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Em nota, CNBB lamenta desastre em Mariana e sugere marco regulatório

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postado em 26/11/2015 19:29 / atualizado em 26/11/2015 19:38

Agência Estado

Sérgio Lima/Folhapress
Brasília, 26 - O bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Leonardo Steiner, afirmou que a fé dos atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), permitirá que eles "não sejam levados ao desespero e consigam caminhar mesmo em cima da lama". A CNBB lançou nota lamentando o desastre e sugerindo um marco regulatório que "tire do centro o lucro exorbitante das mineradoras ao preço do sacrifício humano e da depredação do meio ambiente".

D. Steiner disse, ainda, que a CNBB - diferente do que fez com as vítimas das enchentes de Santa Catarina e dos terremotos do Haiti e do Nepal - não criará a campanha de arrecadação de donativos SOS Mariana, embora tenha aberto duas contas bancárias para doações em dinheiro. "Temos receio de que, ao saber que há muita gente doando, a mineradora se isente da responsabilidade de arcar com custos."

A destruição das casas e dos locais de celebração religiosa, assim como boa parte das artes sacras desaparecidas, foram outras perdas lamentadas pelo bispo. "A tragédia não foi obra de Deus, foi uma ação exterior causada pela mão humana", disse.

PRESÍDIOS A CNBB divulgou outra nota manifestando-se contra o projeto de lei, em tramitação no Senado, que estabelece contratações de parcerias público-privadas para construir e administrar cadeias no País. "Isso é tirar lucro da condenação de uma pessoa", criticou Dom Leonardo Steiner.

No documento, a entidade afirma que "lucro e pena não combinam" e que "um sistema carcerário privatizado abre possibilidades para mais e maiores penas." Steiner falou sobre a situação das mulheres presas e sua incapacidade, em geral, de exercer a maternidade. "Os filhos deveriam ficar com as mães até uma certa idade, mas com o ambiente que temos nos presídios brasileiros, podemos imaginar o desastre", afirmou.

Presídios privatizados poderiam comprometer a ressocialização dos detentos, uma vez que "poderia haver uma tentativa de mantê-los presos por mais tempo e um impedimento do acesso de visitantes e da Pastoral Carcerária, que oferece elementos de integração", sugeriu o secretário.
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