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Aécio quer decretar guerra à inflação

Candidato do PSDB diz que crise econômica é herança perversa deixada pelo governo do PT

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postado em 21/10/2014 06:00 / atualizado em 21/10/2014 07:05

Flávia Ayer

Euler Júnior/EM/D.A Press

Em crítica clara ao aparelhamento do Estado pelo PT, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, assumiu o discurso de sua aliada Marina Silva (PSB) e afirmou que, se eleito, buscará “os melhores brasileiros, e não os aliados”, para compor seu governo. Em campanha pela primeira vez em Minas no segundo turno, ele esteve no Santuário de Nossa Senhora da Piedade, em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde também prometeu “decretar guerra à inflação” e pôr fim ao governo do PT, que, segundo ele, deixa a crise econômica como “herança perversa”.

“Minha proposta é uma proposta corajosa de colocar fim a esse ciclo de governo que aí está, que nos deixará como herança perversa um quadro econômico extremamente grave, os indicadores sociais deixando de melhorar, para iniciarmos um novo ciclo generoso. É um projeto que vai buscar nos melhores brasileiros, e não nos aliados, os quadros para governar o país”, afirmou. Durante todo o primeiro turno, a ex-senadora Marina Silva, que ficou em terceiro lugar na disputa presidencial, sempre dizia querer governar com os melhores de cada partido.

Na reta final das eleições, o candidato voltou a chamar a adversária, a presidente Dilma Rousseff (PT), para focar o discurso em propostas e mostrar as diferenças entre as duas candidaturas. No campo econômico, Aécio disse que afastará o “fantasma da inflação”. “O brasileiro quer saber como vamos fazer para controlar a inflação, que o atual governo considera, pela voz da presidente da República, que está sob controle. Ouvimos isso nos últimos três debates. Como acho que não está sob controle, vou decretar guerra à inflação, tolerância zero”, disse.

Mesmo com o tom pacífico, Aécio Neves afirmou que responderá a acusações. “Não aceitarei a infâmia, a mentira, a calúnia, a deturpação, obviamente elas serão sempre respondidas”, afirmou. E aproveitou para criticar a tentativa do PT de atribuir a falta de água em São Paulo à gestão do governador reeleito Geraldo Alckmin (PSDB). Segundo Aécio, apesar de a questão ter sido bastante debatida na campanha paulista, Alckmin venceu as eleições.

“Estamos tendo a maior estiagem dos últimos 80 anos”, disse, parabenizando o aliado por dar um bônus para quem economizasse água. “Talvez o que tenha faltado seja uma parceria com o governo federal”, completou. Para Aécio, se “a Agência Nacional de Águas (ANA), criada no governo Fernando Henrique, não tivesse servido a outros fins, com critérios para se ocupar cargos de diretoria da ANA, ela poderia ter sido uma parceira maior do governador”.

Aécio repetiu ontem ato do início de sua campanha, quando foi ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade pedir bênçãos para enfrentar a corrida presidencial. “Que Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas, me dê forças e capacidade para vencer as eleições e, mais que isso, enfrentar os desafios pela frente”, afirmou o senador, que não considerou a visita um ato de campanha.

Acompanhado do prefeito de BH, Marcio Lacerda, e do senador eleito Antonio Anastasia, Aécio assistiu à missa celebrada  pelos padres Fernando César e Carlos Antônio, reitor e pró-reitor do santuário, respectivamente. Ele se ajoelhou diante do altar e rezou aos pés da santa. Logo depois do ritual, ele partiu para um evento em Belém (PA), mas retorna a Minas amanhã, para ato na Praça da Estação, no Centro de BH, e no sábado.

APOIO DE EROS GRAU O advogado Eros Grau, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), é um dos signatários de um manifesto intitulado “Esquerda Democrática com Aécio Neves”, em apoio à candidatura do senador. Grau foi indicado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Outro nome de peso no manifesto é o do cientista político Luiz Eduardo Soares, que foi secretário nacional de Segurança do governo Lula.

Lançado no dia 16, o manifesto tinha quase 800 assinaturas até ontem, reunindo nomes que já foram simpatizantes do PT e de Marina, como o ator Marcos Palmeira, os cineastas Zelito Viana e Wladimir Carvalho, a produtora cultural Helena Severo, o economista José Eli da Veiga e o cientista político José Álvaro Moisés, ambos da USP.