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Estado de Minas

Assessores voltam para gabinetes dos deputados após fracasso eleitoral

Assessores que não conseguiram se eleger nas eleições de 2012 voltam aos gabinetes de deputados. Outros derrotados foram compensados com emprego em escritórios políticos


postado em 18/03/2013 00:12 / atualizado em 18/03/2013 07:40

Alice Maciel, Isabella Souto e Juliana Cipriani

Elogiados pelos seus chefes pelo talento para a política, assessores dos deputados federais mineiros parecem não conseguir usar as suas supostas qualidades para o proveito próprio. Levantamento feito pelo Estado de Minas na relação de funcionários dos gabinetes mostra que pelo menos 18 deles naufragaram na tentativa de virar políticos nas eleições de 2012. O lado bom – para eles – é que não ficaram desempregados: passada a disputa eleitoral tiveram de volta os seus cargos, dos quais precisaram sair para concorrer em várias cidades de Minas Gerais.

É o caso, por exemplo, de Ancil de Souza Filho (PT), que se desincompatibilizou para tentar ser vereador em São João del Rei, mas não conseguiu se eleger. Assessor parlamentar do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), foi recontratado já no início de novembro do ano passado. Já o colega Labernet Mendes Ribeiro (PT), vereador por oito anos, quando não era contratado do gabinete de Lopes, tentou dessa vez ser prefeito de Santos Dumont e perdeu. Ganhou, porém, um lugar entre os funcionários do padrinho político. “Eles são militantes e têm luz própria. São legítimas as candidaturas e eu incentivei”, afirmou o deputado.

No gabinete do deputado federal Paulo Abi-Akel (PSDB-MG), quem tentou ser prefeito de Ipanema, no Vale do Rio Doce, foi o também tucano Rafael Victor da Silva Pereira. Não conseguiu, mesmo com o apoio de Abi-Akel, que fez até comício para ele. Pereira voltou a trabalhar em dezembro com o parlamentar. “Ele está comigo desde que cheguei aqui em 2007, infelizmente perdeu duas vezes a eleição para prefeito. É uma figura muito conhecida, um advogado respeitado, acho que quem incentivou foi a comunidade”, disse, quando questionado sobre sua participação na candidatura. O assessor trabalha no escritório em Belo Horizonte.

Amigo do deputado federal Miguel Corrêa Jr. (PT-MG) desde os tempos de militância nos diretórios estudantis, o assessor Daniel Alves do Carmo (PT) foi outro que deixou o gabinete para concorrer à Prefeitura de Matozinhos, na Região Metropolitana de BH, e não teve sucesso. Voltou ao gabinete em novembro do ano passado. “O conheço há mais de 20 anos e ele trabalha comigo desde que era vereador, em 2005”, conta Miguel Corrêa, que disse não ter incentivado nem desestimulado a candidatura. “É um desafio tão grande que tem que ser uma decisão da pessoa”, opinou.

O agora ministro Antônio Andrade (PMDB) até participou da campanha de dois assessores, Jeancarlo Ribeiro Guimarães Rodovalho (PMDB) e Onesil Leles Ferreira (PMDB), mas não conseguiu transferir seus votos. O primeiro foi derrotado na disputa pela Prefeitura de Vazante – da qual candidatou-se a vice-prefeito – e o segundo a uma cadeira de vereador em Patos de Minas. Sem mandato, voltaram para o gabinete em 5 de fevereiro deste ano e 5 de novembro do ano passado, respectivamente.

Vítor Penido ampliou a participação em seu quadro de funcionários. Depois de ver Wesley de Jesus Silva (DEM) derrotado na campanha para vereador em Nova Lima e readmiti-lo, deu vaga também a Wanio da Conceição Moreira (PDT), que perdeu as eleições para o Legislativo do Serro. “São representantes na cidade, pessoas sérias, corretas e, como fazem representação política, uma vez por mês prestam contas aqui em Nova Lima”, afirmou Penido.

Sensibilidade

Há aqueles que perderam as eleições mas ganharam um emprego. Que o diga o ex-vereador de Manga, Maurício Magalhães de Jesus (PR). Depois de mais de uma década no Legislativo, ele disputou, sem sucesso, a cadeira de prefeito da cidade do Norte de Minas. Foi aprovado para o gabinete do deputado federal Bernardo Santana (PR), onde trabalha desde 8 de janeiro. A tarefa do assessor é coordenar o escritório político do parlamentar no Norte de Minas. “O Maurício é muito competente e tem sensibilidade política grande. Ele sabe das dificuldades, sabe atender aos pleitos”, argumenta Santana, que curiosamente, não teve apoio do hoje aliado nas eleições de 2010, quando se elegeu deputado federal pela primeira vez. Na ocasião, Maurício Magalhães apoiou outro candidato, que não conquistou a vaga.

Margarida Salomão (PT), que assumiu o mandato em janeiro com a saída do petista Gilmar Machado, eleito prefeito de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, contratou Alex Leite de Freitas e Gilberto Gonçalves Quintão. Os dois foram derrotados respectivamente em Recreio e Rio Pomba, onde tentaram vagas nos legislativos municipais. A petista diz que a contratação foi pelas qualidades políticas dos funcionários. “É uma atividade necessariamente política, então faz sentido. São pessoas que têm identidade política com nossa proposta e experiência, o que é fundamental para um mandato como o meu que tem muita participação popular”, explicou.

 


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