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Lista de Furnas volta à tona

Reportagem da Veja apresenta gravações da PF que sugerem ligação de deputados mineiros com lobista para elaborar documento contra oposição

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postado em 11/12/2011 07:29 / atualizado em 11/12/2011 08:48

Marcelo da Fonseca

Túlio Santos e Renato Weil/EM/DA Press
Em uma suposta tentativa de ofuscar o escândalo do mensalão de 2005, deputados mineiros teriam encomendado a um lobista documento que comprovaria o envolvimento de parlamentares de outras legendas em um esquema irregular de financiamento de campanha envolvendo outros partidos. Segundo matéria publicada na edição desta semana da revista Veja, gravações feitas pela Polícia Federal em 2006 apontam contato direto do lobista Nilton Monteiro – preso em outubro deste ano por forjar notas promissórias – para discutir a elaboração da Lista de Furnas com pessoas ligadas ao deputado estadual Rogério Correia (PT), líder do bloco Minas sem Censura na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), e Agostinho Valente, ex-deputado petista, hoje filiado ao PDT.

Nas conversas gravadas pela PF, segundo a reportagem, o documento, que traria nomes e valores de políticos da oposição envolvidos em negociações de caixa dois para campanhas eleitorais, teria sido trocado por pagamentos diretos e benefícios junto a bancos públicos. As escutas comprovariam também como os deputados petistas encomendaram a lista com o objetivo claro de incriminar opositores durante o auge do mensalão e comprovariam que em 2009 o suposto falsificador tentou entregar o documento ao processo do mensalão que ainda tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O relator da causa no STF, ministro Joaquim Barbosa, rejeitou que o documento fosse apensado ao caso.

A denúncia publicada pela revista repercutiu entre parlamentares da oposição envolvidos no documento, que afirmaram que vão acionar o Judiciário e cobrar da PF a conclusão das investigações da suposta falsificação da Lista de Furnas. Citado no documento como beneficiário de caixa dois, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) quer que seu partido entre com uma representação contra Rogério Correia na ALMG e prometeu acionar judicialmente os envolvidos. “A matéria confirmou o que já sabíamos. Essa lista era uma operação do PT com um falsificador. Uma quadrilha operando para tentar calar e criar constrangimentos para a oposição”, afirmou Maia.

Outro que criticou as estratégias que teriam sido usadas pelos parlamentares mineiros na elaboração do documento foi o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). O parlamentar lembrou que a falsidade do documento já teria sido apontada pela CPI dos Correios, que investigou o escândalo do mensalão. “Era uma falsificação grosseira. Agora há comprovação pela gravação. Naquela época não tínhamos os nomes. Como essas gravações foram feitas com autorização judicial, o que se espera é providência judiciária, responsabilização e julgamento”, cobrou Dias.

Outro lado

O deputado Rogério Correia, um dos envolvidos nas denúncias da revista, afirmou ao Estado de Minas que levará amanhã ao plenário da Assembleia Legislativa a comprovação de que o documento foi autenticado pela Polícia Federal em 2006. O parlamentar mineiro lamentou que um tema antigo e já considerado comprovado pelos órgãos responsáveis tenha voltado à tona dessa forma. “Temos o laudo periciado da PF, assinado pelo Dimas Toledo (ex-diretor de Furnas), atestando que a lista é verdadeira e não teve qualquer irregularidade ou montagem. Esses documentos já foram divulgados na imprensa em 2006, mas vamos apresentá-los novamente”, explicou o petista. (Com agências)


Lista de furnas

Planilha que teria valores e informações sobre repasses a campanhas eleitorais de parlamentares e governantes de oposição durante o pleito de 2002. O documento teria sido apresentado durante a crise do mensalão do PT para fazer um contraponto às denúncias do esquema operado pelo publicitário Marcos Valério. O caixa dois denunciado seria organizado pelo então comandante da estatal, Dimas Toledo.