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Vacinação contra febre aftosa deve ser realizada de 1º a 31 de maio

Produtor que descumprir a determinação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) será autuado e pagará multa
CCPR - Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais

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postado em 19/04/2016 09:58 / atualizado em 02/06/2016 13:16

Mônica Salomão

Gilson de Souza

No dia 1º de maio começa na maioria dos estados brasileiros a campanha nacional de vacinação contra a febre aftosa. Nesta primeira etapa, que vai até o dia 31, devem ser vacinados os bovinos e bubalinos de todas as idades. O produtor que descumprir a determinação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) será autuado pelo órgão estadual de fiscalização e pagará multa.

Em Minas Gerais, esta responsabilidade compete ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). A multa para quem deixar de vacinar o rebanho no prazo será de R$ 75,25 por animal e a não comprovação da vacinação até o dia 10 de junho implicará no pagamento de R$ 15,05 por cabeça. Em 2015, o IMA registrou índices de comprovação da vacinação contra a febre aftosa acima de 96% nas duas etapas. Para este ano, a estimativa é que mais de 97% do rebanho do estado seja vacinado.

Na Fazenda Tesourinho, localizada em Sete Lagoas, a 70 Km de Belo Horizonte, serão vacinados 57 animais na primeira fase da campanha e cerca de 20 na segunda, em novembro. A vacinação do rebanho, diz o proprietário Adilson Evangelista Silva, está programada para ocorrer no dia da visita mensal do médico veterinário Marcos Nélio Marangon à propriedade. “Desde que comecei a participar do projeto Educampo, há cinco anos, quem aplica as vacinas obrigatórias, contra febre aftosa e brucelose, é o consultor.”

Já a aplicação das demais vacinas do calendário da propriedade - raiva dos herbívoros, carbúnculo sintomático (mal de ano), paratifo, IBR/BVD e leptospira - é de responsabilidade dos funcionários da propriedade Geraldo Ribeiro e Nielson Dias. Ambos foram capacitados em cursos oferecidos pelo Senar. “Como acompanho a produção de perto, aprendi com o veterinário e também aplico as vacinas”, conta Silva.

Consequências
A febre aftosa é uma doença infecciosa aguda, provocada por vírus, que causa febre e vesículas (aftas) na boca e pés de animais de casco fendido. Além dos prejuízos ocasionados pela diminuição da produção de leite, perda de peso e por se tornarem animais inapropriados para reprodução, o principal deles, aponta Altino Rodrigues Neto, superintendente técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), é comercial. “As fortes barreiras colocadas no comércio, tanto interno quanto externo, para a entrada de produtos e animais oriundos de estados com a doença gera efeitos negativos sobre a pecuária e toda a economia do país, com graves consequências sociais”, afirma Neto, diretor geral do IMA entre 2003 e 2014.

De acordo com o fiscal agropecuário do IMA Natanael Lamas Dias, o último registro de febre aftosa ocorreu em maio de 1996 e o estado possui o reconhecimento de zona livre com vacinação desde 2001. “Essa condição favorece o agronegócio, o acesso a mercados internacionais e contribui de forma destacada para o PIB mineiro”, enumera.

No entanto, Dias chama a atenção para a importância das ações preventivas uma vez que, por ser uma doença viral altamente transmissível, a febre aftosa pode se espalhar rapidamente. “Podemos concluir que se fosse detectado algum caso positivo de febre aftosa os prejuízos seriam incalculáveis. Isso porque uma única ocorrência já seria suficiente para desencadear uma ‘operação de guerra’ dentro de Minas Gerais, envolvendo órgãos de diversas áreas dos governos Federal e Estadual”, alerta.

Nesta situação hipotética, a primeira providência seria a comunicação do fato ao MAPA que, por sua vez, repassaria a informação à OIE (Organização Mundial de Saúde Animal). Na sequência, seria suspenso para o estado o status de área livre de febre aftosa com vacinação. De forma imediata, todos os bovinos contaminados e os demais, doentes ou não, em propriedades num raio de 3 km da área contaminada deveriam ser abatidos e enterrados em valas, abertas com base em orientações passadas pelos órgãos de meio ambiente.

Paralelamente, seria necessário fazer o atendimento às propriedades vizinhas ao foco da doença num raio de 7 km, com inspeção de todos os animais susceptíveis por meio da realização de exames de boca e pata. Por fim, seria preciso instalar barreiras sanitárias e controlar o trânsito de animais, pessoas, produtos e subprodutos, assim como realizar a desinfecção dos veículos num raio de 25 km.

Prevenção
Para que o Brasil permaneça na condição de país livre da doença, o MAPA, por meio da Instrução Normativa 44/2007, desenvolveu o Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA), conforme estabelecido pelo Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária. O programa tem como objetivos a erradicação da doença em todo o território nacional e a sustentação dessa condição sanitária por meio da implantação de um sistema apoiado na manutenção das estruturas do serviço veterinário oficial e na participação da comunidade. Sua execução é fundamentada em critérios científicos e nas diretrizes internacionais de luta contra a doença, com responsabilidades compartilhadas entre os setores públicos e privados.

Para Antônio Cândido Cerqueira Leite, analista da Embrapa Gado de Leite, o produtor tem um papel de extrema importância no programa. “É preciso que haja mais conscientização por parte dos produtores”, enfatiza. De acordo com ele, para que as medidas preventivas sejam exitosas é imprescindível capacitar a mão de obra. “Quando a mão de obra é treinada, é possível desenvolver um manejo preventivo de doenças mais efetivo nos rebanhos. Além disso, conseguimos aumentar os cuidados com as próprias vacinas na medida em que começa a existir uma preocupação maior com relação à temperatura adequada para o seu armazenamento e com o fato de que as seringas e agulhas precisam estar em condições ideais para utilização”, exemplifica.

A segunda etapa da campanha contra a febre aftosa ocorre no mês de novembro, quando devem ser vacinados todos os animais com até 24 meses de idade.

Vacinação contra brucelose também e obrigatória


A vacinação contra brucelose também integra o calendário nacional e deve serrealizada sob a responsabilidade técnica de um médico veterinário cadastrado no IMA. Seu público-alvo são as fêmeas bovinas e bubalinas com idades entre três e oito meses. A coordenadora em Minas Gerais do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal na Gerência de Defesa Animal do IMA, Luciana Faria de Oliveira, esclarece que os produtores são obrigados a declarar no mínimo uma vez a cada semestre a vacinação das fêmeas de seus rebanhos.

Além das perdas econômicas causadas à atividade leiteira, relacionadas aosabortos, natimortalidade, ao aumento do intervalo entre partos e diminuição da produção de leite, Gabriela Bicca da Silveira, fiscal federal agropecuário do Mapa, aponta os prejuízos relacionados à segurança alimentar. “Por ser uma zoonose, a brucelose pode ser transmitida ao homem. O contágio pode acontecer pelo consumo de leite cru ou de produtos lácteos, que não foram submetidos a tratamento térmico, oriundos de animais doentes.”

Criado em 2001 pelo Mapa, o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT) tem trazido contribuições significativas para a bovinocultura. Estudo realizado em 2002 indicou que a prevalência de animais infectados com brucelose no estado era de 1,1% e de propriedades que continham pelo menos um animal positivo era de 6,0%. Novo estudo concluído em 2012 revelou queda para uma prevalência de 0,8% de animais positivos e de 3,5% de propriedades com animais infectados.

O programa está passando por revisão e, segundo Gabriela, será publicada uma nova legislação neste mês. “A principal proposta de alteração é a determinação de medidas a serem implementadas pelos serviços sanitários estaduais, de acordo com a prevalência da brucelose e da tuberculose em seus rebanhos e a classificação dos estados considerando a condição sanitária que possuem em relação a essas doenças.” Como não existe vacina contra a tuberculose, o produtor precisa ter controle do calendário sanitário dos animais adquiridos, ou seja, deve exigir exames negativos dessas cabeças antes de introduzi-las em seu rebanho.

Na Fazenda Tesourinho a vacinação contra brucelose é realizada de quatro emquatro meses.  “Como o frasco rende 20 doses, estabelecemos esse intervalo para diminuir o desperdício”, pontua Adilson Silva. Considerando as sete vacinas que são aplicadas no rebanho da propriedade, o investimento representou no ano passado 0,115% do custo total de produção do leite. “Este custo é irrisório diante dos prejuízos que podem ser causados. A meu ver, é inadmissível um produtor não vacinar os animais. Ao agir assim, ele coloca em risco não apenas o seu negócio como também a produção de propriedades vizinhas e, quem sabe, de toda uma região”, considera.