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'Expandiu-se demais a investigação, além dos limites', diz Gilmar

Segundo o ministro, a Lava-Jato abriu inquérito para investigar o que já estava explicado

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postado em 19/06/2017 13:01 / atualizado em 19/06/2017 13:26

Agência Estado

João Cruz / Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, criticou nesta segunda-feira (19) o que chamou de "abusos" em investigações. "Investigação sim, abuso não", defendeu o ministro, durante seminário do Grupo de Líderes Empresariais em Pernambuco. Embora tenha falado de uma "importante conquista" da Lava-Jato, Gilmar levantou duras críticas a juízes e procuradores e chegou a ser aplaudido pela plateia em alguns momentos.

"Expandiu-se demais a investigação, além dos limites. Abriu-se inquérito para investigar o que já estava explicado de plano. Qual é o objetivo? É colocar medo nas pessoas. É desacreditá-las. Aí as investigações devem ser questionadas", disse na palestra, que foi transmitida ao vivo pelo Youtube.

Gilmar voltou a criticar a investigação aberta contra os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Francisco Falcão e Marcelo Navarro, para apurar se os ministros foram nomeados em troca de uma atuação que pudesse obstruir o avanço da Lava-Jato. "O objetivo é constrangê-lo. E constranger o tribunal e constranger a magistratura".

Para o ministro, nenhum país deve se organizar, em termos institucionais e econômicos, com o propósito principal de combater a corrupção. "Em algum momento, parece que o País se voltou para isso: 'não posso fazer a reforma da Previdência por que tenho que combater a corrupção'. Não pode ser assim", disse o ministro.

Gilmar afirmou que entende que combater a corrupção tenha se tornado "programa monotemático" para procuradores e promotores, que foram "colocados no centro do debate nacional". Mas, para ele, as investigações começaram a abordar até situações de "mera irregularidade". "Consciente ou inconscientemente, o que se passou a querer era mostrar que não havia salvação no sistema político". Como exemplo, o presidente do TSE citou as doações por caixa 2, uma prática que ele já havia dito que não necessariamente pressupõe corrupção.

Defendendo a reforma política em seu discurso, Gilmar disse que não se faz democracia sem política e sem políticos. "Quem quiser fazer política, que vá aos partidos políticos e faça política lá. Não na promotoria, não nos tribunais", disse Gilmar, que ouviu aplausos em seguida.

O ministro criticou, ainda, a possibilidade de um governo gerido por juízes e promotores. "Deus nos livre disto. Os autoritarismos que vemos por aí já revelam que nós teríamos não um governo, mas uma ditadura de promotores ou de juízes", disse o ministro, que voltou a ser aplaudido. "Não pensem que nós juízes ou promotores seríamos melhores gestores."

Seguindo a crítica, Gilmar falou de benefícios pagos a juízes e promotores, como o auxílio moradia, e disse que "ninguém (do Judiciário) cumpre teto (salarial), só o Supremo". E emendou a frase perguntando: "Vocês vão confiar a essa gente que viola o princípio de legalidade a ideia de gerir o País? Não dá".

Temer e Aécio


Embora sem citar diretamente o senador Aécio Neves (PSDB) nem o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, Gilmar criticou a decisão por meio de liminar para o afastamento de um parlamentar. "Se está a banalizar. Dá-se uma liminar para suspender um senador do mandato. Onde está isso na Constituição? Não está, mas a gente inventa."

Gilmar também criticou, sem citar diretamente Joesley Batista, a ação em que o empresário da JBS gravou o presidente no Palácio do Jaburu. "Nós não podemos despencar para um modelo de estado policial. Investigações feitas na calada da noite, arranjos, ações controladas, que tem como alvo muitas vezes qualquer autoridade ou o próprio presidente… é preciso discutir isso."
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Voltaire
Voltaire - 20 de Junho às 19:56
Claro que expandiu Gilmar Mendes, pois a cada dia aparece um corrupto novo. Mas isto é medo, não é? A Lava Jato pode descobrir muito mais coisas. Se o senhor ajudasse invés de atrapalhar, acho que o tempo seria menor.
 
Argemiro
Argemiro - 19 de Junho às 19:20
O que expandiu demais não foi a corrupção? Acho que pra variar o ministro está equivocado: A lava-jato é consequência da corrupção, e acredito eu e a maioria dos brasileiros, que com apoio irá expandir ainda mais.
 
Carlos
Carlos - 19 de Junho às 19:04
Não vou chamar de porco para não ofender aqueles animais!
 
Marcilio
Marcilio - 19 de Junho às 19:03
Expandiu aos Três Poderes? Ou expandiu a corrupção nesses últimos 12/13 anos? Não podemos parar agora!!! É a última chance...
 
JOSE
JOSE - 19 de Junho às 18:40
E QUAL É O LIMITE NA OPINIÃO DO MERITÍSSIMO??? PODEMOS SABER?
 
sandro
sandro - 19 de Junho às 18:24
.....é......realmente ta correndo o risco de se descobrir muita coisa a mais que nao se pode ne Sr Gilmar Mendes. A sociedade ta percebendo os interesses por tras dos bastidores.......chega ne Brasil
 
ÉRIKA
ÉRIKA - 19 de Junho às 17:41
O foco era só o PT, o Lula ... operação tucana.
 
adelio
adelio - 19 de Junho às 17:29
Expandiu demais porque a quantidade de bandidos aumentou muito. Inclusive o Aécio que você está protegendo.
 
sebastião
sebastião - 19 de Junho às 17:05
Está havendo mal entendido: Se expandiu demais, como disse o ministro, logicamente, é grande o número de desonestos, que mamou o dinheiro do país. Parece que o ministro está temendo.
 
Daniel
Daniel - 19 de Junho às 17:02
Deveria falar mais no processo de que na mídia! Deixar de ser polêmico e dar mais agilidade na manutenção da justiça! Peca em seus atos e opiniões! Lamentável!
 
Ronaldo
Ronaldo - 19 de Junho às 16:11
Boca de sapo, DEFENSOR DE LADRÕES E CORRUPTOS, sua hora vai chegar, de um jeito ou de outro, uma metástase estaria de bom tamanho.
 
Heveraldo
Heveraldo - 19 de Junho às 15:07
Tá quase alcançando ELE mesmo. Hahaha.