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Na reta final, Aécio fala em "vitória da cidadania"

Tucano fecha campanha com visita ao túmulo de Tancredo, critica agressões e agradece apoios

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postado em 26/10/2014 06:00 / atualizado em 26/10/2014 07:13

Jorge Macedo - especial para o EM

Flávia Ayer
Enviada especial


São João del-Rei – Num ato simbólico às vésperas das eleições, o candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB) voltou a São João del-Rei, no Campo das Vertentes, para pedir bênçãos ao avô Tancredo Neves diante do túmulo do ex-presidente. Na cidade colonial, o tucano disse já se sentir um “grande vitorioso” e estar confiante de que vencerá as eleições. “Não há dinheiro, não há infâmia, não há sordidez que vença a verdade, que vença a consciência dos brasileiros”, disse. Ele agradeceu à ex-adversária, que chamou de “amiga”, Marina Silva (PSB), representando todos os apoiadores e aliados.


“Hoje é um dia para mim, do ponto de vista pessoal, muito marcante. Vou pedir a bênção ao meu avô, à minha avó (Risoleta Tolentino Neves), no cemitério São Francisco de Assis. Foi com ele aqui nesta casa que eu dei os meus primeiros passos na minha caminhada política”, contou, em entrevista coletiva de imprensa no Solar dos Neves, casarão da família no Centro da cidade. Aécio chegou com a esposa, Letícia Weber, e com os gêmeos Júlia e Bernardo. O presidenciável foi ao cemitério com a mãe, Inês Maria, e a irmã Andrea Neves. E a terceira vez que Aécio vai a São João como candidato a presidente.


Apesar de lamentar as agressões recebidas do PT, numa campanha que, segundo o tucano, é “a mais sórdida” desde a redemocratização, Aécio reforçou que já se sente vitorioso. “Sinto-me um grande vitorioso pela caminhada correta que fiz defendendo valores e apresentando aos brasileiros a possibilidade de um novo Brasil, mais generoso, ético e que enfrente com coragem os problemas reais das pessoas”, disse. “Estamos prontos para vencer as eleições e dar ao Brasil um governo decente, um governo honrado e que não trate o adversário como um inimigo a ser abatido a qualquer custo”, completou, reforçando estar de “alma leve”.


Numa eleição disputada voto a voto, o tucano acredita que a consciência dos brasileiros fará a diferença. Segundo Aécio, uma conquista da campanha traçada pelos tucanos foi levar o povo às ruas. “Conseguimos reacender no seio da população a capacidade de se manifestar, de ser contra aquilo que há de errado contra o PT, a corrupção, o desrespeito”, disse, em referência a diversos movimentos de eleitores que têm ido às ruas em apoio à sua candidatura, como ontem, na Praça da Liberdade, em BH. “Estão indo espontaneamente, porque acreditam que têm um papel a desempenhar neste processo. É o nosso futuro que está em jogo amanhã (hoje)”, disse.


Aécio citou em especial o movimento de eleitores na orla de Recife. O tucano contou ter recebido na manhã de ontem telefonema do prefeito da capital Pernambucana, Geraldo Júlio. “Ele disse que é inacreditável o que está acontecendo. As pessoas ocupando a orla, pedindo mudança. Falo Recife porque é um lugar muito emblemático, é a terra do Eduardo (Campos, presidenciável do PSB morto em acidente de avião durante a campanha), onde não tive um bom resultado no primeiro turno. Tem algo novo (acontecendo) e acho que esta já é uma vitória da cidadania”, disse.


O candidato voltou a falar da necessidade de os institutos de pesquisa, depois de “erros grosseiros”, se reestruturarem após estas eleições e disse que, “nesta altura do campeonato”, o que importa é a pesquisa das urnas, hoje, com a divulgação mais tarde do resultado das eleições. “Não me iludi quando as pesquisas me colocaram numa situação confortável nem me desesperei quando me colocaram numa situação mais desconfortável. Tenho uma pesquisa muito própria, que estou vendo pelo Brasil”, disse, confiante na vitória. “Acho que podemos vencer com margem surpreendente. Este sentimento que está aí é avassalador, e contra ele não adianta injúria, a ofensa, o dinheiro, não adianta nada”, reforçou.

Vandalismo O candidato lamentou também, mais uma vez, a postura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que dirigiu diversas agressões a ele. Segundo Aécio, Lula “se apequenou”. “No desespero final da campanha, eles perceberam que, pela primeira vez em 12 anos, haveria, como há, possibilidade real de derrota. Tudo tem limites e alguns membros da campanha adversária ultrapassaram todos os limites”, criticou. Aécio mostrou ainda seu repúdio em relação aos atos de vandalismo em frente à Editora Abril, em São Paulo, por causa da publicação de reportagem na revista Veja que afirma que a presidente Dilma Rousseff (PT) e Lula sabiam de suposto esquema de corrupção na Petrobras.


Numa breve avaliação dos três meses de campanha, o candidato afirmou que o pior momento foi a morte de Eduardo Campos (PSB), em 13 de agosto, e os melhores foram a recepção que teve das pessoas nas ruas. “Queria agradecer a tantos brasileiros, de tantos partidos de tantas forças da sociedade, através da minha amiga, hoje posso falar assim, Marina Silva. Quero dizer, Marina, que sua presença na política brasileira oxigena, fortalece a boa política, ela nos traz esperança. Faço este agradecimento através da Marina e de Renata Campos”, finalizou.

Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência: "Tem algo novo (acontecendo) e acho que esta já é uma vitória da cidadania"

 

DENÚNCIA DE AMEAÇA DE MORTE

Nota da Coligação Muda Brasil divulgada na noite de ontem denuncia ameaças ao candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. Segundo o texto, depois de confirmada a visita de Aécio a São João del-Rei, “pessoas do campo político contrário à sua candidatura presidencial passaram a divulgar ameaças de morte ao candidato e à sua família pelas redes sociais”. De acordo com a Coligação, o caso foi levado à Polícia Federal, que já estava na cidade para investigar o suposto uso da estrutura física da Universidade Federal de São João Del-Rei para divulgar material “calunioso” contra o senador. A pedido da assessoria jurídica de Aécio, serão apuradas também as ameaças. “É lamentável o clima de intolerância estimulado pela campanha adversária, baseada em mentiras e calúnias, que levou a essa situação de agressividade jamais vista na democracia brasileira”, diz a nota. A coligação anexou imagens do facebook que contêm frases como “Morte aos Neves”.

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