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Saiba como escolher a melhor técnica de reprodução para o seu rebanho

Conheça as vantagens da fertilização in vitro e da transferência de embriões

CCPR - Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais
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postado em 12/02/2016 15:38

Júlia Fernandes /

Luiz Crosara

Na Fazenda Nova Terra, em Uberaba (MG), o produtor Luiz Carlos Rodrigues realiza o procedimento de fertilização in vitro (FIV) para o melhoramento genético de seu rebanho há sete anos. O associado da Cooperativa dos Produtores Rurais do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (Cotrial) tem um plantel formado por animais da raça Girolando, que produzem 2.000 litros de leite por dia, com 115 vacas em lactação. O investimento em genética se deu pela necessidade de aumentar a produção e a produtividade, além de atender às exigências do mercado lácteo.

A FIV, como define o pesquisador da Epamig André Oliveira, é a produção em laboratório de um embrião. O procedimento é composto de algumas etapas, como a obtenção dos “óocitos”, que são os gametas femininos. A técnica mais utilizada para obter estes gametas é a aspiração folicular guiada por ultrassonografia. O material colhido deve entrar em processo de maturação para que seja fertilizado. Depois, postos em uma placa, o sêmen e os oócitos entrarão em contato e ocorrerá a fertilização.

Depois de fertilizados, os gametas femininos são levados para um terceiro meio chamado de “cultivo embrionário” e se desenvolverão até que estejam aptos para serem transferidos para as receptoras de embriões ou então, são congelados. A FIV, que também pode ser chamada de produção in vitro de embriões (PIVE), precisa de oito dias em média para completar o processo.

“As receptoras de embriões, normalmente são novilhas ou vacas vazias, que passaram por um protocolo hormonal de indução de cio e ovulação. É importante ressaltar que as receptoras deverão estar em cio no mesmo momento da aspiração folicular”, explica o pesquisador.

A pesquisadora da Embrapa Gado de Leite Clara Slade explica que a técnica permite produzir uma grande quantidade de descendentes de animais geneticamente superiores. “Caso exista algum animal diferenciado na fazenda, a FIV se destaca como uma ótima oportunidade para disseminar esta genética. Outra vantagem fantástica para os rebanhos leiteiros é a facilidade no uso do sêmen sexado, que apresenta excelentes resultados. Hoje, existem no mercado muitas opções deste tipo de sêmen e com a sua utilização, os nascimentos de machos são reduzidos a 10%. Em propriedades leiteiras, essa condição melhora muito a eficiência de produção de bezerras”, analisa.

Na propriedade em Uberaba, é realizada uma criteriosa escolha das doadoras, que recebem um tratamento diferenciado. “As doadoras são separadas em um lote, pois são aquelas que têm a eficiência da raça Girolando. Para estes animais, é fornecida uma nutrição diferenciada, porque além de produzir leite, a vaca tem que produzir oócito. Há uma exigência muito grande para este animal, mas vale a pena. Quando fazemos a FIV, temos a certeza de que a bezerra vai ser melhor do que a mãe e desta forma estamos promovendo uma evolução genética no rebanho”, avalia o produtor Luiz Carlos Rodrigues.
Na Fazenda Nova Terra, o procedimento é feito em 15 vacas doadoras e que irão fornecer material genético para cerca de 100 a 150 receptoras. O processo é realizado entre os meses de janeiro a abril. O custo desta técnica na propriedade gira em torno de R$ 400 a R$ 500,00, desconsiderando os custos de manejo com a receptora.

Para acompanhar e colher os resultados, o produtor afirma que é preciso esperar por uma média de dois a três anos. “O processo começa com a escolha da doadora, depois começa o processo de aspiração aos nove meses. Em seguida, aos 16 meses, é o momento de ‘emprenhar’. O trabalho é árduo e tem que ser planejado”, contextualiza.

A escolha da raça Girolando foi feita em função da junção da rusticidade da raça Gir e da aptidão para a produção de leite, da raça Holandesa. “A raça Girolando veio para se adaptar à realidade brasileira e às regiões mais quentes. Em minha propriedade, observo bons resultados na qualidade, produção de sólidos no leite e volume”, conta o produtor.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Luiz Sérgio Almeida, a FIV é o principal procedimento adotado no Brasil, seja para gado de leite ou para corte. Atualmente, o país é o maior produtor de embriões pela técnica no mundo.


Transferência de embriões
Depois da FIV, a transferência de embriões (TE) é a técnica mais utilizada pelos produtores brasileiros e é um procedimento que antecede a fertilização in vitro, tendo seu início na década de 80. A FIV, apesar de ter se destacado comercialmente nos anos 2000, chegou ao país na década de 90.

Na técnica de TE, os embriões são produzidos no útero da doadora. Para isso, as fêmeas recebem hormônios, que induzem ovulações múltiplas. A doadora é inseminada, os óvulos são fecundados e os embriões se desenvolvem em seu sistema reprodutor. “Ao final do processo, o útero do animal é ‘lavado’ e os embriões produzidos são coletados, avaliados e transferidos para receptoras de embriões”, explica a pesquisadora Clara Slade.

A vantagem deste procedimento é que não é necessário ter a disposição uma estrutura de laboratório, como no caso da FIV. Os embriões estarão protegidos e crescerão no “trato reprodutivo” da doadora. No dia da coleta, uma estrutura móvel de laboratório é montada na propriedade apenas para rastreamento e envase dos embriões recuperados, que são transferidos no mesmo dia para as receptoras.

O produtor Francisco Glycério, associado da Cooperativa Mista e Agropecuária de João Pinheiro, tem uma satisfatória experiência com o uso da técnica de transferência de embriões na Fazenda Anjo de Ave Maria. “A grande vantagem é multiplicar a genética de animais de alta qualidade. As novilhas oriundas da penúltima transferência que fizemos já vão parir a partir de maio. É a segunda geração de animais de melhoramento genético nascidos na fazenda”, conta o produtor. A produção diária de leite da propriedade é de 3500 litros, com 140 vacas em lactação.

 

FIV ou TE?
O pesquisador Luiz Sérgio Almeida explica que ambas as técnicas são acessíveis. Mas, em função da existência de inúmeros laboratórios comerciais distribuídos no país, é possível adquirir embriões de FIV com mais facilidade. Além disso, ele alerta que o sucesso do procedimento depende da adoção de medidas simples que envolvem o manejo sanitário, nutricional e reprodutivo, mas que exigem dedicação.

As doadoras e receptoras devem ser vacinadas de acordo com as recomendações do veterinário e o estado nutricional deve ser adequado a esta condição reprodutiva para evitar perdas ou ganhos de peso em excesso, assim com o desbalanceamento nutricional. “O manejo reprodutivo envolve boa organização das anotações e a identificação correta dos eventos reprodutivos, como parto e cios, assim como seguir as orientações do veterinário para protocolos envolvendo a coleta e a transferência de embriões. O produtor antes de adotar uma destas duas tecnologias deve fazer um balanço das necessidades de sua propriedade, qual objetivo deseja alcançar, em qual intervalo de tempo e a que custo”, diz.

O custo para a realização da FIV, como apresenta a pesquisadora Clara Slade, é de R$400 a R$500 reais, no qual há um valor fixo por prenhez, que pode variar de acordo com fatores como a raça da doadora e a localização da propriedade. Já a TE, de acordo com o pesquisador André Oliveira, poderá ultrapassar R$500. Deve-se levar em conta o valor do sêmen utilizado, os custos com os hormônios e a ‘lavagem’ da doadora.

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