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Velório de Eduardo Campos reuniu gente de todas as partes de Pernambuco

Correligionários vindos de todos os cantos de Pernambuco decidiram homenagear o ex-governador Eduardo Campos. Miguel Arraes foi lembrado pelos sertanejos

João Valadares -

Publicação: 18/08/2014 10:59 Atualização:

Recife — O agricultor José Branco, 67 anos, mora no meio do mato, em Afrânio, sertão do Araripe, município pernambucano mais distante do Recife. Estava ordenhando duas vacas quando escutou baixinho pelo rádio ligado no curral que Eduardo Campos poderia ter morrido. Não esperou a confirmação oficial. Mandou chamar os cinco filhos em casa, colocou três sacos de feijão e arroz numa sacola, um pouco de café, duas garrafas de aguardente e rumou para o Recife. Levou junto até a cadela vira-lata chamada Preta. Antes de iniciar a viagem, reuniu os filhos no terraço e ordenou: “Coloquem a melhor roupa que a gente vai ao Recife rezar para que o neto de Miguel Arraes de Alencar, aquele santo homem, tenha paz e um caminho de luz”.

Antes de entrar no carro alugado, retirou do armário todos os santinhos e fotos com Arraes. Colocou tudo numa pasta velha que carregava ontem embaixo do braço. A família chegou ao Recife às 21h30 da quarta-feira e fez uma vigília no centro da cidade. Dormiram quatro dias embaixo de uma marquise da Rua do Imperador para reverenciar o maior líder político de Pernambuco, “o homi dos óio verde”.

“Eduardo já foi na minha casa duas vezes. Sabia o nome de um dos meus meninos. Para mim, quem morreu não foi um ex-governador e candidato a presidente. Quem morreu foi um filho. Digo ao senhor com toda honestidade que este é o meu sentimento”, afirmou, mostrando um panfleto da campanha disputada por Campos em 2006.

Ontem, após a longa espera, seu Anchieta estava grudado na grade que separava o povo da entrada do Palácio do Campo das Princesas. O sol era muito forte. Fumando um cigarro de palha, ele não desgrudava os olhos de Renata Campos. “Ela vai me reconhecer”, dizia às pessoas próximas. Gritou algumas vezes, mas o barulho era grande demais e ela não escutou. Conseguiu ganhar um aceno de João, o filho mais velho de Eduardo. Vestido com uma camisa azul de mangas compridas, atacada até o pescoço, Anchieta participou de todo o cortejo que levou o caixão do ex-governador de Pernambuco ao Cemitério de Santo Amaro. Parecia cansado.

O Correio acompanhou o agricultor de perto. Por várias vezes, fazia o sinal da cruz e beijava medalhinhas que carregava nas mãos. Quando a cerimônia fúnebre terminou, sentiu-se aliviado. “Pronto. Já conversei com Doutor Arraes no meu pensamento. Vou voltar amanhã cedo com a missão cumprida. Eduardo está entregue nas mãos de Deus”. Anchieta é a prova de que Eduardo Campos virou mito.

Várias caravanas vindas do sertão chegaram ao Recife logo nas primeiras horas da manhã de ontem. Muitas pessoas de chapéu de palha, símbolo das gestões de Miguel Arraes. Bandeiras de movimentos sociais estavam espalhadas pela Praça da República. O estudante Amaro José Bonifácio, 21 anos, levou um painel com a última declaração pública de Eduardo Campos. “Não vamos desistir do Brasil. Acho que Eduardo é um enviado de Deus na terra. Deu a mensagem dele para o maior público que já teve, morreu e vai mudar os rumos da eleição. Tenho pensado muito sobre isso”, disse. Ao lado dele, o motorista de ônibus Jacinto Santos, 47 anos, ainda com a farda do trabalho, concordou. “Eduardo era um homem intenso em tudo. Veja que até a morte foi impactante. Ele tem razão. Morreu e tenho certeza de que o rumo da eleição será outro.”

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