USP de Ribeirão Preto usará derivado da maconha em pesquisa sobre sono

Objetivo do estudo é saber como o canabidiol age no cérebro e se é capaz de fazer com que a pessoa durma melhor

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postado em 18/08/2014 21:01 / atualizado em 18/08/2014 21:39

Agência Estado

Após conseguir a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) está convocando voluntários para um estudo com canabidiol. A substância, motivo de polêmica no Brasil por ser proveniente da maconha, teria a capacidade de agir no cérebro e interferir no sono.

Pessoas na faixa de 18 a 50 anos, que não usem medicamentos nem tenham distúrbio de sono, estão sendo chamadas pela faculdade para participar da pesquisa. O objetivo do estudo é saber como a substância age no cérebro e se é capaz de fazer com que a pessoa durma melhor. Por isso, serão escolhidos 40 voluntários que precisarão passar duas noites no Hospital das Clínicas de Ribeirão.

Pesquisas desenvolvidas em outros países já indicam a eficácia do canabidiol no tratamento da insônia, assim como outros trabalhos realizados na própria USP.

Segundo o professor José Alexandre de Souza Crippa, que é orientador da pesquisa, testes em animais e até mesmo em alguns humanos mostraram que o canabidiol pode ter um benefício muito grande para tratar dos distúrbios do sono. Ele explica que as medicações que são usadas hoje no tratamento causam problemas como a dependência, algo que não ocorre com a nova substância.

Para Crippa, esta pode ser uma nova opção também para tratar Parkinson, ansiedade e psicose, entre outras doenças. Ele acredita que o fato de a novidade vir da erva causa uma confusão que acaba dificultando a legalização do uso. “Pensam que estão liberando a maconha, mas este é apenas um dos 400 compostos que estão nela.”

Para o pesquisador, o fato de Estados Unidos e países da Europa já terem liberado o canabidiol é sinal de que o Brasil deveria seguir o mesmo caminho. A Anvisa já autorizou neste ano 37 pacientes com problemas diversos a adquirir o remédio, que é importado. Crippa acredita que a liberação no País talvez aconteça ainda neste ano.

Exigências

Hoje, para conseguir o canabidiol é preciso, além do laudo médico, enviar outros documentos para análise da Anvisa. Para pesquisas também não é fácil conseguir a licença, mas neste caso já foi autorizado o uso em testes. A psicóloga Ila Marques Porto Linares será a responsável pelo trabalho.

A pesquisa “Efeitos da administração de canabidiol no ciclo do sono, vigília em pacientes saudáveis” vai examinar as pessoas que serão submetidas a exames enquanto dormem. Em uma das noites no hospital, os voluntários tomarão o canabidiol e, na outra, um placebo, tendo em ambas o sono mapeado para se descobrir como a substância age no cérebro. O estudo deve ser concluído em 2015.

Para participar da pesquisa é preciso que o voluntário more em Ribeirão Preto e preencha um questionário online.
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