
Embaixador da Copa do Mundo de 2014, o ex-jogador Pelé usou a TV para pedir aos brasileiros que deixem as manifestações de lado e passem a apoiar a Seleção Brasileira em campo. Em entrevista à TV Tribuna, de Santos, o tricampeão mundial (1958, 1962 e 1970) e maior artilheiro da história do futebol, com 1.281 gols em 1.363 partidas, disse falar na condição de torcedor para pedir ao cidadão que não confunda as coisas na preparação para a Copa do Mundo. Também ontem, o ex-jogador e membro do Comitê Organizador Local da Copa (COL) Ronaldo disse não acreditar que os protestos possam prejudicar a imagem do país como sede do Mundial.
“Quem está falando aqui não é o Pelé. É o Edson, do tempo da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), torcedor brasileiro. Vou pedir mais uma vez aos brasileiros para não confundirem as coisas. Estamos iniciando uma preparação para a Copa do Mundo. A Copa das Confederações serve muito para a gente ter uma base de como vai ser a nossa equipe. Vamos esquecer toda essa confusão que está acontecendo no Brasil e vamos pensar que a Seleção Brasileira é o nosso país, é o nosso sangue. Não vamos vaiar a Seleção. Vamos apoiar até o final”, defendeu o Rei do Futebol.
Ao chegar ao Castelão, em Fortaleza, para comentar Brasil x México, Ronaldo garantiu estar do lado dos protestos, apesar do cargo oficial. Ele chegou ao estádio no momento em que manifestantes entravam em conflito com policiais do lado de fora. “Tenho sentido orgulho de ver os protestos pacíficos e democráticos pelo país. Espero que se espalhem cobrando, todos os anos, a melhor gestão do gasto público.”
Assim como Ronaldo, a maioria dos nomes do esporte está a favor do movimento criado pela população em busca de melhorias em áreas como saúde, educação e transporte – após o governo federal ter feito vultuosos investimentos na construção e reforma de 12 estádios para as Copas das Confederações e do Mundo –, ressaltando, porém, o tom pacífico.
O ex-jogador Raí e o ex-tenista Fernando Meligeni foram outros nomes que reforçaram o coro de protesto. “Estou emocionado, todo brasileiro em algum momento tem que reagir, manifestar e ter uma voz. Acho que os governantes perceberam que tem gente de olho”, afirmou Raí. Pelo Twitter, o bicampeão olímpico de vela Robert Scheidt e o ex-tenista Gustavo Kuerten condenaram os problemas de infraestrutura que assolam o país. “Manifestações pacíficas a favor de uma melhor educação, melhor saúde, melhor transporte para todos, sem corrupção!”, postou Scheidt. “O Brasil precisa acordar e o povo merece mais respeito”, tuitou Guga, considerado o maior tenista da história do Brasil.
A Copa em números
R$ 28 bi
nvestimentos previstos
R$ 6,5 bi
Gastos até o momento
12
cidades-sede
6
estádios reformados: Maracanã, Mineirão, Fonte Nova, Castelão, Arena da Baixada e Beira-Rio
6
novos estádios: Nacional de Brasília (Mané Garrincha), Arena Pernambuco, Arena Amazônia, Arena Pantanal, Arena das Dunas e Estádio do Corinthians (Itaquerão)
Três perguntas para...
William, levantador do Cruzeiro e da Seleção Brasileira Masculina de Vôlei
Você sempre se destacou com um dos atletas mais politizados do país. Como analisa os movimentos nas principais cidades do país?
Estou acompanhando, mas vejo alguns defeitos. Sou a favor da manifestação, não do vandalismo. Por outro lado, temos que observar que existem muito mais aspectos positivos do que negativos. O movimento é válido por tudo que o povo vive no país.
Surpreendeu você?
Sim, pois não vivemos isso na nossa geração, exceto o movimento dos caras-pintadas, em 1992. Joguei muitos anos na Argentina, e lá as pessoas lutam pelos seus direitos. Fico muito feliz de ver os brasileiros se mexendo também.
Consegue imaginar como será o país daqui para frente?
Não consigo visualizar, mas espero por mudança nas políticas básicas. A reivindicação é pelo básico que a população deixou de ter: educação e saúde de qualidade. Espero que as manifestações não passem batido e tenham resultado efetivo.
