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Dono de abrigo para idosos é preso por maus tratos em Goiás Na unidade de internação policiais apreenderam documentos, computadores e objetos que seriam utilizados para agressões, como cordas e pedaços de maneira

Isa Stacciarini - Correio Braziliense

Publicação: 08/07/2014 13:49 Atualização:

O proprietário e outros quatro funcionários de uma casa abrigo de Águas Lindas de Goiás, que atende idosos e pessoas com deficiência, foram presos preventivamente pelo crime de tortura. Entre os detidos estão a coordenadora da instituição, uma técnica em enfermagem, um auxiliar de serviços gerais e um vigilante. A Polícia Civil de Goiás recebeu denúncias de maus tratos aos internos em 26 de junho quando receberam imagens flagradas por vizinhos da unidade que mostram os envolvidos torturando e agredindo idosos e deficientes mentais. Há inclusive suspeita de que os funcionários do abrigo chegavam a reter os cartões das aposentadorias dos idosos e usá-los em benefício próprio.

As cinco pessoas foram presas nessa segunda-feira (8/7), mas uma mulher de 37 anos que aparece em uma das filmagens agredindo um paciente com um pedaço de maneira está detida desde 27 de junho. O delegado de Águas Lindas responsável pelas investigações, Ricardo Pereira, explica que o proprietário da unidade, a coordenadora do abrigo e a técnica em enfermagem vão responder pelo crime de tortura na modalidade omissão. Os outros funcionários serão indiciados por tortura na modalidade castigo. “O proprietário, a coordenadora e a técnica de enfermagem da casa abrigo não evitavam que as agressões acontecessem e os pacientes ficavam sem o devido amparo. Eles tinham inclusive marcas de lesões e ninguém tomava providência para reverter essa situação. Já os demais servidores castigavam idosos e pessoas com deficiência”, esclarece.

Segundo o delegado, quando a denúncia foi feita, 21 pessoas estavam internadas na unidade, mas atualmente são 15 pacientes que estão sob os cuidados do abrigo. Os demais idosos e pessoas com deficiência foram novamente acolhidos por familiares e outros acabaram sendo realocados para diferentes estabelecimentos. A investigação se desdobra inclusive na retenção dos cartões dos idosos que seriam para assegurar o pagamento de benefícios aos internos, mas eram desviados para despesas próprias da clínica. “O dinheiro não era disponibilizado aos idosos e pessoas com deficiência. Os valores acabavam sendo utilizados para manutenção e necessidades da coordenação da casa abrigo. Os pacientes ficavam muitas vezes sem remédio, não tinham o devido cuidado e a alimentação era escassa”, aponta Pereira.

Na unidade de internação policiais apreenderam documentos, computadores e objetos que seriam utilizados para agressões, como cordas e pedaços de maneira. Desde ontem os homens foram encaminhados para a cadeia pública de Águas Lindas de Goiás e as mulheres transferidas para a casa de prisão provisória de Luziânia.

Na última sexta-feira o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) realizou inspeção judicial na casa abrigo para dar cumprimento à decisão de interdição do local. O espaço já havia recebido ordem judicial para fechar e suspender as atividades desde 2009, mas continuava em funcionamento, pois havia mudado de endereço. A juiza Célia Regina Lara determinou ainda que a prefeitura de Águas Lindas assuma o cuidado dos idosos e pessoas com deficiência. Para o TJGO, a fiscalização do município foi falha.

Desde ontem às 20h servidores da prefeitura assumiram a custódia de três unidades do abrigo, pois além das duas flagradas nas filmagens de vizinhos, há ainda uma da mesma rede que acolhe dependentes químicos. Os funcionários do município vão garantir a assistência aos internos até que seja encontrado um local para realocarem todos os pacientes. Foram encaminhados às entidades técnicos de enfermagem, enfermeiras, assistentes sociais, vigias e auxiliares de serviços gerais para garantirem a limpeza dos espaços. Segundo a prefeitura do município, em primeiro momento os pacientes estão sendo identificados para que os familiares de cada um deles sejam encontrados.

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