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Estado de Minas

Ficha-suja na Bahia vira prefeito em Minas Gerais


postado em 07/12/2012 00:12 / atualizado em 07/12/2012 07:12

Iracema Amaral

No vaivém dos políticos em busca de poder, um ex-vereador de Mucuri, cidade localizada no Sul da Bahia, resolveu trocar de  domicílio eleitoral para conseguir se eleger em Minas Gerais. O estratagema deu certo e o ex-parlamentar baiano Agripino Botelho Barreto (PR), de 48 anos, é um dos 853 prefeitos eleitos no estado este ano para um mandato de quatro anos. Em Serra dos Aimorés, no Nordeste de Minas, Barreto conseguiu passar pelo crivo de 2.155 eleitores, de um total de 5.928 aptos a votar, e vai comandar um município com população de 8.412 habitantes, voltada, sobretudo, para a produção agrícola.

O exílio voluntário de Barreto aconteceu no meio do ano passado, quando ele renunciou ao cargo de vereador da Câmara Municipal de Mucuri, onde ocupou também o cargo de presidente. Ele deixou para trás não só dois mandatos consecutivos, a partir de 2005, mas também duas ações contra ele na Justiça comum. A primeira relacionada à contratação irregular de nove assessores parlamentares, cujos salários Botelho embolsava, por meio de uma procuração assinada pelos próprios servidores nomeados por ele.

Wilken Fontes de Albuquerque, um dos nomeados por Barreto para um cargo em comissão na Câmara – cujo nome consta na ação civil pública por ato de improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público da Bahia –, declarou que assinou a procuração achando tratar-se de um documento para que pudesse receber benefícios do Programa Bolsa-Família. O documento com a ação não registra o valor total que o então vereador recebia por meio desse expediente. Entretanto, o contracheque de Wilken está anexado ao processo com valor destacado de R$ 1.920,20 mensais. De quebra, por meio de um vereador amigo, ele nomeou a mãe, Neide Botelho Barreto, e a mulher, Karine Almeida Aguiar, como funcionárias do gabinete.

Barreto ainda responde na Justiça a ação por formação de quadrilha para recebimento de propina envolvendo a legalização de um loteamento em Itabatã, distrito de Mucuri, por meio de projeto de lei aprovado no Legislativo municipal. O então vereador e hoje prefeito eleito de Serra dos Aimorés teve a prisão preventiva decretada, em dezembro do ano passado, pelo juiz Leonardo Santos Vieira Coelho, da comarca de Mucuri. Outros seis vereadores locais também tiveram prisões preventivas decretadas.

O prefeito eleito também é considerado ficha-suja pelo Tribunal de Contas da Bahia. A prestação de contas da Câmara Municipal de Mucuri relativa a 2010, quando ele era presidente da Casa, foi rejeitada pelo tribunal. Os conselheiros apontaram irregularidades na contratação de servidores para o Legislativo, relatórios de controle interno deficientes e gastos excessivos, que somam quase R$ 500 mil.

O registro da candidatura de Barreto poderá ser cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), impossibilitando-o de assumir o cargo de prefeito em janeiro. Durante a campanha, o registro foi indeferido em primeira instância, na comarca de Nanuque, cuja jurisdição abrange Serra dos Aimorés. A sentença no foro eleitoral local foi confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG). Barreto só conseguiu continuar em campanha graças à concessão de medida cautelar pelo TSE. Agora, ele aguarda o julgamento do mérito. Se perder, a estratégia montada no ano passado de mudar de domicilio eleitoral terá ido por água abaixo.

Outro lado O prefeito eleito de Serra dos Aimorés, Agripino Botelho Barreto, chamou de mentiras as denúncias contra ele. “Não existe isso não. Não tenho conhecimento”, esquivou-se, ao ser questionado sobre a contratação irregular de funcionários para o gabinete dele quando vereador em Mucuri. Ele negou também que tenha recebido propina, junto com outros seis vereadores, para aprovar o loteamento em Itabatã. A prisão preventiva de Barreto chegou a ser decretada por um juiz da comarca de Mucuri. “Não tenho vínculo com isso”, rechaçou.

Sobre o fato de ser apontado como ficha-suja pelo Tribunal de Contas da Bahia, Barreto alegou: “A história não é bem assim”. Ele lembrou que está se defendendo na Justiça e garantiu não ter havido qualquer ilícito em sua gestão na Presidência da Câmara. Já em relação ao fato de ter deixado a Bahia para se fixar em Minas, ele desconversou. “Moro em Serra dos Aimorés há quarenta anos”, disse. Quanto a ter sido vereador em Mucuri, alegou que o pai tem uma propriedade próxima à cidade.

 


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