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Casal faz dobradinha para disputar prefeitura no interior de Minas

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postado em 05/09/2016 06:00 / atualizado em 05/09/2016 07:17

Luiz Ribeiro

O município de Ubaí, com 11,6 mil habitantes, no Norte de Minas, vive uma situação curiosa e polêmica nestas eleições. O ex-prefeito Marco Antônio Andrade Braga (PR), o Marquim, concorre novamente à prefeitura e tem como candidata a vice a mulher, a professora Joselane Aparecida Oliveira Nobre, a Josy (PSD). Os adversários dele o acusam de querer transformar a prefeitura em “patrimônio familiar’. Ele se defende com o argumento de que resistiu à indicação da como companheira de chapa, que foi feita pelo seu grupo político. A chapa formada pelo casal não tem nenhum impedimento legal. A lei impede o chefe do Executivo de lançar um cônjuge ou parente de primeiro grau como candidato. Um prefeito que concorre à reeleição, por exemplo, não pode ter na disputa a mulher ou um irmão. No entanto, a lei não cria restrição para quem ainda está na condição de concorrente a cargo eletivo.

O vereador Nilmar Rodrigues (PP), que também concorre à prefeitura, diz que o fato do ex-prefeito ter a mulher como companheira de chapa, mesmo não sendo ilegal, não é visto com bons olhos pela população, por dar uma ideia de coronelismo. “Fica parecendo que a prefeitura virou uma coisa de família de coronel, que manda em tudo”, afirma Nilmar. Segundo ele, os próprios correligionários do ex-prefeito criticam a “chapa familiar”. A populção rejeita isso tipo de coisa. Está ocorrendo um revés na campanha dele”, diz.

O ex-prefeito de Ubaí e produtor rural Pedro Veloso Neto, de 68 anos, disse que a escolha da mulher do ex-prefeito como companheira de chapa causou estranheza na cidade. “Ficou parecendo que entre os companheiros dele ninguém serve para ser vice. A única que serviu foi a mulher”, comenta. “A ideia que se tem é que ele pretende administrar a prefeitura como se fosse um patrimônio familiar”, completa o ex-prefeito, declarando ser do grupo contrário ao candidato a prefeito pelo PR.

PRÉ-CANDIDATOS Marco Antônio Andrade, que já exerceu dois mandatos como prefeito (2005 a 2012), alega que jamais fez qualquer ação para impor o nome da mulher como companheira de chapa. Ele diz que 11 integrantes do seu grupo político, entre os quais três vereadores, se lançaram “pré-candidatos a vice-prefeito” em sua chapa e, depois de muita discussão, o grupo escolheu Joselande Andrade, sem a interferência dele. “Existiam 11 companheiros disputando qual seria meu candidato a vice. Começaram a acirrar os ânimos na disputa. Eu pedi que eles se reunissem e tomassem uma decisão. Mas disseram que, para evitar a discórdia ou perda de algum companheiro, não escolheram nenhum deles, optando por um nome neutro, que foi o nome da minha mulher”, garante Andrade. “Não fiz nenhuma imposição. Foi uma decisão tomada em grupo para resolver  um problema político”, assegura Marquim. “No início, fui contra a escolha, mas depois acabei absorvendo a ideia”, argumenta.

O ex-prefeito rebate a alegação do adversário de que a chapa formada pelo casal estaria sendo rejeitada pelo eleitorado de Ubaí. “A aceitação está sendo muito boa. Não tenho pesquisas em mãos, mas conheço quase todo mundo na cidade e, se a eleição fosse hoje, a gente teria uma vitória com grande diferença de votos”, garante Marquim, lembrando ainda que por pouco não saiu candidato único à prefeitura.
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