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De Pero Vaz de Caminha aos políticos brasileiros

"Águas são muitas; infindas. Porém, o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza deve lançar"

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postado em 19/11/2016 11:00 / atualizado em 19/11/2016 08:57

Baptista Chagas de Almeida /Estado de Minas


“E assim seguimos nosso caminho, por este mar, de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril, estando da dita Ilha obra de 660 ou 670 léguas, segundo os pilotos diziam, topamos alguns sinais de terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam fura-buxos.

Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome – o Monte Pascoal e à terra – a Terra da Vera Cruz.

Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados como os de Entre Douro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.

Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem. Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.

E que aí não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta navegação de Calecute, bastaria. Quando mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa santa fé. E nesta maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza do que nesta vossa terra vi. E, se algum pouco me alonguei, Ela me perdoe, que o desejo que tinha, de Vos tudo dizer, mo fez assim pôr pelo miúdo.

E pois que, Senhor, é certo que, assim neste cargo que levo, como em outra qualquer coisa que de vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro – o que d’Ela receberei em muita mercê.

Beijo as mãos de Vossa Alteza. Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.

Pero Vaz de Caminha”.

Uai, o que tem isso a ver com uma coluna de política? Bastam as manchetes da capa da edição de ontem do jornal: “O Rio não merece um rio sujo” ou a da página três “Caciques do Rio atrás das grades”. E repetir um trecho da carta: “Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem. Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente”. A população, não os políticos, vale ressaltar.

 

Dia de calmaria
Depois de dois dias de muita turbulência, a Assembleia Legislativa de Minas viveu ontem, finalmente, um dia de tranquilidade. Faltou quórum de manhã. A Mesa Diretora nem sequer abriu os trabalhos, contrariando parlamentares do bloco da situação, em especial um deputado petista que tentava pegar colegas a laço pelos corredores da Casa e insistindo com o presidente interino da Mesa, Hely Tarquínio (PV), para abrir a sessão. Mais duro do que nunca, Tarquínio falou bem alto no microfone que não recebia ordens de ninguém. “Quem manda aqui sou eu. Vou colocar ordem na Casa e pronto.” E não abriu a sessão. À tarde, já sob a presidência de Adalclever Lopes (PMDB), a sessão foi aberta. Só que durou apenas meia hora. Não houve tempo nem para os funcionários de gabinete protestarem nas galerias.

 

Pede desculpa
Já que ontem era dia de maré baixa nas galerias – depois de tanta confusão esta semana –, vale registrar que, na quinta-feira, a deputada Ione Pinheiro (DEM) aproveitou para condenar a nova norma da Assembleia, que colocou elevadores para os parlamentares de forma privativa. “Peço desculpas ao povo mineiro por esse descalabro. Eu não me sinto confortável em entrar em um elevador e esticar o dedo para leitura digital e colocá-lo para funcionar. Acho uma grande falta de respeito com quem frequenta a nossa casa, que é do povo”. O detalhe mais curioso é que Ione Pinheiro (foto) foi aplaudida pelos deputados presentes no plenário. Quem diria?

 

Picuinha pouca...
... é bobagem. Está em site ligado à maior emissora de TV do país: na capa, o título “Preparação do Alvorada para receber família Temer custa R$ 20 mil”. E clicando na matéria, vem mais implicância: “O governo federal gastou R$ 20.279,65 em reparos e na manutenção do Palácio da Alvorada para receber a família Temer, que atualmente mora no Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-presidência da República”. Melhor não ir mais longe, basta o comentário no próprio site de Gustavo Rod: “Só?? Arrumar apartamento funcional de congressista custa 20x mais...”

Cizânia total
A Executiva Nacional do Partido da República (PR) surpreendeu, na Assembleia Legislativa de Minas, seus dois deputados. No início da sessão da tarde, Arnaldo Silva anunciou – e foi no plenário – que ele e o colega missionário Márcio Santiago haviam recebido comunicado ordenando que votassem a favor do governador Fernando Pimentel (PT) para que ele não seja julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Não vou cumprir ordem alguma da Executiva. Eu voto pelo sim e não temo ser expulso do partido. O que eles fizeram foi uma grande falta de respeito. Não nos consultaram para nada. Reforço: não vou cumprir ordem alguma”, avisou Arnaldo.

 

PINGA FOGO

 

Em tempo: a carta de Pero Vaz de Caminha sobre o descobrimento do Brasil foi enviada ao a el-rei dom Manuel (foto), o monarca da época em que Portugal singrava os mares em busca de riquezas, nem sempre seguindo o caminho da paz.

E os petistas não desistem, em seu site preferido. Insistem e ficam repetindo o mesmo assunto em suas matérias que o presidente Michel Temer (PMDB) recebeu propina da Odebrecht na campanha.

Ora, bolas, tenho que repetir mais uma vez: propina em conta pessoal com cheque nominal à campanha (onde foi depositado) do então candidato a vice-presidente? Me poupe! É pura falta de imaginação, ou... Não dá para escrever, proibido para menores.

Mais um tempo, explica o deputado Arnaldo Silva (PR): “Além de exercer o cargo de parlamentar na Assembleia Legislativa, sou advogado militante na área do direito público. Portanto, possuo e defendo convicções e princípios jurídicos que sempre pautaram minha atuação profissional em quase 20 anos de trabalho”.

E continua: “O princípio da presunção de inocência é uma garantia processual que afasta a possibilidade de condenação antecipada, até que a sentença condenatória tenha transitado em julgado”. É ainda sobre seu voto pela abertura de processo de Fernando Pimentel.

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