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Campanhas de Dilma e Aécio mantêm em sigilo estratégias que serão usadas a partir de amanhã

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postado em 08/10/2014 06:00 / atualizado em 08/10/2014 07:12

Isabella Souto

 

Os coordenadores das campanhas de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) mantêm a sete chaves as estratégias a serem usadas na propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão, que  recomeça amanhã à noite. Aliados mais próximos, no entanto, deixam escapar que os dois presidenciáveis usarão táticas bem diferentes neste segundo turno para conquistar a preferência dos brasileiros no dia 26

Fontes ligadas à presidente Dilma contam que o PT vai mostrar as realizações dos 12 anos em que comanda o país – especialmente no que diz respeito à área social – e fazer um comparativo com o período de gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002). As políticas econômicas dos dois governos também serão debatidas, inclusive com críticas ao ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, anunciado por Aécio Neves como futuro ministro da Fazenda, caso seja eleito. Nos bastidores, a informação é de que serão usados vários takes de arquivo com críticas ao tucano, que haviam sido preparados para o programa de primeiro turno mas não foram ao ar. Isso porque, com a morte de Eduardo Campos (PSB) em 13 de agosto e a substituição do candidato pela sua vice, Marina Silva (PSB), a artilharia petista se virou para ela, que em pesquisas de opinião chegou a ameaçar uma possível reeleição de Dilma.

“Há muitas coisas do primeiro turno guardadas que serão desengavetadas agora”, disse uma fonte petista, sem entrar em detalhes. Um dos motes é mostrar que o governo de FHC – o principal patrocinador da candidatura de Aécio à Presidência da República – provocou desemprego, não reajustou os salários e ainda implantou a privatização de setores públicos, como é o caso da telefonia. Além disso, o PT vai mostrar que resgatou os brasileiros da miséria com programas de inclusão social, tais como o Bolsa Família e o Minha casa, minha vida.

Investimentos no social serão justamente o principal mote do programa eleitoral tucano neste segundo turno. A ideia é tentar desmistificar a tese de que o tucano acabaria com as conquistas das classes mais pobres. Ao contrário, Aécio fará defesas dos programas sociais e indicará melhorias que promoverá neles, caso seja eleito no dia 26. De acordo com uma fonte do PSDB, o discurso será voltado para o “futuro” e os programas vão evitar comparações entre as gestões do PT e PSDB. ”Não vamos entrar no debate FHC e PT, apontar erros de 12 anos de gestão petista, mas os problemas atuais e os caminhos que propomos.”

Os estados nordestinos também serão destacados nas propostas do tucano, com ênfase na divulgação do Nordeste Forte, projeto lançado por ele durante o primeiro turno das eleições e que traz um conjunto de medidas que tratam da qualificação da infraestrutura e logística. A tática é uma tentativa de reverter a baixa votação recebida na região, onde foi escolhido por apenas 15,38% dos eleitores. Dilma Rousseff (PT) venceu em oito estados da região, derrotada apenas em Pernambuco, estado de Eduardo Campos, para Marina Silva. Aécio não venceu em nenhum.

Campanha

Neste segundo turno, Dilma e Aécio terão o mesmo tempo de televisão, ou seja, 10 minutos. Na primeira etapa da disputa, a petista contou com 11 minutos e 48 segundos, bem superior ao tucano, que teve 4 minutos e 31 segundos para apresentar suas propostas. A partir de amanhã, terá início a propaganda eleitoral no rádio e na televisão, que será veiculada até dia 24, dois dias antes das eleições. Debates televisivos podem ser veiculados no mesmo prazo. As campanhas de rua, comícios e reuniões públicas podem ser realizadas até o dia 25. O resultado oficial do primeiro turno foi proclamado ontem, a partir de quando começa o prazo de no mínimo 48 horas para recomeçar o horário gratuito.