12ºC
22ºC 0mm

Dilma e Serra prometem o que não deveriam

Alice Maciel - Estado de Minas

Publicação: 13/09/2010 06:58 Atualização: 13/09/2010 07:45

Anúncio de José Serra de que pretende construir metrô nas cidades com mais de 500 mil habitantes geraria gastos astronômicos (Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Anúncio de José Serra de que pretende construir metrô nas cidades com mais de 500 mil habitantes geraria gastos astronômicos
Em campanha eleitoral, os candidatos não medem palavras para atrair a atenção e o voto dos eleitores. Na disputa pela vaga ao Palácio do Planalto, vale prometer o que é conveniente ao público ouvinte e, muitas vezes, esses compromissos assumidos, e inflamados pelo contexto político, são difíceis de serem cumpridos em um mandato de quatro anos. O professor de economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Cláudio Gontijo avaliou algumas promessas dos três principais candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), e concluiu que eles, em alguns momentos, passam da conta. É difícil acreditar que o próximo presidente da República vai conseguir construir linhas de metrô em todas as cidades com mais de 500 mil habitantes, conforme prometeu o candidato do PSDB, José Serra, em encontro com dissidentes de centrais sindicais, em São Paulo, em 1º de setembro.

Isso significa que 29 cidades do país vão receber, se Serra for eleito, as linhas de metrô, já que 36 cidades têm mais de 500 mil habitantes e sete delas já dispõem do transporte, apesar de ser precário. O metrô de Belo Horizonte espera por expansão há mais de 30 anos. Ela custaria aos cofres federais R$ 3,5 bilhões. "Do ponto de vista econômico, essas obras são extremamente caras. Para fazê-las, o governo teria que pegar dinheiro emprestado com o mercado externo e, com a atual taxa de juros do país, os gastos seriam astronômicos. Além disso, alguns municípios têm um sistema de drenagem complexo, o que encarece ainda mais a obra”, explicou Gontijo. O professor ainda ressaltou que o período de maturação desse tipo de obra é longo. Ele lembrou que só para construir o primeiro trecho da linha do metrô em São Paulo foram gastos seis anos.

No mesmo evento, o candidato tucano, sem entrar em detalhes, também se comprometeu a isentar de impostos os produtos da cesta básica para os trabalhadores. Mais uma proposta praticamente impossível de ser viabilizada. Segundo Gontijo, não existem impostos federais sobre alimentos, todos são estaduais. Logo, se presidente, Serra teria que entrar em um acordo com todos os estados do país para conseguir cumprir essa promessa. Os governadores teriam que aceitar perder essa parcela da arrecadação.

A candidata Dilma Rousseff também terá que se desdobrar para quadruplicar o número de mestres e doutores e alcançar a meta prometida de incentivar a formação de 220 mil mestres e doutores no Brasil, se eleita presidente. “Não sei se é um número desafiador, mas acho que é uma meta possível, de 220 mil pesquisadores, mestres e doutores”, afirmou a candidata durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Natal, em 28 de julho. Para o professor de economia, essa é uma meta extremamente ambiciosa. Ele ressaltou que, para atingi-la, não bastam investimentos, mas é necessário, também, tempo. "O processo para formar mestres e doutores é demorado, dura anos", acrescentou.

Meta para décadas

O problema de alto custo que Serra iria enfrentar para construir todos os metrôs estimados, Dilma também teria para universalizar o acesso a água potável, promessa feita pela ex-ministra em 19 de agosto, depois de visita à sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília. Para atingir a meta de universalização dos serviços de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto, conforme dados do governo, é preciso investir R$ 10 bilhões por ano, ao longo de duas décadas, algo impossível para um mandato. “Atingir a meta de 100% de abastecimento de água potável é quase impossível, dada a amplitude do país e levando-se em conta os pequenos municípios”, analisa Gontijo.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Envie sua história efaça parte da rede de conteúdo do grupo Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.