Vereadores cassados voltam ao comando no Triângulo Mineiro elegendo parentes

Em Fronteira, no Triângulo, ex-vereadores que foram presos por desvio de dinheiro público e perderam o mandato conseguiram eleger parentes que assumiram cargos na mesa diretora

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postado em 03/03/2013 06:00 / atualizado em 03/03/2013 10:01

Alice Maciel

Renato Manfrim/Jornal Pontal - 20/07/2011

Pelo menos quatro ex-vereadores presos e cassados por desvio de dinheiro público em Fronteira, no Triângulo mineiro, em 2011, mantêm o controle da Câmara Municipal. Irmãos, madrasta e filho de políticos que perderam o mandato venceram o pleito em outubro e chegaram à Mesa Diretora da Casa. Estão na presidência, vice-presidência e na direção das duas principais comissões da Câmara: a de Legislação e Justiça e de Finanças.

Inelegíveis por oito anos, sete dos nove políticos cassados fizeram campanha para seus familiares, mas apenas quatro saíram vitoriosos nas urnas. A ex-presidente da Câmara Sileide Faitarone (PP) emplacou seu irmão, Sérgio Luiz Nascimento (PSDC), segundo mais votado na cidade, com 349 votos. Um morador que participou da posse dos novatos, e não quis se identificar, contou que ele dizia apontando para a irmã: “O mandato é dela, eu estou aqui representando”.

Carlos Mamed (PSDC) usou a imagem do pai, o ex-vereador Raidar Mamed (PSDC), durante a campanha. Nos cavaletes de propaganda os dois apareciam juntos com a seguinte frase: “Experiência do pai”. A mais votada da cidade, Cristiane Veraldi, é irmã de João Veraldi Júnior (PDT). Ela não só conseguiu o maior número de votos (390) como também foi eleita presidente da Câmara, por unanimidade. “Nós ganhamos a eleição pela nossa pessoa. Tenho competência para estar no cargo que estou. O meu irmão não tem influência nenhuma. As decisões são minhas”, garantiu Cristiane.

A vice-presidente da Casa, Marli Passuelo (PMDB), é madrasta do vereador cassado Eduardo Florêncio (PMDB). Os parentes que não participam da Mesa Diretora da Câmara de Fronteira ganharam a presidência das duas comissões mais cobiçadas: Carlos Mamed na de Legislação e Justiça e Sérgio Nascimento na de Finanças. Não tiveram a mesma sorte de Sileide, Raidar, João Veraldi e Eduardo, três vereadores que tentaram colocar representantes na câmara e acabaram ficando na suplência: Marcos Toledo (PSL) – irmão de Maurílio Carlos de Toledo (PSDB) –, Aida Saroute (PMN) – mãe de Samer Saroute (PMN) – e Cleidiane Soares (PDT), mulher de José Marcelo Soares (PDT). Segundo mostrou reportagem do Estado de Minas, publicada em setembro, os sete, então candidatos a vereador, negaram ter sido influenciados pelos ex-parlamentares e garantiram que sempre tiveram a pretensão de seguir carreira política.

Atrás das grades A cidade de Fronteira, com 15 mil habitantes, virou destaque nos noticiários em julho de 2011, quando os nove vereadores do município foram presos. Eles saíram algemados do fórum da cidade vizinha Frutal, quando iriam participar de uma audiência. Afastados da câmara, eles foram cassados pelos seus suplentes e, até que seja revertida a cassação, estão inelegíveis por oito anos. A investigação do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) comprovou que os parlamentares consumiram boa parte dos R$ 3 mil mensais, referentes a verba indenizatória, com rodízios de carne, rodadas de chope, garrafas de vodca e combustível.
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