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Eleições ocorreram em meio aos selfies

Clima de tranquilidade imperou, mas preocupação foi com as fotos das urnas

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postado em 06/10/2014 07:26 / atualizado em 06/10/2014 07:33

Zulmira Furbino , Marinella Castro /Encontro , Paula Takahashi /

Reprodução/Internet

A sétima eleição direta depois da reinstalação da democracia no Brasil, em 1984, realizada ontem, foi marcada pelo clima de tranquilidade no país e pela descoberta de novos desafios, como a necessidade de fiscalizar os eleitores-internautas na hora do voto e a urgência de controlar a distribuição de santinhos pelos candidatos nas vésperas do pleito. Apesar das orientações em contrário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a postagem ilegal de selfies nas redes sociais no momento do voto preocupou o presidente da instituição, ministro Ricardo Dias Toffoli. Por outro lado, por causa das ruas cobertas de tapetes de santinhos, que espalharam sujeira pelo chão das grandes, médias e pequenas cidades brasileiras, uma eleitora idosa se feriu, uma mulher escorregou e desmaiou e funcionários dos Tribunais Regionais Eleitorais tiveram de varrer as ruas para permitir que os eleitores entrassem em zonas eleitorais.

As imagens dos internautas votando apareceram ontem num site (http://selfienaurna.tumblr.com), que registrou dezenas de eleitores divulgando seu voto. A prática é considerada crime eleitoral e, segundo a legislação, pode dar até dois anos de prisão. O Ministério Público vai investigar os casos. Em entrevista coletiva no início da tarde de ontem, Dias Toffoli mostrou-se preocupado com a prática. “Analisaremos e aprimoraremos essa fiscalização. Não fazemos revista dos eleitores e não há condições de colocar detector de metal em cada seção. A principal preocupação com as selfies é a venda do voto. O eleitor pode levar esse registro ao 'comprador' e confirmar que votou naquele candidato”, explicou. Entre os que cometeram o “deslize” estão o humorista Hélio de la Peña (ex-Casseta e Planeta) e a empresária Paula Lavigne, ex-mulher do cantor Caetano Veloso. Os dois apagaram as imagens depois de serem alertados por seguidores.

Em São Carlos, a 232 quilômetros de São Paulo, uma mulher de 70 anos caiu e teve um ferimento na cabeça depois de escorregar em santinhos de candidatos em frente à escola do Bairro Vila Neri, onde iria votar. O acidente aconteceu na manhã de ontem e, segundo informações do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência(Samu) ela teve um ferimento na testa, foi atendida no local e depois levada para a Santa Casa da cidade. De acordo com o Samu, o ferimento não foi grave. Depois da queda da idosa, o entorno da escola foi limpo e os santinhos foram retirados.

Em Curitiba, uma mulher escorregou nos santinhos espalhados pelo chão, caiu e desmaiou, ao se aproximar do colégio estadual onde votaria. Em Belo Horizonte, para evitar que as pessoas escorregassem, funcionários da Justiça Eleitoral tiveram de varrer e recolher grande quantidade de papel na entrada da Escola Estadual Leopoldo de Miranda, no Bairro Santo Antônio, Região Centro-Sul, local de votação. A sujeira tomou conta das ruas da capital mineira durante a madrugada, quando milhares de santinhos foram despejados em várias partes da cidade, principalmente nas portas das escolas onde haveria votação. Em São Paulo, a idosa Clarestina Maria de Jesus foi votar vestida de palhaço, segundo ela, como forma de protesto.

NÚMEROS
Ao todo, segundo o boletim eleitoral do TSE, 80 candidatos foram presos por crime eleitoral no país, a maioria no Rio, e 1.209 pessoas foram presas. Em Minas, três candidatos foram presos: Hélio Machado (PP), por transportar eleitores; Luciene Maria Fonseca (PPS), flagrada em boca de urna e Gudão (PT do B), também por boca de urna. O principal delito foi a propaganda eleitoral, seguido pela compra de votos. Durante o dia, no estado, 123 pessoas foram presas por crimes eleitorais e foram registradas 426 ocorrências, sendo 291 envolvendo eleitores e 135, candidatos. Em Brumadinho, na Grande BH, Patrícia Helena Zolini, 41 anos, mesária em uma seção na Escola Cema, foi presa por entregar papel com número de candidato a uma eleitora. Segundo informações da Polícia Militar, ela teria confessado a boca de urna.
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