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Obras prioritárias para Minas continuam apenas na promessa dos presidenciáveis

Entra eleição, sai eleição, metrô de BH, Rodoanel e duplicação da BR-381 não saem do papel, mas não estão sempre no discurso dos candidatos

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postado em 24/10/2010 07:40 / atualizado em 24/10/2010 08:00

Isabella Souto /

Euler Junior/EM/D.A Press - 3/9/10


Minas Gerais tem ficado de fora da agenda do governo federal no que diz respeito à infraestrutura. Obras prioritárias – ampliação do metrô de Belo Horizonte, construção do Rodoanel e duplicação dos 301 quilômetros da BR-381 entre a capital e Governador Valadares, no Vale do Aço – não saem do papel. E em toda eleição a história é a mesma: são muitas as promessas de que elas serão finalizadas e poucas as ações de quem é eleito. Desta vez, o discurso que os mineiros estão cansados de ouvir vem dos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Mas o que eles parecem ter se esquecido de dizer é que quase nada foi feito pela União nos últimos 16 anos. Pouco mudou nos oito anos da gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB), do qual o candidato tucano fez parte nos ministérios da Saúde e Planejamento, e em igual período do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve a petista à frente dos ministérios de Minas e Energia e da Casa Civil.

Apontada como a solução para aliviar o pesado trânsito no Anel Rodoviário de Belo Horizonte – por onde trafegam cerca de 100 mil veículos por dia, dos quais 17% são de carga –, a construção do Anel Viário do Contorno Norte, ou Rodoanel, não passa de um sonho. Até agora, há apenas o esboço do projeto básico, elaborado há nove anos, no fim do mandato de FHC. Nos próximos dias, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), será lançado o edital para contratar a empresa que fará o projeto executivo, mas o estudo não deve ficar pronto em menos de um ano. Somente depois dele será lançado edital para as obras.

Futuro menos sombrio – mas nem por isso a ser comemorado – pode se esperar da duplicação da BR-381 entre BH e Governador Valadares. O projeto executivo já está em fase de finalização e deverá ser entregue ao Dnit até o fim deste ano. A expectativa é de que, até o primeiro semestre de 2011, seja lançado o edital para a contratação da empresa responsável pelas obras. A necessidade da obra é incontestável: o perigoso trecho entre a capital e João Monlevade é chamado de Rodovia da Morte por causa da grande quantidade de vítimas: 81 mortos em 2.111 acidentes em 2009.

Metrô

Alternativa para transporte rápido e melhoria no saturado trânsito de Belo Horizonte, o metrô passou pela última intervenção em dezembro de 2001, quando foi completada a atual frota de 25 locomotivas. Apenas a Linha 1 (Eldorado/Vilarinho) está em operação. Já os ramais 2 (Pampulha/Savassi) e 3 (Barreiro/região hospitalar) nem sequer têm projeto executivo formatado. Previsto para ficar pronto em 1986, o metrô está atrasado há pelo menos 24 anos.

Dinheiro não parece ser o principal empecilho para que as três importantes obras saiam do papel, mas sim a vontade política. Há mais de três anos, por exemplo, o Ministério dos Transportes informou que os recursos do Rodoanel estavam assegurados. A obra seria feita com parte dos R$ 2 bilhões previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado pelo presidente Lula e classificado por ele próprio como o espetáculo do crescimento, para intervenções em rodovias mineiras e para o metrô de Belo Horizonte. O restante seria usado na duplicação de 310 quilômetros da BR-381.

Em tempo de campanha…

Em evento na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em abril, a então pré-candidata a presidente ouviu cobranças sobre a ampliação do metrô da capital. “O metrô de Belo Horizonte tem tido poucos recursos e a gente tem recebido realmente pouco apoio do governo federal”, disse o então presidente da Fiemg, Robson Andrade. Ao comentar o assunto, Dilma afirmou que os investimentos para a construção e ampliação do metrô fazem parte da segunda etapa do PAC 2. “Vamos fazer metrô para cidades acima de 3 milhões de habitantes (incluindo as regiões metropolitanas). É essa a proposta do PAC 2. Vamos deixar o projeto, vamos deixar tudo pronto e, se possível, se o prefeito achar adequado, ele licite e a gente já começa fazendo em 2011”, assegurou a petista. Ela lembrou que o PAC 2 prevê recursos também para o Anel Rodoviário e intervenções na BR-381.

“Não ter mais metrô em Belo Horizonte é um absurdo. Porque metrô tem que se fazer quando a cidade não está muito grande. Belo Horizonte já está grande e não tem um quilômetro de metrô a mais há oito anos”, afirmou José Serra, durante evento de campanha em Venda Nova, em julho. O tucano garantiu que as obras para as novas linhas serão retomadas caso seja eleito presidente. Ele lembrou ainda que o senador eleito Aécio Neves (PSDB) chegou a apresentar ao governo federal um projeto de parceria público-privada (PPP) com o objetivo de conseguir recursos para a construção das linhas 2, que liga o Barreiro à região hospitalar, e da 3, que interliga a Pampulha à Savassi. Não houve resposta à proposta.

Solução ainda sem data

Orçado em cerca de R$ 800 milhões, o Rodoanel não tem data para ser construído, mas o projeto, que prevê ligar Sabará a Betim, é a principal alternativa para reduzir o movimentado e perigoso fluxo de veículos de carga do Anel Rodoviário de Belo Horizonte. A sonhada rodovia, que ainda passaria por outros cinco municípios da região metropolitana (Contagem, Vespasiano, Ribeirão das Neves, Pedro Leopoldo e Santa Luzia), também é importante para reduzir o alto índice de acidentes no Anel Rodoviário da capital. Só de janeiro a setembro de 2010, a Polícia Militar Rodoviária (PMRv) registrou 2.213 acidentes, com o saldo de 29 mortes e 936 feridos.

O último cronograma elaborado para o Rodoanel previa que o projeto executivo fosse concluído até março de 2008, quando começariam as obras, previstas para serem inauguradas até o fim deste ano. O projeto prevê uma extensão de 67,5 quilômetros e, segundo estimativa do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), receberá, em média, 4,5 mil veículos por dia, sendo 55% desse volume formado por caminhões. A frota pesada passaria a usar diariamente o novo traçado, composto por duas faixas de tráfego de 3,5 metros nos dois sentidos, uma faixa de segurança e canteiro central de 21 metros de largura.

Depois de anos de discussão, o projeto de engenharia do Rodoanel só foi elaborado em 2001. Ele faz parte de um programa de modernização e ampliação da capacidade de tráfego do trecho mineiro da BR-381. O objetivo principal é permitir que o tráfego das BRs 381, 262 e 040, além daquele vindo de outros estados, deixe de usar o Anel Rodoviário. Outro benefício que Minas Gerais teria com o Rodoanel é a integração ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na região metropolitana, a 15 quilômetros da nova rodovia. Mas, a julgar pelo histórico, os mineiros não trafegarão no Rodoanel tão cedo.
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