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Aécio acusa Dilma de empregar irmão na PBH

Candidatos trocam pesadas acusações em torno de corrupção e nepotismo. Presidenciável do PSDB desarma a presidente citando nomeação do irmão dela por Pimentel na capital mineira

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postado em 17/10/2014 06:00 / atualizado em 17/10/2014 07:31

Isabella Souto / , Marcelo da Fonseca

REUTERS/Paulo Whitaker


Acusações de corrupção e nepotismo foram os temas centrais no segundo debate entre os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), transmitido no início da noite de ontem pelo SBT/TV Alterosa. Mais uma vez, eles se acusaram de mentirosos, desinformados e de manipular dados sobre suas administrações. O tiroteio verbal começou já nos primeiros minutos do encontro, quando o tucano questionou a petista sobre o relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontou irregularidades em obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

“A denúncia de hoje aponta irregularidades de R$ 18 bilhões. Não bastaram Abreu Lima, Pasadena, mas agora temos a Comperj. A senhora sempre diz que não sabe de nada. De quem é a responsabilidade sobre esses atos?”, questionou Aécio, em referência a obras da Petrobras em Pernambuco e a uma refinaria comprada nos Estados Unidos. A petista rebateu defendendo o trabalho independente da Polícia Federal nas investigações de obras da estatal. “A PF investigou e, caso comprovados os desvios, vamos punir implacavelmente. Isso significará que o Brasil terá pela primeira vez de fato um combate sistemático à corrupção”, afirmou Dilma. Na tréplica, o tucano foi duro: “Não existe, candidata, me perdoe, uma terceira alternativa. Só existem duas: ou a senhora foi conivente ou a senhora foi incompetente para cuidar da maior empresa pública brasileira”.

Aécio lembrou que o tesoureiro do PT, João Vaccari, Neto, foi acusado pelo ex-diretor da Petrobras de cobrar propina para conta de campanha. “Se a senhora diz que quer ir a fundo, porque o seu partido impediu que o senhor Vaccari fosse depor, que fosse explicar? E digo mais, ele ainda é tesoureiro do seu partido. Pelo menos R$ 4 milhões foram transferidos pelo senhor Vaccari para a sua conta de campanha.”

A presidente citou escândalos envolvendo governos tucanos, como o cartel do metrô em São Paulo e  denúncias de irregularidades na venda de estatais durante o governo Fernando Henrique Cardoso e afirmou que a diferença entre os dois partidos é que na gestão do PT, os casos foram investigados. Aécio por sua vez, acusou Dilma de “prevaricação” ao não provocar a abertura das investigações desde que chegou ao Palácio do Planalto, em 2011.

O clima esquentou quando eles trocaram acusações sobre atos de nepotismo envolvendo familiares do adversário: “Candidato, eu nunca nomeei parentes para o meu governo, eu gostaria de saber se o senhor nunca fez a mesma coisa”, questionou Dilma. O tucano rebateu explicando que a irmã trabalhou como voluntária durante sua gestão, em posto geralmente ocupado por primeiras-damas. “A senhora é porque não conhece Minas. Se conhecesse um pouco ia saber o respeito que Minas tem por ela”, disse.

Neste momento, a petista cobrava explicações sobre a nomeação de parentes de Aécio durante sua gestão no governo de Minas, entre eles a indicação de sua irmã Andrea Neves para gerenciar a distribuição de recursos para veículos de comunicação. Foi quando o tucano desconcertou a presidente ao trazer à tona a nomeação do irmão de Dilma, Igor Rousseff, para trabalhar na Prefeitura de Belo Horizonte na gestão de Fernando Pimentel (PT), eleito governador de Minas Gerais no dia 5. “Agora nós sabemos por que a senhora disse que não nomeou parentes no seu governo. A senhora pediu que os seus aliados o fizessem, candidata Dilma Rousseff”, ironizou. “O seu irmão foi nomeado por Fernando Pimentel e nunca apareceu para trabalhar. A diferença é que minha irmã trabalha muito e não recebe nada. O seu irmão não trabalha nada e recebe muito.” A presidente nada falou sobre o caso. Por meio do Twitter, Pimentel argumentou que Igor é advogado e trabalhou com “regularidade e eficiência” na prefeitura e na Procuradoria do Município.

Lei Seca

O debate ganhou ares de apelo ao lado pessoal quando Dilma usou a violência no trânsito para citar o episódio em que Aécio foi parado em uma blitz no Rio de Janeiro e se recusou a fazer o teste do bafômetro. O senador se antecipou e desafiou a presidente a perguntar diretamente sobre o tema. “Seja correta, seja séria. Mentir e insinuar ofensas como essa é indigno para uma presidente da República”, afirmou Aécio. Ele  alegou que sua carteira de motorista estava vencida e reconheceu que errou ao não fazer o exame.

No último bloco, eles voltaram a trocar acusações sobre denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras. Desta vez, sobre o fato de o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa ter dito que o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra teria recebido propina para ajudar a esvaziar a CPI da Petrobras (leia abaixo).

Dilma trouxe Minas de volta ao debate, ao afirmar que a gestão do tucano no estado deixou de investir R$ 7,8 bilhões na saúde e R$ 8 bilhões na educação. Aécio disse que Dilma desrespeita Minas e elogiou a própria gestão, lembrando que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) aprovou por unanimidade as suas contas de governo. A petista reclamou que o adversário se comporta como se representasse Minas e afirmou que também é mineira.

Ofensas

Aécio criticou a postura da presidente no debate e afirmou que ela “não permitiu que os brasileiros tivessem um programa” de governo para analisar. “Não é possível que a senhora queira fazer a mais baixa das campanhas eleitorais até aqui”, comentou referindo-se a ataques nas redes sociais ao senador e a sua família. Logo após o fim do debate, a presidente Dilma interrompeu uma entrevista ao vivo, alegando queda de pressão.

Antiga CPI no foco dos ataques

As denúncias de corrupção na Petrobras voltaram a ser motivo de trocas de acusações no debate de ontem. A presidente Dilma Rousseff (PT) citou depoimento do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa em que ele revela ao Ministério Público Federal ter repassado propina ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra para que ajudasse a esvaziar uma CPI criada para investigar a empresa em 2009. A petista afirmou que será importante saber como ocorreu esse repasse e para quem esse dinheiro foi destinado. O candidato do PSDB, senador Aécio Neves, rebateu dizendo que a denúncia deve ser apurada independentemente do partido envolvido.

“Para mim, não importa de qual partido seja o denunciado, a investigação tem que ir a fundo, e, pela primeira vez, pelo menos, há algo positivo aqui. A senhora dá credibilidade às denúncias do senhor Paulo Roberto”, disse o tucano.

Sérgio Guerra, que na época era senador por Pernambuco e integrava a CPI, morreu em março deste ano, aos 66 anos, vítima de um câncer no pulmão. Ele foi substituído por Aécio na presidência do PSDB. Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, pessoas envolvidas na investigação da Operação Lava a Jato confirmaram que o dirigente tucano foi citado em depoimentos que Costa prestou após decidir colaborar com as autoridades.

O ex-diretor contou que tomou providências para que o dinheiro chegasse ao senador do PSDB, que na época fazia oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas disse não saber se ele recebeu os recursos. Costa informou que empresas que prestam serviços à Petrobras tinham como objetivo nessa época encerrar logo as investigações da CPI, porque a comissão era uma ameaça a seus negócios com a estatal. Em nota, o PSDB disse defender que todas as acusações feitas por Paulo Roberto Costa sejam investigadas. 

Enquete: Aécio vence embate


O candidato do PSDB à Presidência a República, Aécio Neves (PSDB), venceu o debate realizado pelo SBT/Alterosa na noite de ontem. Essa é a opinião de 70,49% dos internautas do em.com.br. Já para outros 29,51% foi a petista Dilma Rousseff quem se saiu melhor no embate. Mais de 7 mil pessoas opinaram na enquete até às 22h. O melhor desempenho do tucano também foi apontado em enquetes anteriores.