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Divergências políticas opõem famílias e acirram discussões entre amigos no segundo turno

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postado em 26/10/2014 06:00 / atualizado em 26/10/2014 08:10

Jorge Macedo - especial para o EM

Flavia Ayer e Isabella Souto

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

“Quem perdeu famílias ou amigos por causa das eleições, vamos combinar de passar o Natal juntos.” Se você é usuário das redes sociais – Facebook, Twitter ou WhatsApp –, com certeza já se deparou em algum momento com a postagem acima. E deve conhecer pessoas que se enquadram perfeitamente no conteúdo. Nas eleições mais acirradas desde a redemocratização do país, a disputa deixou de ser exclusiva dos partidos e candidatos e atingiu as relações pessoais. Não são poucos os exemplos de animosidades entre “amigos virtuais”. E na vida real, a preferência por Aécio Neves (PSDB) ou Dilma Rousseff (PT) mudou as regras de convivência dentro de casa.

É o caso da professora Maria Nonata das Graças Mendes, de 55 anos, e o marido, o vendedor ambulante Deldi Rodrigues dos Santos, de 56 anos. “Quando a Dilma está falando na televisão, ele sai. Quando o Aécio está falando, eu saio”, conta Maria Nonata, eleitora da petista. A estratégia foi a maneira encontrada pelo casal para evitar brigas, pois hoje ele vai teclar o número do tucano. “Se a gente tiver muito perto na hora da propaganda eleitoral, sai até discussão”, conta a professora.
Casados há 23 anos, esta é a primeira vez que não tiveram consenso quanto à escolha do candidato. “Eu sou Dilma de corpo e alma. Como funcionária pública, fui muito prejudicada no governo do PSDB em Minas Gerais. Gosto da Dilma, do sistema dela, da forma de ela pensar. E ela tem que estar na frente para não barrar os benefícios para Minas”, diz Maria Nonata, que colou adesivos da petista na casa toda.

A esposa pode até insistir, mas Deldi quer a mudança. “A gente analisa as coisas que a Dilma está fazendo, começa uma obra e não termina, como a transposição do Rio São Francisco. As empresas do Brasil falindo”, diz ele, confiante de que Aécio vai dar jeito na situação. “Se ele fizer metade do que promete, está bom”, afirma. Mas, apesar das divergências políticas, eles garantem que o casamento está firme. “As eleições passam e a gente continua”, brinca Maria Nonata.

Na casa da comerciante Cibele Coelho Novais, de 55 anos, política é quase um assunto tabu. Ela e as duas filhas têm visões muito diferentes para o Brasil. Enquanto a matriarca votou em Aécio no primeiro turno – e anuncia o voto no tucano hoje –, a jornalista Clara e a engenheira Carolina Novais, de 23 anos e 28, respectivamente, escolheram Eduardo Jorge (PV), quinto colocado na disputa. Agora, a mais nova está com Dilma, enquanto a irmã está indecisa.

“No início, teve muito atrito aqui em casa quando eu me posicionava. Já tentei convencê-las do meu voto, mas não ganho a briga”, conta. A filha mais jovem rebate os argumentos da mãe. “No começo ficava incomodada de ver a minha mãe apenas reproduzindo coisas que via no Facebook. Acho que ela deveria buscar mais informações”, argumenta Clara. Com diálogo elas garantem que agora o clima melhorou e hoje elas respeitam o voto uma da outra.

Internacional Os motivos do voto são bem diferentes na família Novais: Cibele acredita que Aécio Neves poderá recolocar o Brasil no cenário internacional e saberá lidar melhor com as riquezas do país, enquanto Clara defende as políticas sociais implementadas pelo governo petista. Para fazer sua opção neste segundo turno, a jornalista conta que leu sobre os programas federais e as formas de fiscalização e ficou convencida de que a petista será o melhor para o Brasil.

Quem não se convenceu foi a engenheira Carolina Novais. Ela até não vai votar hoje porque estará viajando, mas se fosse às urnas tenderia a digitar os números de Aécio Neves. “Mas não tenho uma opinião completamente formada. Não concordo com várias propostas dos dois”, ressalta. Para evitar atritos familiares, Carolina conta que nem toca no assunto dentro de casa. “O pensamento é completamente diferente”, justifica.