Condenação de Dirceu causa impacto direto no comando do PT

Petistas avaliam que a condenação de Dirceu abrirá guerra por renovação no partido, projetando aliados do governo Dilma

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postado em 10/10/2012 06:00 / atualizado em 10/10/2012 08:01

Ana Maria Campos , Adriana Caitano

A curto prazo, a condenação de José Dirceu vai transformá-lo num mártir na militância do PT. O ex-todo poderoso ministro-chefe da Casa Civil tem popularidade entre petistas, exerce influência nas decisões da máquina partidária e nas gestões sob o comando de correligionários em prefeituras, estados e no Distrito Federal. A derrota jurídica, no entanto, vai alimentar uma guerra interna pela renovação. Antigos adversários nessa disputa, que não tinham espaço frente ao poderio da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), da qual Dirceu e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva são os principais expoentes, ganham cacife na queda de braço.

Na disputa partidária, crescem figuras de projeção do PT no governo da presidente Dilma Rousseff, como os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Educação, Aloizio Mercadante, além do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro. O principal embate entre petistas deve ocorrer em novembro de 2013, quando o PT realiza o processo de eleição direta (PED) para escolha do futuro presidente da legenda, aquele que vai colocar a cara para representar a campanha petista nas eleições de 2014.

Petistas avaliam que Dirceu sempre terá poder no PT, mas o pragmatismo político leva ao fortalecimento de quem tem mandato e espaço no governo. A Dirceu é creditado o papel de grande articulador da vitória de Lula na campanha eleitoral de 2002, quando o PT chegou ao poder no Palácio do Planalto depois de perder em 1989, 1994 e 1998. Então presidente do PT, Dirceu fez alianças consideradas esdrúxulas à época, especialmente com o PL (hoje PR), pela militância petista. A estratégia imposta a grande parte da legenda, no entanto, foi fundamental para o sucesso eleitoral.

Retorno

Após a crise do mensalão e a saída do governo, José Dirceu foi afastado do comando do PT temporariamente. Mas continuou atuando internamente. Há cerca de três anos, Dirceu conseguiu voltar à diretoria e ter poderes oficiais na legenda. Um petista detalha a força do ex-ministro da Casa Civil: “Quando ele fala, todo mundo ouve, mesmo que não concorde”. Em toda reunião partidária, ele é uma estrela. “Em todo evento ele é ovacionado pelos militantes, ficou mitificado por ter sido o responsável pela articulação que viabilizou a vitória do Lula em 2002”, relata um petista ligado ao comando do partido.

Para outra ala da legenda, Dirceu já não é mais um semideus, abaixo apenas do todo-poderoso ex-presidente da República. “Até pouco tempo, quem não conseguia falar com o Lula, ia atrás do Dirceu e seguia quase tudo o que ele ditava. Agora só a opinião do Lula interessa”, comenta uma liderança do PT.

À medida em que a possibilidade de condenação no julgamento do STF se concretizava, conta, o brilho do ex-ministro começou a se apagar. “O cara vai para a cadeia, como é que vai ter força? Pode continuar respeitado, mas nunca mais será a mesma coisa”, destaca o petista.

Ex-presidente do PT, o deputado federal Ricardo Berzoini (SP), importante liderança do CNB, também minimiza o poder atribuído ao companheiro. “O partido inteiro é solidário a ele, o considera uma vítima de perseguição política e reconhece sua inteligência e audacidade, mas ele não é esse mito todo que foi criado exageradamente, já perdeu muitas votações internas, já foi alvo de discordâncias”, assegura o parlamentar, que já foi um próximo aliado de Dirceu no PT.