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New York Times destaca 'feiura da campanha' presidencial no Brasil

No texto, assinado pelo correspondente do jornal no Brasil, Simon Romero, eleitores entrevistados reclamaram do baixo nível da campanha

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postado em 26/10/2014 13:37 / atualizado em 26/10/2014 13:47

Agência Estado

As disputadas eleições chegam ao fim no Brasil em uma campanha tumultuada e crescentemente marcada por acusações, insultos pessoais entre os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), denúncias de corrupção e brigas entre militantes dos dois partidos nas ruas, mostra uma reportagem neste domingo do The New York Times, que destaca em seu título que os brasileiros lamentam "a feiura da campanha".

O desafio de quem vencer hoje nas urnas será o de governar em um sistema político no qual o presidente terá que forjar alianças no Congresso entre os diversos partidos, alguns com ideologias muito diferentes, diz o jornal. "A crescente tensão política no país não deve deixar esse processo mais fácil."

O Times destaca a crescente polarização das eleições no Brasil, na disputa mais acirrada desde o fim do regime militar no país, em 1985. No texto, assinado pelo correspondente do jornal no Brasil, Simon Romero, eleitores entrevistados reclamaram do baixo nível da campanha. "Nunca vi uma eleição assim. A qualidade [da corrida presidencial] me deixou revoltada", afirmou a eleitora Eliete Carvalho, de São Paulo.

"Na reta final da tumultuada campanha, Dilma Rousseff aparece na frente em diferentes pesquisas", destaca o Times, ressaltando que a política social da presidente, de expandir os gastos na área, em meio a uma baixa taxa de desemprego, tem atraído votos, mesmo com uma economia fraca. O jornal destaca ainda o último debate da campanha, na sexta-feira, dominado por denúncias de corrupção. Aécio Neves deu ênfase a problemas na Petrobras, enquanto Dilma citou o envolvimento do próprio partido dele, o PSDB, nas mesmas denúncias.

As eleições brasileiras foram marcadas por reviravoltas inesperadas, mostra o Times. Entre elas, o jornal cita a morte do candidato Eduardo Campos (PSB), a subida de sua vice, Marina Silva, nas pesquisas para, às vésperas do primeiro turno, perder votos rapidamente. Já a recessão na economia abriu espaço para Aécio, que pretende adotar políticas "mais amigáveis ao mercado", ressalta o texto.

O jornal destaca que enquanto Dilma e Aécio prometeram continuar com os programas sociais, a diferença em certos aspectos da política econômica é mais acentuada. O governo de Dilma, por exemplo, tem tido como característica uma presença mais forte do Estado na economia, enquanto Aécio defende controle mais flexível em preços administrados.

A polarização nas eleições no Brasil pode ser vista também entre as regiões do país, destaca o Times. Enquanto Aécio venceu Dilma no primeiro turno em São Paulo, a petista ganhou no Nordeste, onde muitos ainda dependem de subsídios do governo. (Altamiro Silva Junior, correspondente, altamiro.junior@estadao.com)
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