Médicos cassados por abusos

CFM cancelou 20 registros desde 2001 por casos como o de Roger Abdelmassih

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postado em 24/08/2014 06:00 / atualizado em 24/08/2014 08:27

Julia Chaib

Brasília – O caso do ex-médico Roger Abdelmassih, acusado de 56 estupros contra 39 mulheres, é retrato de uma violação rotineira no país. De 2001 até o último mês de junho, o Conselho Federal de Medicina (CFM) cassou o registro de 20 profissionais acusados de abuso sexual de pacientes — quase a metade do total de médicos que tiveram o direito de exercer a atividade anulado no período, 49. Só neste ano, já houve três casos de afastamento por abuso sexual.
As primeiras denúncias contra o ex-médico considerado o “papa da fertilização in vitro” no Brasil surgiram em 2008. A secretária de Abdelmassih foi ao Ministério Público e relatou que ele havia tentado beijá-la. O relato abriu possibilidade para que diversas pacientes fizessem o mesmo.


Na maioria dos casos, Abdelmassih se aproveitava do momento em que as mulheres estavam sedadas para estuprá-las. De acordo com o CFM, os processos levam em média de seis a oito meses para tramitarem, embora, na prática, o tempo seja maior. Isso porque a investigação começa no conselho regional e pode demorar à chegar na entidade federal. Fora do âmbito judicial, os médicos acusados de cometer abuso sexual são enquadrados em dois artigos do Código de Ética da profissão. O CFM não comentou o caso de Abdelmassih, nem dos outros profissionais, mas informou, em nota, que se preocupa com “o respeito ao amplo direito de defesa do profissional”. “Para tanto, quando os processos dão entrada no CFM, todos os prazos preenchem os limites necessários para uma correta avaliação. Isso impede futuros questionamentos na Justiça comum que podem levar à anulação da sentença.”

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