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Exigências de Marina para apoiar Aécio são difíceis de serem atendidas

As bandeiras da pessebista exigem que o tucano caminhe mais à esquerda e abandone, por exemplo, a defesa da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos

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postado em 10/10/2014 00:12 / atualizado em 10/10/2014 07:38

Estado de Minas

O presidenciável Aécio Neves (PSDB) não sinalizou positivivamente sobre as propostas de Marina Silva, como a redução da maioridade penal, apresentadas por ela em carta nessa quinta-feira, depois de adiar sua decisão sobre um eventual apoio ao tucano no segundo turno. “Apoios são bem-vindos, mas são decisões que não posso tomar. Há convergência dos temas defendidos por Marina com as nossas propostas, mas a decisão cabe a ela”, afirmou.

O senador defende a redução da maioridade penal apenas para crimes graves, após avaliação do Ministério Público e da Justiça. Ele diz que a alteração atingiria apenas 1% das infrações cometidas por jovens entre 16 e 18 anos

Marina adiou o anúncio, previsto para essa quinta-feira, sobre o apoio no segundo turno até que Aécio assuma publicamente o compromisso com suas propostas. Uma lista com as demandas dela e de seus aliados será entregue hoje ao tucano, em ato político no Rio de Janeiro. Marina disse que só vai se manifestar depois de uma sinalização clara de Aécio.

As bandeiras da pessebista exigem que o tucano caminhe mais à esquerda e abandone, por exemplo, a defesa da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, além de avançar na proposta sobre o fim da reeleição e, caso se torne presidente, se comprometa a não se candidatar em 2018.

Nessa quinta-feira, integrantes da coligação “Muda Brasil”, composta por PHS, PRP, PPS, PPL, PSB e PSL, se reuniram em Brasília para discutir o segundo turno. Marina deu carta branca para que os partidos e a Rede Sustentabilidade apontassem suas preferências e as exigências para uma aliança.

“Aguardo com tranquilidade e confiança a manifestação individual ou coletiva dos partidos sobre os compromissos que precisam ser assumidos pela candidatura identificada com o sentimento de mudança, de modo que eles se expressem em atitudes, políticas, ações e modelo de governança que de fato materializem novos tempos para o Brasil”, escreveu Marina, numa carta lida no encontro. "Essa manifestação e a resposta que ela obtiver serão fundamentais para minha manifestação individual, que será feita oportunamente neste segundo turno”, finalizou.

Na carta, ela também citou os duros ataques petistas no primeiro turno. “Vivemos 40 dias enfrentando uma das campanhas de destruição mais sórdidas e mentirosas já feitas na história do país e estamos fortes, inteiros para continuar nossos caminhos”, apontou. Marina pediu que partidos que integraram sua coligação se recusem a participar da “guerra suja da destruição” e que não abram mão do debate programático de alto nível.

Das legendas que fazem parte da aliança, apenas o PPL se declarou neutro e não marchará com Aécio. Embora Marina ainda não tenha se manifestado, a Rede Sustentabilidade recomendou em nota que os eleitores não votem em Dilma e optem pelo voto branco, nulo ou em Aécio.

BLOCÃO

Os partidos que integraram a coligação de Marina querem formar um blocão de atuação conjunta na Câmara dos Deputados a partir do ano que vem. PSB, PPS, PPL, PRP, PHS e PLS calculam que terão pelo menos 55 parlamentares, incluindo os deputados que estão em outras siglas e se filiarão à Rede Sustentabilidade assim que o registro do partido for deferido pelo TSE. No encontro de ontem, a coligação decidiu convidar o PV – que elegeu oito deputados – para integrar o grupo. A expectativa é de que o blocão se torne a terceira maior bancada da Câmara, atrás  de PT (70 deputados) e PMDB (66) e à frente do PSDB (54). A intenção é que o blocãos seja independente.

EXIGÊNCIAS DA EX-SENADORA

Propostas que Marina cobra de Aécio


Fim da reeleição e adoção imediata do mandato de cinco anos
Extinção do debate sobre redução da maioridade penal
Introdução da sustentabilidade nas decisões sobre políticas públicas
Acelerar o processo de demarcação de terras indígenas
Destinar 10% da receita corrente bruta da União para o financiamento das ações de saúde
Priorização da educação integral