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Com profissionais do PMDB, Freixo dá guinada agressiva

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postado em 20/10/2016 07:31 / atualizado em 20/10/2016 08:14

Agência Estado

Rio de Janeiro - Em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, o candidato do PSOL à prefeitura do Rio, Marcelo Freixo, decidiu apostar, até o dia da votação, na "desconstrução" da imagem do adversário, Marcelo Crivella (PRB). A guinada se deu após Freixo ter sido convencido por novos profissionais de sua equipe, que já atuaram em campanhas do PMDB e do PSDB, de que somente se bater duro em Crivella terá alguma chance de vencer. Os novos integrantes chegaram à campanha de Freixo após o debate na Band.

A estratégia do candidato do PSOL, iniciada com acusações - negadas pelo oponente - de ligações com o ex-governador Anthony Garotinho (PR), chegou ao auge no debate da Rede TV!, na terça-feira, 18. Freixo também foi incisivo ao questionar Crivella sobre o livro Evangelizando a África. Na obra, o bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus critica homossexuais e se refere a outras religiões como "diabólicas".

O candidato do PSOL bateu no apoio dado por milicianos da zona oeste a Crivella. "Você deu entrevista dizendo que esse apoio (dos milicianos) era bem-vindo", disse ele a Crivella.

"O problema é que você não confirma o que você fala, não confirma o que você escreve. Por trás dessa fala mansa, ninguém sabe quem você é de verdade. Isso está assustando o Rio de Janeiro, e você está preocupado e começa a ser agressivo. Você está perdendo o controle porque sabe que vai perder essa eleição. Em 2008, enquanto eu investigava o Deco, um vereador preso, você o apoiava. Nossas diferenças, Crivella, não nascem hoje, vêm de muito tempo", disse Freixo.

Os patronos da mudança de tom são profissionais que atuaram em campanhas vitoriosas do PMDB nos últimos anos no Rio, na pré-campanha de Aécio Neves (PSDB) à Presidência em 2014 e na campanha derrotada de Pedro Paulo (PMDB) neste ano. Em caráter pessoal, eles procuraram o candidato e o alertaram de que o tom "propositivo" e ameno o levaria a uma acachapante derrota.

O resultado da conversa foram inserções e programas de TV recheados de acusações a Crivella, que começaram a bombardear o adversário na semana passada e subiram de tom no fim de semana. Além de citar ligações com Garotinho, cujo partido integra a coligação do senador e indicou o vice Fernando MacDowell, a propaganda do PSOL reproduziu vídeo em que a ex-vereadora Carminha Jerominho anuncia apoio a Crivella.

Carminha é filha do ex-vereador do PMDB Jerônimo Guimarães, o Jerominho, condenado a dez anos de prisão, sob acusação de ser chefe da maior milícia da cidade, e sobrinha do ex-deputado pelo DEM Natalino Guimarães, preso pelo mesmo motivo.

Resposta


Crivella, que investiu no que os profissionais de comunicação chamam de "reposicionamento de imagem" - afastou-se da igreja, aproximou-se de sambistas e religiões afro-brasileiras e conseguiu apoio de intelectuais, alguns de esquerda -, reagiu. Em episódio raro, pareceu perder a calma no debate da Rede TV!. "Não vou baixar o nível e dizer que você é safado e vagabundo", afirmou.

Na quarta-feira, 19, em reunião com empresários na Associação Comercial do Rio, acusou Freixo de querer transformar o Rio em um "bunker da esquerda" e de fazer "revolução bolchevista via impostos". Crivella se apresentou ainda como o candidato que poderia dialogar com o governo federal e parlamentares. "Precisamos ver agora quem pode fazer parcerias, quem pode tirar o Rio do isolacionismo, quem pode marcar uma audiência e ser recebido pelos ministros. Quero ver o PSOL conseguir com esse discurso raivoso e radical aprovar alguma coisa na Câmara e no Congresso."

Após o primeiro turno, isolado na liderança, segundo pesquisas, Crivella cancelou a participação em debates e se dedicou a agendas em Brasília. Depois da mudança de estratégia de Freixo, passou a se explicar sobre livros que publicou nos anos 1990. Além daquele em que se refere à homossexualidade como "terrível mal", Crivella organizou outro de pensamentos de Edir Macedo, seu tio, 501  Pensamentos do Bispo Macedo, em que este defende papel submisso da mulher.
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