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Blocão de partidos aliados vai se unir para impor pauta ao Planalto

PMDB quer fatia maior do poder, não só na Esplanada dos Ministérios, onde tem cinco ministérios, mas também no conselho político da presidente reeleita

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postado em 27/10/2014 10:37 / atualizado em 27/10/2014 10:45

Agência Estado

Um grande bloco de centro deverá tornar-se a principal força do Congresso no novo governo da presidente Dilma Rousseff. Esse bloco deverá ser liderado pelo PMDB, que passará a exigir maior espaço em seu segundo mandato.

O partido quer uma fatia maior do poder, não só na Esplanada dos Ministérios, onde tem cinco ministérios, mas também no conselho político da presidente reeleita. É certo que a presidente Dilma Rousseff terá de abrir mais canais de contato com o Legislativo do que teve no primeiro mandato.

O bloco pretende forçar a negociação de todos os projetos que o Executivo enviar ao Congresso, sem aprová-los "de olhos fechados" como ocorria até agora, na visão do vice-líder do PMDB, deputado Lúcio Vieira Lima (BA). "O ponto de equilíbrio será a negociação. Não dá para governar sem conversar. O Congresso é a casa do diálogo. A democracia está mais madura", disse Vieira Lima. "O Congresso hoje é mais maduro do que nos anos em que o PT era oposição. Por isso, vai negociar, sem radicalismos."

Para o vice-líder do PMDB, o País vai passar por momentos difíceis no ano que vem. E por isso todo mundo tem que ter a cabeça no lugar. "Não podemos agir com radicalismo, porque só prejudicará o País, tanto na política quanto na economia." Ele disse saber que as denúncias sobre corrupção na Petrobras vão atingir o Congresso. "O que é mais uma razão para ter maturidade. Temos de criar um novo Brasil, sem implicar em instintos destrutivos."

O conjunto de forças de centro que os partidos pretendem montar poderá tornar-se um movimento igual ao Centrão, grupo que durante a Constituinte de 1987/88 passou a dar as cartas na assembleia depois de forçar a mudança no regimento interno e impedir, por exemplo, a aprovação de propostas como a de uma reforma agrária mais ousada e radical.

O Centrão serviu também para a reestruturação partidária que haveria durante os trabalhos da Constituinte - como o nascimento do PSDB a partir de uma dissidência no PMDB - e depois da promulgação da Constituição. A movimentação partidária proposta para o ano que vem, no novo governo da presidente Dilma Rousseff, também leva a esse caminho.

O PSB, o PPS e o PHS falam em fusão. O PSDB e o DEM já iniciaram as primeiras conversas para se transformar num partido único. O presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), disse que a vitória de Dilma Rousseff levará o Congresso a fazer um movimento para se fortalecer. "A vantagem do Aécio é que ele é conciliador. Procuraria agregar as diversas correntes em torno de si. O PT é por natureza desagregador", disse ele.

O cientista político Antonio Augusto de Queiroz, coordenador do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), acredita que as movimentações no novo Congresso ante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff significarão a necessidade que os partidos têm de se fortalecer diante do Executivo.

A aposta de todos os partidos é a de que a presidente Dilma Rousseff terá de abrir um canal de diálogo diretamente com os parlamentares. Sua base de apoio no Congresso tem 304 deputados e 40 senadores, número insuficiente para aprovar uma emenda constitucional, principalmente as polêmicas, como algumas das reformas política que a presidente anunciou que vai propor.
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