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"A eleição é cabeça a cabeça", diz o senador eleito Antonio Anastasia

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postado em 24/10/2014 06:00 / atualizado em 24/10/2014 07:35

Bertha Maakaroun

Paulo Filgueiras/EM/D.A Press

Coordenador em Minas da campanha do candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, o senador eleito Antonio Anastasia (PSDB) acredita que o tucano vencerá a disputa neste domingo. “As pesquisas no primeiro turno foram um fiasco em termos de confiabilidade. Então há dúvida quanto às pesquisas. O meu sentimento é que a eleição é cabeça a cabeça”, diz ele. Para Anastasia, a candidatura de Aécio conseguiu algo que não se viu em nenhuma outra disputa pelo PSDB nos últimos 20 anos: “Percebemos essa onda de repúdio ao PT, de exaustão ao modelo petista que se

disseminou pelo Brasil afora. Isso é muito positivo para a democracia e positivo também para mostrar que não existe no Brasil, como eles querem, o monopólio do lado certo, ao contrário, temos milhões de militantes nas ruas pela primeira vez”.

Qual é a estratégia do PSDB na reta final de campanha?
Sabemos que a campanha tem como carro-chefe a propaganda televisiva e os debates que alcançam milhões. Mas isso não afasta o trabalho da nossa estrutura política que está mobilizada, distribuindo material, conversando, desmentindo as mentiras que são inventadas diariamente – de que Aécio vai acabar com o Bolsa Família, que vai acabar com o Minha Casa, Minha Vida, que vai prejudicar os bancos públicos… A campanha do PT é uma campanha baseada no medo. Na verdade o que se vê é que o PT tem uma campanha baseada em fatos mentirosos, de afirmações abusivas, completamente fora da realidade. Nossa campanha desmente e apresenta as nossas propostas.

Qual é a avaliação da campanha hoje sobre a corrida eleitoral?
Estamos extremamente otimistas e acreditamos na vitória do Aécio. As pesquisas no primeiro turno foram um fiasco em termos de confiabilidade. Então há dúvida quanto às pesquisas. O meu sentimento é que a eleição é cabeça a cabeça. E essa eleição, acho que o mais importante do que isso, fez algo que está adormecido. A nossa candidatura motivou uma imensa militância voluntária que não se viu na campanha do (José) Serra, do Geraldo (Alckmin) e acho que nem na do Fernando Henrique (Cardoso). Percebemos essa onda de repúdio ao PT, de exaustão ao modelo petista que se disseminou pelo Brasil afora. Isso é muito positivo para a democracia e positivo também para mostrar que não existe no Brasil, como eles querem, o monopólio do lado certo, ao contrário, temos milhões de militantes nas ruas pela primeira vez. Pela primeira vez o voto de legenda do PSDB foi maior do que o do PT. As coisas estão mudando. Estamos num crescendo e o PT fica com essa tese de dividir o Brasil. Aécio é muito feliz nisso, ele quer governar para todos. E ele tem essa capacidade, esse perfil. O nosso trabalho aqui é nesse sentido. É um governo de conciliação, de integração, um governo que será bom para todos.

Em sua avaliação, por que o PSDB perdeu as eleições para o governo de Minas?
São várias explicações. Tivemos a morte de Eduardo Campos (PSB), que colocou a Marina (Silva) como candidata, e naquele momento, não só em Minas, mas em todo o país, passou a encarnar o anti-PT. Essa circunstância da Marina tirou do Aécio, naquele momento, o protagonismo nacional. E aqui em Minas também. Isso atrapalhou o nosso candidato, o Pimenta da Veiga. Houve também, a meu juízo, um equívoco da comunicação em nossa campanha, que não apresentou o que fizemos no governo, um governo de boa avaliação. E quando começou a apresentar já era tarde. E houve também contra nós as pesquisas, especialmente o Ibope, que apresentaram números irreais e na véspera das eleições apresentou 30 pontos de frente para o Fernando Pimentel (PT). As bases no interior quando viram aquilo… E olha que contados os votos faltaram só três pontos para haver o segundo turno. Se a campanha durasse mais três ou quatro dias, não só o Aécio, que estava 10 ou 12 pontos atrás da Dilma em Minas a passaria – pois ficou só quatro pontos –, como também teríamos segundo turno da eleição de governador. Além disso, tem, é claro, o que o próprio PT alega que usou, os Correios. A frase é do nosso deputado Durval (Ângelo) de que usou o dedo do PT para ajudar a Dilma.

O PSDB de São Paulo está unido na campanha do Aécio?
Totalmente unido. E essa campanha também demonstrou que aquele resultado da eleição em Minas Gerais nas eleições presidenciais de 2006 e de 2010 – aquela tese que alguns de São Paulo defendiam nunca existiu, de que não conseguimos dar a vitória ao (Geraldo) Alckmin e ao (José )Serra. Minas é um estado em que o PT tem um percentual forte especialmente no Norte. Esse resultado demonstra que de fato a eleição presidencial em Minas é difícil, mesmo tendo um candidato daqui.

O país deverá sair bem dividido nas urnas. Nunca se viu uma disputa tão acirrada. Ganhe quem ganhar, deverá ser uma distância pequena. Isso dará legitimidade para reformas profundas?
No caso do Aécio dará sim, porque, se eleito, a primeira coisa que ele vai sepultar é esse discurso abusivo do PT do “nós contra eles”. Isso não existe. O PT cria isso com objetivo de dividir o país. Aquela teoria maquiavélica antiga de dividir para governar. Isso é um absurdo. Então, ele, pela capacidade de consenso que tem, fará duas reformas hemorrágicas fundamentais. A política e a tributária. E ele sempre defende a tese de que essas reformas, por sua dimensão e envergadura, têm de ser apresentadas e discutidas no início do governo, quando tem mais capacidade de articulação. Ele é um hábil negociador congressual.

 

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