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Em Uberlândia, partidos políticos são acusados de coação para obter dinheiro

Servidores públicos da Prefeitura de Uberlândia teriam sido obrigados a dar 5% do salário a partidos políticos

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postado em 09/12/2014 06:00 / atualizado em 09/12/2014 07:45

Alessandra Mello

Beto Novaes/EM/D.A Press

A Policia Federal (PF) ouviu nessa segunda-feira servidores públicos comissionados das secretarias de Desenvolvimento Social e Trabalho e Trânsito e Transportes, de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, que teriam sido coagidos a contribuir financeiramente para os cofres de partidos políticos e também fazer campanha para candidatos a deputado nas eleições de outubro. Ao todo já foram ouvidos cerca de 100 comissionados. 

O delegado-chefe da PF em Uberlândia, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo, disse que as investigações começaram depois que o Ministério Público Eleitoral (MPE) recebeu denúncias de que servidores teriam sido ameaçados de demissão caso não trabalhassem e contribuíssem com a campanha de candidatos a deputado. Segundo ele, os funcionários eram obrigados a contribuir com 5% do salário, caracterizar (plotar) os carros com adesivos de propaganda, distribuir material de campanha e até mesmo viajar para pedir votos em outros municípios. 

D’Ângelo não quis revelar os nomes dos candidatos, alegando sigilo na investigação, mas a reportagem apurou que as denúncias envolvem o atual deputado estadual Tenente Lúcio (PSB), que se elegeu para a Câmara dos Deputados, e do ex-secretário de Desenvolvimento Social e Trabalho e ex-vereador Murilo Ferreira (PMN), que tentou, mas não se elegeu, uma vaga na Assembleia Legislativa. Todos os dois eram filiados ao PDT – uma das legendas investigadas – mas se desfiliaram no ano passado para disputar por outros partidos. De acordo com alguns depoimentos, os dois seriam os “donos” dessas pastas. A reportagem tentou falar com o deputado e com o ex-secretário, mas eles não responderam aos telefonemas. Ontem, também foi ouvida Denise Ferreira Portes de Lima, que sucedeu a Murilo Ferreira na pasta de Desenvolvimento Social.

Os servidores foram chamados para depor a partir da quebra de sigilo bancário de uma legenda que revelou o nome de todos os doadores do partido. Com essa lista, foi feito um cruzamento para identificar entre os doadores quem era servidor comissionado da prefeitura. “Esse é um crime muito comum, mas de difícil apuração, pois ninguém quer denunciar com medo de perder o emprego e por isso começamos investigando as doações”, constata o delegado da PF. Com o cruzamento desses dados foram identificados depósitos que oscilavam entre R$ 50 e R$ 300 de servidores comissionados nas contas de um dos partidos e foi elaborada uma lista com cerca de 100 nomes.

ILICITUDE Muitos servidores admitiram ser obrigados a fazer essa doação e também trabalhar para as campanhas. Uma pessoa imprimia um boleto bancário e o entregava logo após o pagamento do salário para que os comissionados fizessem o pagamento. O procurador da prefeitura Luís Antônio Lira Pontes disse que aguarda a conclusão do inquérito para tomar providências caso seja confirmada alguma ilicitude. “Não haverá omissão”, disse.
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