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Igreja divulga carta com vetos eleitorais

Arquidiocese de Belo Horizonte orienta padres e fiéis sobre a conduta durante o pleito de outubro. Regras proíbem campanha para candidatos em missas e outros eventos católicos

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postado em 28/09/2016 06:00 / atualizado em 28/09/2016 07:17

Flávia Ayer

Cristina Horta/EM/D.A Press - 16/10/14

A Arquidiocese de Belo Horizonte divulgou carta com orientações sobre conduta de fiéis e corpo eclesiástico durante as eleições municipais. O texto proíbe, terminantemente, o uso de fotos, textos e imagens de padres, diáconos, vigários, bispos e do arcebispo metropolitano, dom Walmor Oliveira de Azevedo, em materiais de propaganda eleitoral. Na Diocese de Leopoldina, na Zona da Mata, um padre foi suspenso das atividades de sacerdote por se lançar candidato a vereador.


A Cúria também veta a divulgação de candidaturas ou de partidos nas missas e em eventos em geral das paróquias católicas. As orientações são assinadas pelo próprio dom Walmor com os bispos auxiliares dom Joaquim Mol Guimarães, dom João Justino Silva e dom Edson José dos Santos.

Segundo a carta, a proibição de vinculação política ocorre em “respeito à missão de ministros ordenados da Igreja e pelos balizamentos canônicos que não nos permitem envolvimento partidário”. “A regra geral é que padres, diáconos e bispos não sejam candidatos. Pelo espaço que eles ocupam na Igreja, também pedimos para que eles não indiquem nomes”, afirma o bispo-auxiliar dom João Justino.

Mas as instruções do documento não se restringem a integrantes do corpo eclesiástico. A Arquidiocese não proíbe fiéis de se candidatarem e ainda reforça que eles poderão continuar em suas atividades ministeriais e pastorais. Entretanto, a instituição veda o uso do serviço na Igreja como forma de propaganda eleitoral. “(Leigos e leigas) não devem portar em funções litúrgicas, quando for o caso, nem vestes nem outros objetos de propaganda”, aponta o texto.

Dom João Justino esclarece que, no caso dos fiéis, há, inclusive, o incentivo de que os membros capacitados entrem na vida política. “O fiel tem a possibilidade para expor seu projeto, mas isso não pode ocorrer durante uma missa ou qualquer rito litúrgico”, reforça.

A carta serve também como um incentivo à participação dos eleitores na política, a partir do voto consciente. “Compreendemos que o momento das eleições é hora importante para o exercício da cidadania. A orientação é para fazer o discernimento à luz cristã e da doutrina social da Igreja”, reforça dom João Justino.

A Igreja descreve as balizas do que define como um voto consciente, apontando como prioridades ações relacionadas à população de rua e aos sem casa, bem como aos moradores de aglomerados. O documento também cita a necessidade de tratar como prioridade a qualidade na saúde, educação, segurança, mobilidade e os programas de distribuição de renda.

SUSPENSÃO A incompatibilidade entre atuação partidária e as atividades sacerdotais levaram o bispo diocesano de Leopoldina, dom José Eudes Campos do Nascimento, a suspender o padre Eduardo Inácio de Abreu do exercício da função. O padre é candidato a vereador pelo PCdoB em Visconde do Rio Branco, também na Zona da Mata.

“O citado sacerdote está proibido de realizar todos os atos do poder de ordem e todos os atos do poder de regime, bem como está proibido de exercer todos os direitos ou funções inerentes a quaisquer ofícios eclesiásticos”, escreve dom José Eudes.

No decreto de suspensão de ordem sagrada, o bispo esclarece que o religioso transgrediu a regra que prevê que clérigos “não tenham parte ativa nos partidos políticos e na direção de associações sindicais, a não ser que, a juízo da competente autoridade eclesiástica, o exijam a defesa dos direitos da Igreja ou a promoção do bem comum”. O Estado de Minas tentou falar, sem sucesso, com o padre Eduardo de Abreu.

Religiosos De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral de Mina Gerais (TRE-MG), há 107 candidatos concorrendo ao pleito de 2016 no estado cuja profissão é sacerdote ou membro de ordem ou seita religiosa.

Transporte das urnas

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) começa a enviar amanhã para os locais de armazenamento as 5.078 urnas eletrônicas que serão usadas em Belo Horizonte. As urnas saem do Centro de Apoio do TRE, no Bairro Jardim Filadélfia, e seguem para batalhões da Polícia Militar ou para outros locais sob a guarda da PM, onde ficam até domingo, dia da eleição. As primeiras a serem transportadas serão as 751 urnas das zonas eleitorais 36ª e 333ª, ambas do Barreiro, e as da 37ª, Região Oeste. Elas serão levadas para o 41º e para o 5º batalhões da PM, no Barreiro de Baixo e na Gameleira, respectivamente. Nas demais cidades de Minas, com exceção de Contagem, cada zona eleitoral cuida da logística de distribuição de suas urnas. As 1.415 urnas de Contagem, que também ficam armazenadas no Centro de Apoio do TRE, serão transportadas no sábado em 30 ônibus e permanecem sob a guarda da PM até a madrugada do domingo.

 

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