ruas incitar um discurso de ódio. Já são mais de 120 mortos nos confrontos dos manifestantes com a polícia. A radicalização no discurso é ainda mais perigosa porque o maior país do continente, os Estados Unidos, estão sendo governados por Donald Trump. E ele avisou, também na sexta, que poderá utilizar a força militar no país. “A Venezuela é um desastre muito perigoso”, disse Trump.

A relação do PT com a Venezuela vive um momento delicado. O ex-presidente Lula, que sempre foi considerado um espelho e o grande irmão pelos governantes bolivarianos da região, tem evitado expor opiniões muito contundentes sobre a crise venezuelana. Diferentemente da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, durante discurso no 23º Encontro do Foro de São Paulo, realizado em 17 de julho, em Manágua, capital da Nicarágua. “O PT manifesta seu apoio e solidariedade ao governo do PSUV, seus aliados e ao presidente Nicolás Maduro frente à violenta ofensiva da direita contra o governo da Venezuela e condenamos o recente ataque terrorista contra a Corte Suprema. Temos a expectativa de que a Assembleia Constituinte possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da revolução bolivariana e que as divergências políticas se resolvam de forma pacífica”, disse Gleisi.

Lula, enquanto presidente, sempre teve uma relação pragmática e cuidadosa com os bolivarianos. Quando assumiu a Presidência, em 2003, o petista criou o grupo batizado de Amigos da Venezuela, composto por Chile, Espanha, Estados Unidos, México e Portugal, que atuou para colocar fim a uma greve de mais de 45 dias da oposição venezuelana após a tentativa de um golpe fracassado contra Hugo Chávez. Em uma das várias crises políticas vividas no país vizinho, Lula chegou a ser pressionado por aliados a não elogiar Chávez de maneira tão contundente.

“Vocês me arrumem um parceiro comercial que me dê US$ 5 bilhões de superávit na balança e eu prometo que largo Chávez no dia seguinte”, devolveu Lula. Era o momento do ciclo do petróleo em alta, o que permitia aos venezuelanos terem poder de compra elevado. “Não estou aqui avalizando o que está acontecendo na Venezuela. Mas é bom lembrar que existem vários interesses externos nesse conflito porque é um país importante geopoliticamente por causa do petróleo”, destacou o ex-presidente nacional do PT, ex-ministro e ex-deputado Ricardo Berzoini.

POLÍTICA X ECONOMIA

Petistas lembram que a postura de Lula perante os bolivarianos, especialmente a Venezuela, era movida por interesses também políticos, não apenas econômicos. O petista desfilava pela esquerda europeia com desenvoltura em um momento em que os socialistas haviam sido varridos do continente. Por aqui, mantinha a porta aberta com Chávez, Evo Morales, Rafael Correia e o casal Kirchner, que era mais populista como herdeiros do peronismo do que, necessariamente, socialista.

Servia também para conter os radicais internos, enquanto promovia ações econômicas pouco afeitas à esquerda. “É bom lembrar que o nosso governo tinha Roberto Rodrigues (Agricultura), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Henrique Meirelles (Banco Central)”, exemplificou Berzoini. Para alguns petistas, o erro do atual governo foi encurralar Maduro. “O PT e nossos governos sempre atuaram pelo fortalecimento do diálogo. O governo Temer e o Itamaraty causam vergonha por suas atitudes incendiárias na crise do país vizinho”, acusou a secretária de Relações Internacionais do PT, Monica Valente.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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jorge
jorge - 14 de Agosto às 07:50
Oh! Full pare de escrever asneira. Nazismo e fascismo são movimentos socialista de esquerda, ditatorial como são o comunismo e outras correntes marxistas. Vai estudar.
 
MARCONI
MARCONI - 14 de Agosto às 09:21
Meu deus....bêbado já na segunda pela manhã?
 
vicente
vicente - 13 de Agosto às 16:57
O Brasil conseguiu o "troféu" de ser eleito o TERCEIRO país mais ignorante do universo (Instituto Ipsos Moris). Portanto não é de se espantar que numa sociedade de aloprados e ignorantes, seja o local favorável para infeccionar as instituições e o Estado com essa horda de imbecis socialistas e comunistas de araque e sem caráter. Sem caráter, SIM porque deveriam ser coerentes e não utilizar a internet nem as tais redes sociais, essa invenção do hediondo capitalismo que eles dizem odiar, mas que dele se nutrem.
 
Celso
Celso - 13 de Agosto às 17:30
Não sabia que tinham privatizado a internet e as redes sociais também. Viva a democracia do capitalismo!
 
JANE
JANE - 13 de Agosto às 16:50
Lula 2018!
 
Full
Full - 13 de Agosto às 15:37
Só lembrando aos Maurinhos da vida, analfabetos funcionais e demais incautos, e imbecis em geral, que o nazismo era de direita.
 
Druso
Druso - 13 de Agosto às 12:03
sem contar que comunista come criancinha, né.
 
Mauro
Mauro - 13 de Agosto às 12:54
Hoje, depois daquela "cartilha", sabemos que isso é verdade...
 
FullMetalJacket
FullMetalJacket - 13 de Agosto às 12:02
ô bando de analfabetos, países dito capitalistas da europa têm políticas sociais bem mais abrangentes e generosas do que aquelas democracias da américa do sul, que vcs chamam de bolivarianas.
 
Mauro
Mauro - 14 de Agosto às 09:31
Jane, só não pode ser daqueles que você leu sem questionar seus "professores".
 
Mauro
Mauro - 14 de Agosto às 09:30
Talvez, seja porque era um movimento trabalhista e contou com o apoio de trabalhadores. Nazismo só era de direita para professores esquerdinhas.
 
JANE
JANE - 13 de Agosto às 16:52
Ô Mauro, pare de postar asneiras e vá procurar um livro pra ler. Quem sabe, assim, vc aprende alguma coisa.
 
Mauro
Mauro - 13 de Agosto às 12:57
Eu, mesmo pobre, sempre procurei resolver meus problemas com instintiva exclusão das políticas sociais. Sempre considerei que seria uma vergonha depender do estado para coisas que uma pessoa, em condições normais, poderia pagar. Fora a a qualidade dos serviços.
 
Angelo
Angelo - 13 de Agosto às 11:57
Acorda ! por que se não seremos todos colonias pois escravos do capital financeiro já estamos o povo brasileiro só paga dividas !
 
Mauro
Mauro - 13 de Agosto às 12:59
Antes isso, do que ser escravo da falta de capital, como na Venezuela e Cuba. Pior do que ter dívidas, é não poder fazê-las.
 
Angelo
Angelo - 13 de Agosto às 11:56
A Venezuela ainda resiste , as ameaças só aumentam a meta é roubar a riqueza do povo e torna-los submissos !
 
Mauro
Mauro - 13 de Agosto às 13:01
Entendi. "A Venezuela ainda resiste. As ameaças só aumentam. A meta é roubar a riqueza do povo e torná-los submissos." Bem pontuado, dá para entender.
 
Angelo
Angelo - 13 de Agosto às 11:53
O Brasil de auto suficiente com o golpe ! passou a comprar quantidades crescentes de oleo Diesel, gasolina, e demais derivados dos EUA!
 
Angelo
Angelo - 13 de Agosto às 11:51
Especialistas ? só se for do capital financeiro e seus interesses sobre a Venezuela e o Brasil , aqui como lá tentam destruir o refino e a infra-estrutura da indústria do petróleo !
 
Mauro
Mauro - 13 de Agosto às 13:03
É, mas, quem fez isso, na cara de todo mundo, foram Dilma, Lula e o PT. Acuse os outros do que você ou faz.
 
claudio
claudio - 13 de Agosto às 10:54
Sem falar que estes safados não têm projeto de governo..tinham apenas projeto de tomada de poder!!...são coisas diferentes!!
 
claudio
claudio - 13 de Agosto às 10:53
estes canalhas que se apoderaram do governo com um discurso hipócrita pretendendo ser politicamente correto são apenas ladrões..pessoas desqualificadas, sem moral e sem asseio, como a dilma suja e o lula canalha.Por outro lado a direita também tem seus porcos como o aécio ( 3ª geração de ladrões ) , temer, eduardo cunha..e cia ltda!..o que falta é pena de morte para corruptos , indendente da cor da bandeira!!
 
Gilney
Gilney - 13 de Agosto às 10:27
Exemplos de países esquerdistas: Ex-União Soviética, Ex-Alemanha Oriental, Cuba, Venezuela, Nicaragua, Zimbabue, Angola, Congo, Gabão, Argentina de Cristina Kirchner (Pior crise da história), Brasil de Dilma (Pior crise da história). Corrupções, atrasos, violências, enganações e principalmente falta de liberdade. Esta é a realidade esquerdista.
 
Gilney
Gilney - 13 de Agosto às 10:13
Além de não termos nenhum exemplo na história em nenhum lugar do mundo onde a esquerda deu certo, o que sempre assistimos foram. na verdade, oportunistas e criminosos que se apropriaram indevidamente dos ideais esquerdistas. Se verificarem na história, quase todos, ou melhor, todos, os governos esquerdistas se inclinaram para a ditadura. Ou foram obrigados pelas dificuldades ou pelo oportunismo mesmo. As ditaduras esquerdistas sempre mais letais para a população do que as não esquerdistas. Comparem Cuba de Fidel com a nossa ditadura militar em numero de mortos e desaparecidos: 200 mil para 400
 
Mauro
Mauro - 13 de Agosto às 11:41
"O poder é como o violino. Toma-se com a esquerda e toca-se com a direita." Grande verdade.
 
Mauro
Mauro - 13 de Agosto às 10:09
Diálogo com Maduro? Só o Berzoini mesmo. Tem que varrer essa lixaiada do mundo.
 
Carlos
Carlos - 13 de Agosto às 09:58
A esquerda nunca deu certo em nenhum lugar do mundo. Comunistas com o dinheiro dos outros, são uma piada. Deveriam ir todos para a prisão, corruptos e mentirosos.
 
Mauro
Mauro - 13 de Agosto às 11:11
Bateram a cabeça na parede a vida toda e, agora, querem bater a dos outros.