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Gordura e proteína

Produtores mineiros obtêm bons resultados na produção de sólidos

Com manejo adequado, produtores garantem qualidade e índices satisfatórios de gordura e proteína no leite

CCPR - Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais
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postado em 28/12/2015 06:00 / atualizado em 28/12/2015 07:41

Júlia Fernandes /

Gilson de Souza

A qualidade do leite é o tema de maior importância nas propriedades leiteiras. Na Fazenda Bueno, em Monjolos (MG), esta é a palavra de ordem. O produtor Otto Miranda de Oliveira segue à risca as dicas técnicas para a obtenção de bons índices de Contagem Bacteriana Total (CBT), Contagem de Células Somáticas (CCS) e também de gordura e proteína, para os quais, dedica atenção especial ao manejo nutricional e à genética do rebanho.

Os pesquisadores da área de nutrição animal da Embrapa Gado de Leite, Fernanda Machado, Luiz Gustavo Pereira, Mariana Magalhães Campos, Thierry Tomich e o pós-doutorando Fernando Pimont Pôssas, afirmam que a composição do leite é influenciada pela alimentação e pelo status metabólico das vacas. A variação nesta composição é importante para monitorar os efeitos da alimentação das vacas e ajudar na detecção de problemas relacionados à saúde.

O teor de gordura do leite está relacionado com a saúde ruminal (relação de consumo de volumoso e concentrado) e também com os níveis de fibra e carboidratos da dieta. Quando se observa níveis baixos de gordura, pode-se suspeitar de uma dieta rica em concentrado (excesso de carboidratos não fibrosos), baixos níveis de fibra, excesso de carboidratos rapidamente fermentáveis ou até mesmo excesso de óleos insaturados.

Já para o teor de proteína, a variação na composição é menor em relação ao que ocorre com a gordura, sendo muito relacionada a fatores genéticos. A síntese de proteína do leite está atrelada à quantidade de aminoácidos que chegam até à glândula mamária e pela síntese de proteína microbiana no rúmen. Outra observação importante, é que se deve esperar que os teores de gordura sejam maiores do que os teores de proteína. Quando ocorre inversão desses valores, problemas nutricionais e/ou metabólicos podem ser detectados.

De acordo com o médico veterinário e gerente técnico do Laboratório de Qualidade do Leite da Universidade Federal de Goiás (UFG), Rodrigo Neves, a Instrução Normativa 62 (IN 62) estabelece os valores mínimos de 3,0 g (3%) para gordura e 2,9 (2,90%) para proteína. Os parâmetros não foram modificados desde a publicação da instrução normativa, em dezembro de 2011 e não haverá alterações para 2016. O padrão legal para CBT é de 300.000 ufc/mL e para CCS é de 500.000 cél/mL, válidos até junho de 2016.

Na propriedade em Monjolos (MG), os teores de gordura e proteína são respectivamente, 4,28% e 3,33%. O valor de CCS é 444.180 cél/mL e de CBT, 7.071 ufc/mL. A produção diária de leite é de 2.400 litros, com 180 vacas em lactação.

A Fazenda Bueno participa do programa de redução da CCS realizado pela CCPR/Itambé em parceria com a Clínica do Leite (ESALQ/USP), há quatro meses. Neste período, já foram realizadas mudanças de manejo e treinamento dos funcionários da ordenha para a correta higienização, com o acompanhamento do supervisor de projetos e qualidade Yuri César Tristão.

“Sempre me preocupei com a qualidade do leite em todos os aspectos. Acredito que os valores de gordura e proteína são influenciados, principalmente, pela alimentação e pela genética. Por isso, trabalhamos no melhoramento do rebanho há mais de 20 anos e procuramos nos aperfeiçoar sempre. Na alimentação oferecemos uma dieta, formulada por um médico veterinário, que contém silagem de boa qualidade, soja, polpa cítrica, núcleo e ureia. Na ordenha, oferecemos às vacas a ração CCPR Lacmaster”, explica o produtor Otto Miranda de Oliveira, que produz leite com o apoio de sua mãe, Clea de Sá Miranda de Oliveira. Eles são associados da Cooperativa dos Produtores Rurais da Região Central de Minas Gerais (Producentro).

Na Fazenda Guará, localizada em Curvelo (MG), o produtor Ricardo Malheiros, que também é associado da Producentro, se empenha na busca de bons índices de gordura e proteína, registrando os valores de 4,05% e 3,39%, respectivamente. A produção diária de leite da fazenda é de 2.450 litros, com a meta de aumentar o volume para 4.000 litros até 2017. O foco em sua propriedade é a formulação de uma dieta adequada ao rebanho.

“Uma vez ao mês o leite é pesado e são formados os lotes de produção. A partir daí, é gerado um relatório que contém a exigência nutricional de cada lote e ajustamos a dieta, buscando atender os animais e o custo/benefício desta formulação. Dietas equivocadas levam a distúrbios ruminais, atrapalhando todo o processo de fermentação e diminuição da saúde, como um todo. Quando o animal está debilitado, não consegue produzir leite em volume e qualidade”, contextualiza Malheiros.

O gerente técnico do Laboratório de Qualidade do Leite da Universidade Federal de Goiás (UFG), Rodrigo Neves, recomenda que os produtores garantam a saúde da glândula mamária nos rebanhos para evitar a redução dos teores de gordura e proteína, que são relacionados à mastite. “Os produtores devem realizar a correta higienização dos utensílios utilizados na ordenha e no armazenamento do leite para evitar possíveis alterações na composição provocadas por contaminação microbiana”, diz.

O profissional também preconiza que é preciso avaliar se a média dos teores de gordura e proteína está dentro do padrão da raça. Quando os valores estiverem 0,3% abaixo da média da raça, pode haver algum problema. Raças como Jersey, Pardo-Suíço, Gir e Girolando apresentam leite com maior teor para sólidos.

Em São Francisco de Paula (MG), a produtora Eunice Frota Campos, associada da Cooperativa Agrícola Alto Rio Grande (Caarg), é bastante criteriosa quando o assunto é melhoramento genético para a produção de sólidos. “Na escolha dos sêmens, são verificadas informações sobre produção (leite, gordura e proteína) e dados complementares como vida produtiva, CCS, sanidade de casco e fertilidade. Neste processo, são utilizados apenas touros com alta confiabilidade, que realmente tragam melhoramentos ao plantel”, analisa.

A produção diária de leite na Fazenda Caiana é de 3.500 litros e o seu rebanho é composto por animais da raça Girolando. Os teores de gordura e proteína são 4,07% e 3,45%, respectivamente. A propriedade conta com o apoio de nove funcionários, que trabalham com alguns princípios básicos preconizados pela produtora, como manejo adequado e eficiente, produção otimizada, qualidade produtiva e busca pelo melhor equilíbrio de custo/benefício para assegurar uma atividade verdadeiramente sustentável.

“A produção de leite de alta qualidade, com bons índices de proteína e gordura, tem contribuído para um resultado financeiro positivo”, complementa a produtora.

Para estimular o aprimoramento contínuo dos produtores na busca pela qualidade, a CCPR/Itambé desenvolve há mais de 20 anos, o Programa de Pagamento pela Qualidade do Leite, que estipula bonificações diferenciadas para a obtenção dos padrões definidos pela empresa. Por meio de ampla orientação e acompanhamento, os produtores tornam-se mais competitivos, aumentando a sua produtividade e rentabilidade, com foco na qualidade do leite produzido.

Os pesquisadores da área de nutrição animal da Embrapa Gado de Leite explicam também que em função do aumento dos custos de produção e redução das margens de lucro, os produtores precisam se atentar para as tecnologias e estratégias nutricionais e de manejo que maximizem a produção de leite, sem que isso interfira na saúde dos animais. Com a produção máxima e também produzindo um leite de alto valor comercial, haverá o aumento da eficiência econômica do sistema de produção e melhor remuneração.