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Aécio e Dilma discutem corrupção e programas sociais

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postado em 20/10/2014 00:13 / atualizado em 20/10/2014 07:35

Agência Estado

São Paulo - Ainda no primeiro bloco do debate presidencial da TV Record, a corrupção na Petrobras e os programas sociais voltaram a ser os principais temas.

Aécio Neves (PSDB) começou dizendo que Dilma Rousseff (PT) finalmente reconheceu que houve desvios na Petrobras e questionou se o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, vai continuar na função e no Conselho da Usina de Itaipu após ser citado nas denúncias do ex-diretor Paulo Roberto Costa. "O senhor confia nele?", disse.

Dilma respondeu perguntando a Aécio se ele confiava que, segundo as mesmas fontes que acusam Vaccari, o então presidente do PSDB, Sérgio Guerra, morto em março deste ano, havia recebido propina para travar uma CPI sobre a Petrobras em 2009. "Na última vez que denunciaram pessoas do seu partido sobre o cartel do Metrô, o senhor disse não acreditar em delatores. Eu faço diferente. Eu preciso saber quem foi e quanto recebeu", afirmou Dilma. "A parte sobre a qual o senhor deveria me cumprimentar é aquela em que disse que vou investigar", disse, voltando a citar os escândalos da Pasta Rosa, da compra de votos para a reeleição, do Sivam e do cartel de trens e do Metrô.

Na sequência, Aécio disse que Dilma não tomou providências para evitar os desvios na Petrobras e afirmou que se preocupa com a posição de Vaccari e a situação em outras empresas estatais. "O senhor confia no seu tesoureiro. Fico preocupado com o cargo dele em Itaipu, onde ele tem um crachá e livre trânsito. Faltou governança no seu mandato", afirmou.

Em resposta, Dilma retoma a argumentação de que, no governo de FHC, as investigações eram engavetadas. "Eu não faço isso (engavetar), candidato, eu investigo. Eu não transfiro nenhum delegado", disse.

Aécio disse, então, que o Brasil tem instituições que investigam. Segundo ele, se não houve prisões, como no caso do mensalão petista, é porque não houve provas. "O que não pode é a senhora achar que a denúncia é verdadeira quando envolve meu partido e não quando envolve dinheiro para campanha de Gleisi Hoffmann", afirmou Aécio. "Faltou gestão. Isso é consequência da forma como as pessoas são nomeadas".

Aécio sugere autoritarismo na fala de Dilma sobre as investigações. "Triste o País onde o presidente manda investigar, como em algumas ditaduras que o seu governo apoia. Quem investiga são as instituições. Por que não seu tomou essa decisão de demiti-lo antes?"

Na sequência, Dilma afirmou que Aécio "adora fazer confusões que lhe beneficiam" e reiterou seu compromisso com a investigação e a demissão de Paulo Roberto Costa após assumir a Presidência da República.

Programas sociais

A presidente Dilma Rousseff (PT) lembrou que o Brasil saiu do mapa da fome da ONU pela primeira vez e questionou o candidato Aécio Neves (PSDB) o que ele achava sobre o crescimento da classe média no Brasil durante os governos petistas.

Na resposta, Aécio afirmou "ter orgulho enorme" de ter participado "de um momento transformador da vida nacional". Segundo ele, as bases para a ampliação da classe média foram lançadas durante a administração tucana. "Quando votamos o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra a posição de seu partido, e quando criamos os programas de transferência de renda e vocês depois ampliaram", disse o tucano.

Aécio aproveitou a resposta para criticar a adversária. "Desde a estabilidade da moeda, o Brasil vem melhorando, mas temos que nos preocupar com a superação da pobreza, e não com as estatísticas", disse, argumentando que há uma grave crise de credibilidade de instituições como Ipea e IBGE, responsáveis por divulgar dados sobre o Brasil. "O que me preocupa são os números pouco confiáveis do seu governo. Não devemos nos preocupar apenas com as estatísticas e sim em fazer o plano avançar."

Dilma diz a Aécio que o governo Fernando Henrique Cardoso gastou em oito anos com os programas sociais o que o "seu" governo gasta em dois meses. "O Bolsa Família, durante todo o governo FHC, gastou R$ 4,2 milhões. Vocês gastaram em oito anos o que o meu bolsa Família gastou em dois meses", afirmou a petista.

Ao responder, Aécio criticou a maneira como Dilma se referiu ao programa. "Não é seu o Bolsa Família. Isso é terrorismo eleitoral", disse. Ele argumentou que tentou aprovar um projeto para incluir o programa na Lei Orgânica de Assistência Social mas teve oposição do PT. "Não diga que o Bolsa Família é seu. Havia o Bolsa Escola, Cadastro Único, Vale Gás, Vale Alimentação no governo FHC e daí nasceu o Vale Gás. Os programas são do povo brasileiro".

Saúde

A qualidade da saúde foi outro tema do bloco. Aécio afirmou que os gastos com saúde diminuíram no governo Dilma e questionou o que é preciso para melhorar esse setor.

Na resposta, Dilma destacou a criação do Samu, o Mais Médicos e programas como o Brasil Cegonha e farmácia popular, além da destinação dos royalties do petróleo. A presidente aproveitou para criticar a gestão tucana em Minas Gerais. "Ficou claro que o senhor não investiu o mínimo constitucional e desviou da saúde R$ 7,6 bilhões", afirmou, questionando o que o tucano faria com o Mais Médicos.

Aécio negou a informação sobre Minas e disse que seu partido queria aprovar a realização do Revalida para o Mais Médicos e equalizar os salários entre os médicos cubanos e os demais.
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