Hospital fecha e provoca caos em São José do Rio Preto

Fim de atendimentos de hospital espírita sobrecarrega outras duas instituições na cidade

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postado em 02/07/2014 17:37 / atualizado em 02/07/2014 18:09

Agência Estado


O atendimento aos pacientes de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) está à beira de um colapso em São José do Rio Preto (SP), município considerado referência nacional em atendimento de saúde. O alerta foi feito pelos dois únicos hospitais - Santa Casa e o Hospital de Base (HB) - que prestam esse tipo de atendimento no município. Os hospitais, que já estavam superlotados, sem leitos suficientes, tiveram um aumento de 40% na demanda de novos pacientes com o fechamento do hospital do Instituto Espírita Nosso Lar (Ielar), na última sexta-feira, 27.

O Ielar prestava cerca de 10 mil atendimentos mensais em medicina primária e secundária e era responsável por cerca de 400 procedimentos diários em urgência e emergência, exames e cirurgias. Com seu fechamento, o atendimento de urgência e emergência teve de ser remanejado, sobrecarregando ainda mais o atendimento nos outros dois hospitais.

Nos dois últimos dias, a Santa Casa e o HB, que também atendem a população das cidades da região, transformaram seus corredores em verdadeiros quartos improvisados, com a colocação de dezenas de macas para atendimento aos novos doentes. No HB, o corredor do andar térreo e até a sala de recepção ao público - onde cadeiras servem agora de acomodação para acompanhantes dormirem - foram transformados em alas de emergência, ocupadas por 60 macas. Os atendimentos de enfermeiros e médicos são feitos no próprio corredor, ao lado de acompanhantes e outros profissionais que transitam pelo local. Com a superlotação, doentes e acompanhantes dormem na sala de espera e no corredor e usam banheiros dos quartos ocupados por outros pacientes.

Segundo a assessoria do HB, na manhã desta quarta-feira, 124 pacientes foram atendidos no setor de pronto-atendimento - geralmente entre 70 e 90 pacientes são atendidos por dia -, sem contar um aumento de 100% no número de pacientes que aguardavam vagas em UTI e 30% dos que esperavam internação. De acordo com o hospital, 33 pacientes ficaram 'internados' em macas à espera de liberação de vagas em leitos. A situação levou a direção do HB a fazer um boletim de ocorrência na polícia para se preservar de possíveis omissões que podem ocorrer nos próximos dias, quando o hospital poderá não ter mais condições de atender a toda a demanda.

Segundo o diretor administrativo do hospital, Jorge Fares, o HB já sente falta de leitos e coloca macas para atender o excesso, mas o problema agora é que não tem onde colocar mais macas. Segundo ele, o hospital poderá bloquear a entrada de pacientes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). "A direção entende que não podemos deixar que os pacientes morram dentro do hospital. Estamos à beira do colapso no atendimento, não temos mais onde colocar os doentes", afirmou. Segundo Fares, "o hospital recebe de 40% a 45% dos pacientes da cidade e outros, vindos de outros 101 municípios. Com eles deixando aqui os pacientes que eram atendidos no Ielar, chegamos no limite", afirmou.

Na Santa Casa de Rio Preto, a situação é semelhante. De acordo com o provedor, Nadim Cury, o hospital dobrou os atendimentos no setor de obstetrícia e teve de contratar médicos, enfermeiros e técnicos para dar conta do atendimento. Na terça-feira, 1, o hospital teve aumento de 40% na demanda, atendendo 130 novos pacientes. "Colocamos macas nos corredores, que até o final de semana deverão ser levadas a uma sala de observação para abrigar esta nova demanda", afirmou Cury. De acordo com Cury, a transferência para quartos só deve ocorrer até o final do ano, quando nova ala, em construção, ficará pronta. "Mas se houver aumento de procura da urgência e emergência, não teremos mais condições de atender. Estamos no limite", afirmou.

O Ielar alegou não ter condições financeiras para manter o hospital em funcionamento. A prefeitura cobra do hospital uma suposta dívida de R$ 8,8 milhões de repasses do SUS, cujas contas não teriam sido prestadas. O hospital alega que não deve à prefeitura e que os recursos foram repassados a fundo perdido como complementação dos serviços que ele prestava ao município. Uma nova reunião estava marcada para o final da tarde desta quarta, quando representantes da prefeitura e do hospital tentariam um acordo.
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